O Fundamento da Lei

moses

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. (João 14.21)

A necessidade de meditar na Lei nos leva a necessidade de compreender a estrutura da Lei. A necessidade de refletir e meditar na natureza de cada mandamento pressupõe a necessidade de compreender como cada mandamento se relaciona com os demais. Por vezes demais ímpios e crentes encaram os mandamentos bíblicos como uma mera lista de proibições desconexas cujo único objetivo aparente é nos privar de ser feliz. O motivo principal que faz a maioria pensar assim é que encaram os mandamentos da maneira isolada, não refletem na relação dos mandamentos nem nas implicações dos mandamentos para o bom funcionamento de toda Criação. O fato é que nenhuma proibição Divina existe arbitrariamente, mas é sempre a proteção de valores que foram positivamente estabelecidos por Deus. A proibição do homicídio, por exemplo, existe pra proteger a vida humana. Já a proibição do adultério existe pra proteger a instituição do casamento.

Pra começar a entender, precisamos considerar o que Jesus ensinou sobre os mandamentos mais importantes da Lei:

“Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.(Mateus 22.36-40)

Muitos acreditam que estes dois mandamentos foram inaugurados por Jesus. Mas isso não é verdade. Jesus foi interrogado sobre o grande mandamento na Lei. E ele respondeu citanda a Lei: “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te”. (Dt 6.4-7) “Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e não levarás sobre ti pecado por causa dele. Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”. (Lv 19.17-18) Jesus ensinou que toda a Lei e os Profetas são logicamente dependentes destes dois mandamentos. Isso significa que nenhum mandamento da Lei pode jamais ser entendido como contrário ao amor. Isso significa que todos os mandamentos da Lei precisam ser entendidos como aplicações do amor.

Diferentes pessoas definem o amor de diferentes maneiras. O que a Lei nos dá é a definição Divina do amor. Mas a definição do amor não é estabelecida pelo homem. O amor não é qualquer sentimentalismo humano baseado em sua mera preferência pessoal. O verdadeiro amor é definido unicamente pela Lei de Deus:

“A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a Lei. Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da Lei”. (Rm 13.8-10)

Aqui o Apóstolo Paulo nos dá uma pista importância para compreender a estrutura da Lei. Jesus ensinou que “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19.17-18) é o segundo mais importante mandamentos e que os demais mandamentos que regem as relações humanas precisam ser entendidos como logicamente dependentes deste. O que o Apóstolo faz aqui é a aplicação deste principio para explicar a proibição do adultério, do assassinato, do roubo e da cobiça. O mandamento de amar o próximo é uma exigência ampla. E as proibições de adulterar, assassinar, roubar e cobiçar definem o que o amor ao próximo significa. Se amamos então não assassinamos, não roubamos, não adulteramos nem cobiçamos o que é seu. Não inclui somente estas coisas, é claro. Há outros mandamentos que definem a relação interpessoal que poderíamos citar como derivados destes. Mas o ponto é que o significado do amor ao próximo é definido pela totalidade dos mandamentos que tratam do relacionamento interpessoal. Pra entender o que o amor ao próximo significa, precisamos meditar sobre a natureza de cada mandamento a luz do maior. Isso não é verdadeiro somente para o mandamento de amar o próximo, mas também para a definição do que significa amar a Deus.

A importância disso não pode ser subestimada. A objetividade da Lei de Deus é a única coisa que pode impedir que o homem seja entregue ao engano da subjetividade, do sentimentalismo de seu próprio coração. Um casal homossexual, por exemplo, poderá argumentar que eles têm o direito se casar porque eles se amam. E um adúltero poderá argumentar que ele trai sua esposa porque ele ama sua amante. Sem a objetividade da Lei de Deus, qualquer um define amor como bem entende.

É natural que todo cristão e toda igreja de alguma maneira fale da necessidade de santificação. Mas simplesmente mencionar a palavra santificação é fácil. Dizer que é preciso obedecer a Deus também é fácil. Até os escribas e fariseus falavam nisso. O grande teste é esse: Qual é o padrão usado pra definir o que é pecado e o que não é? Santificação significa viver em obediência a Deus. Mas qual é o padrão usado pra definir o que é justo e injusto, o que é pecado e o que é virtude? “Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. (Mt 5.20) Sem a objetividade da Lei de Deus, somos entregues as tradições humanas, ao sentimentalismo, ao misticismo e a tudo o que o coração corrompido do homem for capaz de inventar. Faça o teste na sua Igreja: você ouve explicações detalhadas sobre o significado e aplicação da Lei de Deus com a mesma frequência que ouve falar em santidade e obediência? E não basta falar de amor. Qualquer bêbado é capaz de falar em amor. Com que frequência você ouve o significado do amor sendo definido com objetividade pelos mandamentos de Deus? Se não ouve, há grandes riscos que sejam meros mandamentos humanos, mas não obediência a Deus.

OS DEZ MANDAMENTOS

É por isso que quando a Lei de Deus foi revelada a Moisés, Deus lhe deu duas tábuas com dez mandamentos escritos diretamente pelo próprio Deus. A primeira tábua se refere ao amor a Deus. A segunda tábua se refere ao amor ao próximo. O significado de amar a Deus é resumido na primeira tábua e o significado de amar ao próximo é resumido na segunda tábua. Os dez mandamentos não são meras leis em meio a outras leis, mas são um resumo de toda a Lei com todos os mandamentos agrupados em dez princípios gerais. Por exemplo: O primeiro mandamento ordena, “Não terás outros deuses diante de mim”. (Êxodo 20.3) E em outro lugar a Lei manda também: “Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus”. (Levítico 19.31) Mas este mandamento não deve ser entendido como um mandamento a parte dos dez. Não é um mandamento distinto dos dez, mas é parte do que o primeiro mandamento diz. O primeiro mandamento simplesmente estabelece que somente Deus deve ser reconhecido, adorado e tratado como Deus e com base nisso há outros mandamentos que definem o que isso significa. Consultar os mortos e praticar feitiçaria significa estabelecer outros deuses e usurpar coisas que são exclusivas do único Deus. Sendo assim, consultar os mortos e praticar a feitiçaria significa a quebra do primeiro mandamento. O mesmo pode ser dito de todos os mandamentos em relação aos dez. A totalidade dos mandamentos da Lei se resumem nos dez da mesma forma que os dez mandamentos se resumem no amor a Deus e ao próximo. Abolir a Lei significaria abolir o amor porque o amor é o resumo da Lei.

3 opiniões sobre “O Fundamento da Lei”

  1. Miclovio Malone disse:

    Muito boa a explanação sobre o verdadeiro sentido da lei, o amor. É interessante saber que tudo que Deus estabeleceu tem um uma finalidade: o amor.

  2. Walter Sá disse:

    Podem me informar por que os Dez Mandamentos dos católicos são diferentes dos evangélicos? Obrigado

  3. Luan Sales disse:

    Muito bom. A última frase foi um resumo perfeito do texto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s