XX – A Cidade Amada


A CIDADE AMADA
Por Frank Brito

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“Ora, quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida; mas desceu fogo do céu, e os devorou”. (Apocalipse 20:7-9)

Este texto indica que, antes do fim, haverá uma rebelião, uma ultima tentativa de subverter a ordem cristã que dominará o mundo. O desejo virá do fato dos réprobos se verem obrigados a viver em um mundo cristianizado, sob governos e leis cristãs (cf. Is 2.3-4; 32.1-8; Sl 2). Mas, o que significa “a cidade amada”? Será algum lugar específico que atacarão? Ou seria o símbolo de outra coisa? O significado da “cidade amada” fica claro quando percebemos que o Apocalipse fala de duas cidades. A primeira é a “grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado” (Ap 11:8), a grande prostituta (Ap 17.18) – a velha Jerusalém. A segunda é “a noiva, a esposa do Cordeiro… a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus”. (Ap 21.9-10) O Apóstolo Paulo escreveu sobre isso aos Gálatas:

“Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria: pois essas mulheres são dois pactos; um do monte Sinai, que dá à luz filhos para a servidão, e que é Agar. Ora, esta Agar é o monte Sinai na Arábia e corresponde à Jerusalém atual, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é nossa mãe. Pois está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque mais são os filhos da desolada do que os da que tem marido. Ora vós, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaque. Mas, como naquele tempo o que nasceu segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim é também agora. Que diz, porém, a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre. Pelo que, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da livre”. (Gálatas 4.22-31)

Aqui o Apóstolo Paulo explicou que não existiam uma, mas duas cidades de Jerusalém. Havia a Jerusalém terrena gerando filhos carnais e havia a Jerusalém celestial gerando filhos espirituais. A Jerusalém terrena era uma prostituta e, portanto, seria lançada fora, o que se cumpriu em 70 AD: “Veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas”.(Ap 17.1) A Jerusalém celestial era a legítima esposa do Cordeiro e foi descrita com detalhes no penúltimo capítulo do Apocalipse:

“E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou- me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus”. (Apocalipse 21.9-10)

Jesus não é desposado com uma cidade literal. A noiva, a esposa do Cordeiro – a Nova Jerusalém – é a Igreja:

“Vós mesmos me sois testemunhas de que eu disse: Não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo”. (João 3.28-29)

“Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. De sorte que, enquanto viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido. Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus”. (Romanos 7.2-4)

“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só Esposo, Cristo, para vos apresentar a ele como virgem pura”. (II Coríntios 11.2)

“Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível…. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu falo em referência a Cristo e à igreja“. (Efésios 5.25-27,31-32)

A Igreja é a “cidade situada sobre um monte” (Mt 5.14) e tem “a glória de Deus; e o seu brilho era semelhante a uma pedra preciosíssima”(Ap 21.11) porque é “a luz do mundo” (Mt 5.14) e é por isso que “as nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória”.(Ap 21.24) A cidade “tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel”(Ap 21.12) porque a Igreja é “a Israel de Deus” (Gl 6.16; cf. Rm 2.28-28,9.6-8). “O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14) porque a Igreja é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina”. (Ef 2.20, cf. Gl 2.9) O “rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro” (Ap 22.1) é o “Espírito que haviam de receber os que nele cressem”(João 7.39) e “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna”.(Jo 4.14)

A Igreja estará presente na eternidade, mas também está presente na história. É por isso que Apocalipse 20 menciona a “cidade amada” (v. 9) na visão do Milênio. No presente tempo, a Igreja é o que os teólogos chamam de “militante” e “triunfante”. A Igreja militante é formada por aqueles que ainda vivem na terra, antes da morte. A Igreja triunfante é formada por todos os que já foram transportados para o céu mediante a morte. Somente depois do Juízo Final é que a Igreja estará plenamente glorificada e purificada (Ap 21-22). O que Apocalipse 20 mostra é a última tentativa satânica de tentativa de subverter a Igreja militante. O comentário de S. Agostinho foi certeiro:

“As palavras, ‘E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada’, não significa que eles chegaram ou que eles chegarão a um lugar específico, como se o arraial dos santos e a cidade amada estivessem em um único lugar, pois este acampamento não é outra coisa se não a Igreja de Cristo que se estende por todo o mundo“. (Agostinho, A Cidade de Deus, Livro XX, “Sobre a Prisão e Libertação do Diabo”)

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