XIX – A Última Apostasia

wolfA ÚLTIMA APOSTASIA
Por Frank Brito

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“Ora, quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha”. (Apocalipse 20.7-8)

O fim do Milênio é o fim da história. Aqui o Apocalipse mostra que, antes do fim, haverá uma grande apostasia entre as nações. O propósito da prisão de Satanás era a conversão do mundo inteiro. Mas antes do fim do mundo, será permitido que ele tente fazer o mundo voltar as trevas mais uma vez. O mundo de forma geral será convertido, mas isso não significa cada pessoa individualmente será. A apostasia significa que, logo antes do fim, haverá um numero suficiente de pessoas que serão somente cristãos nominais e que entraram em rebelião contra a ordem estabelecida.  É dito que o número dos rebeldes será “como a areia do mar”. (v. 8) Essa expressão indica simplesmente que ele conseguirá convencer uma grande multidão a participar da rebelião, mas isso não significa que incluirá a maioria das pessoas do mundo. A expressão e outras semelhantes são usadas diversas vezes no Antigo Testamento pra indicar uma multidão grandiosa, mas que em relação a população total da terra, era uma minoria:

“Ao cananeu do oriente e do ocidente; e ao amorreu, e ao heteu, e ao perizeu, e ao jebuseu nas montanhas; e ao heveu ao pé de Hermom, na terra de Mizpá. Saíram pois estes, e todos os seus exércitos com eles, muito povo, em multidão como a areia que está na praia do mar; e muitíssimos cavalos e carros”. (Josué 11.3-4)

“E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel, trinta mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à beira do mar; e subiram, e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Aven”. (I Samuel 13.5)

“E Salomão disse a Deus: Tu usaste de grande benignidade com meu pai Davi, e a mim me fizeste rei em seu lugar. Agora, pois, ó SENHOR Deus, confirme-se a tua palavra, dada a meu pai Davi; porque tu me fizeste reinar sobre um povo numeroso como o pó da terra”. (II Crônicas 1.8-9)

A parábola do joio e do trigo dá a entender que no fim do mundo a maioria das pessoas será genuinamente cristã:

“Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro… O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lança-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. (Mateus 13.24-30,36-43)

Primeiro, o campo é um campo de trigo que tem joio e não um campo de joio que tem trigo. O joio está lá, mas é minoria em relação ao trigo. Segundo, o campo é o mundo e o reino simultaneamente. Inicialmente, ele explica que o campo é o mundo, mas depois ele descreve a retirada do joio do campo, como a retirada dos ímpios de seu Reino. Isso indica no fim o Reino já terá dominado o mundo inteiro. O trigo não é retirado porque o mundo pertence a eles. “Porque o SENHOR ama o juízo e não desampara os seus santos; eles são preservados para sempre; mas a semente dos ímpios será desarraigada. Os justos herdarão a terra e habitarão nela para sempre”. (Sl 37.28-29) Terceiro, o texto fala do crescimento do joio e do trigo. Eles se desenvolvem juntos no decorrer da história. O desenvolvimento do trigo é o aumento da justiça dos justos, a santificação progressiva da Igreja no decorrer da história. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do joio é o aumento da iniquidade dos ímpios. Isso trás o aumento do domínio dos justos, pois faz com que as bênçãos pactuais sejam aplicadas a eles ao mesmo tempo em que os ímipios são julgados.  “Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario… os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados”. (II Tm 3.9,13) Quarto, entre a parábola (Mt 13.24-39) e a explicação da parábola (vs. 36-43), há duas outras parábolas que explicitamente ensinam o crescimento progressivo do Reino de Deus até o tempo em que dominaria o mundo inteiro: “Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; O qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos. Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado”. (Mt 13.31-33) Há alguns textos que muitos acreditam ensinar que na segunda vinda haverá somente um número quase insignificante de cristãos na terra:

“E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem”. (Mateus 24.37-39)

O argumento em torno deste texto é que Noé e sua família eram uma minoria absoluta em relação à população total da terra naquele tempo. Consequentemente, devemos esperar que o mesmo em relação aos cristãos. Mas o objetivo deste texto não é dizer qual será a proporção de crentes e ímpios no fim do mundo. Os versos seguintes deixam isso mais claro:

“Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”. (Mateus 24.40-42)

Diferente do que acreditam os pre-tribulacionistas, os “levados” aqui são os condenados e não os justos são os “deixados”. Isso fica claro quando lemos estes versos em conexão com os versos anteriores: “E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro”. (Mt 24.39-40) Os que foram “levados” no tempo de Noé foram os ímpios e o verso seguinte simplesmente dá continuidade a esta mesma ideia. Além disso, se a referência a Noé tivesse como objetivo descrever a proporção de ímpios e crentes que haverá na terra, então o que é dito logo em seguida estaria entrando em contradição com isso, pois, em termos de proporções, a proporção dos versos seguintes é meio a meio – uma proporção muito diferente do dilúvio. A questão é que o objetivo aqui não é falar de proporções, mas falar que a segunda vinda acontecerá em um momento inesperado porque ninguém saberá o dia e a hora. Ele virá repentinamente enquanto a maioria das pessoas estará seguindo suas vidas normalmente, “comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento”. De Mateus 24.37 em diante, Jesus faz uma sequencia de comparações cujo único objetivo é avisar o mesmo. Em nenhuma destas comparações e parábolas ele dá qualquer pista sobre a proporção de crentes e ímpios na segunda vinda. Na comparação com Noé, os justos são uma minoria, mas nos versos seguintes, sobre as pessoas no campo e moendo no moinho, há um equilíbrio dos dois. Na parábola dos servos (Mt 24.45-51) e das dez virgens (Mt 25.1-13) também há um equilíbrio. Já na parábola dos talentos (Mt 25.14-30), os justos são uma maioria.

Estas parábolas também são muito usadas para defender que Jesus Cristo poderá voltar a qualquer momento. Pois Cristo diz, “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai… Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”. (Mt 24.36,42) Isso foi esclarecido por S. Paulo:

“Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas”. (I Tessalonicenses 5.1-5)

O Dia do Senhor pegará de surpresa os que estão em trevas e não os que forem filhos da luz. Os que forem filhos da luz não serão surpreendidos. De fato, não sabemos o dia e a hora que Cristo voltará. Todavia, temos a Escritura e, portanto, podemos vigiar. Podemos saber se Sua vinda está próxima ou longe, pois podemos sabemos, pelas Escrituras, o que precisa acontecer antes Ele venha. Podemos observar os tempos e as estações. Quanto a isso, apóstolo disse: “quando disserem: Há paz e segurança”. Isso, evidentemente, não é uma descrição do mundo em que vivemos agora, mas refere-se ao mundo quando a conversão das nações for um fato consumado. Haverá paz abundante, ausência de guerras e uma expectativa de vida que não será somente longa, mas que ultrapassará todos os limites do otimismo – como era no tempo de Noé antes do grande dilúvio. Isso se dará pela aplicação progressiva das bênçãos pactuais pela conversão dos povos da terra. Mas com Deus avisou por Moisés, as bênçãos pactuais poderiam acabar se tornando um instrumento do homem para a acomodação e apostasia[1]:

“Guarda-te que não te esqueças do SENHOR teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos que hoje te ordeno; Para não suceder que, havendo tu comido e fores farto, e havendo edificado boas casas, e habitando-as, E se tiverem aumentado os teus gados e os teus rebanhos, e se acrescentar a prata e o ouro, e se multiplicar tudo quanto tens, Se eleve o teu coração e te esqueças do SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão; Que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de terra seca, em que não havia água; e tirou água para ti da rocha pederneira; Que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheceram; para te humilhar, e para te provar, para no fim te fazer bem; E digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriu este poder. Antes te lembrarás do SENHOR teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar o seu pacto, que jurou a teus pais, como se vê neste dia. Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do SENHOR teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis. Como as nações que o SENHOR destruiu diante de vós, assim vós perecereis, porquanto não queríeis obedecer à voz do SENHOR vosso Deus”. (Deuteronômio 8.11-20)

Um pouco antes do fim do mundo, Satanás usará todo o avanço material, cultural e humano do mundo como instrumento para induzir os povos a atribuir tais coisas a conquista do próprio homem. Se povos apóstatas já pensam assim em um mundo ainda tão decadente quanto nosso pelos poucos avanços científicos que já tivemos, o que não dirão quando as bênçãos pactuais estiverem no auge, um mundo em que será literalmente um paraíso na terra e os homens viverão como no tempo dos patriarcas pré-diluvianos?

“E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou”. (Ap 20.9)

Este texto indica que haverá uma rebelião, uma ultima tentativa de subverter a ordem cristã. O desejo certamente virá do fato de se viverem obrigados a viver em um mundo cristianizado, sob governos e leis cristãs (cf. Is 2.3-4; 32.1-8; Sl 2). Mas o que significa “a cidade amada”? Será algum lugar específico que atacarão? Falaremos sobre isso no próximo capítulo.


[1] Um exemplo atual disso é a Europa apóstata, mas que ainda se beneficia das bênçãos pactuais decorrentes de seu passado cristão. É só uma questão de tempo para que tudo se reverta em maldição, caso não se arrependa a tempo. A apostasia da Holanda calvinista, por exemplo, de forma alguma ficará impune quando a medida de sua iniquidade estiver cheia, da mesma forma que a medida da iniquidade de Israel se encheu.

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2 opiniões sobre “XIX – A Última Apostasia”

  1. Vinicius Franco disse:

    Gogue e Magogue (Ez 38-39) tem alguma relação com Ap 19.11-21? Se sim, como isso se relaciona com Ap 20.7-8. Se não, pq 19.17-18 alude a Ez 39.17-20′ que é o mesmo contexto de 20.7-8?

  2. Vinicius Franco disse:

    tem alguma resposta para a pergunta anterior?

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