Substituindo a Lei de Deus por Tradições

moses“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. (Mateus 5.20)

Quando pensamos nos escribas e fariseus, no que pensamos? Até mesmo aqueles que não são leitores assíduos das Escrituras costumam ter uma palavra em mente quando pensam em fariseus: hipócritas. Sem dúvidas, isso era o que Jesus pensava deles também. Mas o que poucos sabem é o motivo central para Jesus considerá-los assim. Jesus, assim como os antigos profetas, defendia a necessidade de obedecer o padrão moral da Lei de Deus que havia sido revelada por Moisés. Já os fariseus, assim como os inimigos dos antigos profetas, tratavam a Lei do Antigo Testamento como irrelevante e insignificante e, portanto, substituiram a Lei de Deus por um padrão moral diferente. Em vez de refletir e meditar na Lei de Deus pra compreender e extrair as reais implicações do que ela diz, os escribas e fariseus estavam continuamente buscando meios de anular a obrigação de cumpri-la. Eram reconhecidos como os grandes mestres da Lei em Israel. Mas na realidade eram os grandes transgressores:

“Então chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos, quando comem. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai. E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus. Hipócritas! bem profetizou Isaias a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem”. (Mateus 15.1-9)

A Lei de Deus manda que o homem honre seu pai e sua mãe. Isso é uma obrigação tão séria que Jesus citou aqui o fato de que amaldiçoar (invocar imprecações contras eles) os pais era um crime passivo pena capital: “Qualquer que amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente será morto; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele”. (Lv 20.9) A honra em questão envolvia a necessidade de sustentar os pais nos momentos de dificuldade financeira, especialmente na velhice. Mas os escribas e fariseus negligenciavam isso em nome de uma “causa santa”. Aquilo que seria usado pra sustentar seus pais era ofertado a Deus. Por ser uma oferta a Deus, acreditavam que estavam fazendo algo sublime. Mas Jesus não mediu palavras “Hipócritas!”. Obedecer a Deus significa fazer o que sua Lei manda e não inventar votos e ofertas por tradições que nos impedem de cumprir o que sua Lei manda. O que os escribas e fariseus mais queriam era uma demonstração pública do quanto eram piedosos e espirituais. O que eles queriam era a glória humana. O que eles não queriam era obedecer a Deus.

Foi por causa disso que no sermão da montanha Jesus avisou: “se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. (Mt 5.20) A maior problema dos escribas e fariseus era que “amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus”. (Jo 12.43) Todo sistema de religião do escriba e fariseu era centralizado na busca pela glória do homem. Sua preocupação não era o que Deus exige de nós, mas o que os homens vão achar. Por isso seu sistema moral não era fundamentado na Lei de Deus, mas em tradições humanas.

No final de Sermão da Montanha Jesus anunciou qual a diferença crucial entre os que verdadeiramente servem a Deus e os que somente chamam pelo seu nome, mas na realidade são iníquos: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus… Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. (Mt 7.21-23) No grego bíblico, a palavra lei é νόμος – nomos. Já palavra iniquo é ἄνομος – anomos – e iniquidade é ἀνομία – anomia. Iniquidade significa literalmente “sem lei”. A semelhança dos escribas e fariseus, os que praticam a iniquidade são aqueles que quebram, rejeitam e se opõe a Lei de Deus. Não importa se chamam pelo Senhor da boca pra fora. Se não fazem a vontade do Pai – revelada em sua Lei – serão rejeitados.

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1 opinião sobre “Substituindo a Lei de Deus por Tradições”

  1. Miclovio Malone disse:

    Importantíssimo analisarmos a nossa vida e saber se o que estamos procurando é a glória dos homens ou a glória Divina, e se alguma tradição humana está tomando o lugar da lei de Deus em nossas vidas. Ótimo texto.

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