XIII – Eleitos de Deus

vasoREVELAÇÃO EM PARÁBOLAS: Uma Breve Introdução ao Apocalipse de S. João
Por Frank Brito

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ELEITOS DE DEUS

“Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas”. (Lucas 21.20-22)

O tema central das profecias do Apocalipse é a transferência do Reino de Deus de Israel aos gentios. O processo de transferência durou cerca de 40 anos. Com a morte de Cristo, o Novo Pacto foi estabelecido. Com a destruição de Jerusalém e do templo a transferência estava consumada. O propósito central das profecias do Apocalipse é identificar os personagens centrais desta transferência e identificar as circunstâncias em que aconteceria. As sete trombetas e os sete cálices conduzem diretamente a queda de Jerusalém. Falam dos eventos que conduziam ao juízo de Deus sobre Israel.

A visão de Apocalipse 7 fala do que era necessário acontecer antes para que o juízo viesse sobre Israel:

“E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, tendo o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, quem fora dado que danificassem a terra e o mar, dizendo: Não danifiques a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos na sua fronte os servos do nosso Deus. E ouvi o número dos que foram assinalados com o selo, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel: da tribo de Judá havia doze mil assinalados; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil; da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil; da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; da tribo de Zabulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil assinalados”. (Apocalipse 7.2-8)

O texto fala sobre quatro anjos. Os quatro anjos recebem ordens de que deveriam procrastinar o juízo até que uma quantidade específica de pessoas fosse selada. O profeta Ezequiel teve uma visão parecida:

“E a glória do Deus de Israel se levantou do querubim sobre o qual estava, e passou para a entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que trazia o tinteiro de escrivão à sua cintura. E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela. E aos outros disse ele, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais. Matai velhos, mancebos e virgens, criancinhas e mulheres, até exterminá-los; mas não vos chegueis a qualquer sobre quem estiver o sinal; e começai pelo meu santuário. Então começaram pelos anciãos que estavam diante da casa”. (Ezequiel 9.3-6)

O texto fala da destruição de Jerusalém e do templo que ocorreu mediante a invasão Babilônica. Mas a destruição não veio sobre os judeus completamente. Um remanescente foi poupado. Os remanescentes eram os arrependidos e na visão de Ezequiel estes foram “selados”[1]. Com base nisso devemos entender que o propósito da visão de Apocalipse é comparar a destruição de Jerusalém pelos babilônicos com a destruição de Jerusalém pelos romanos. Assim como Jerusalém e o templo foram destruídos no tempo de Ezequiel também seriam no tempo de João. E da mesma forma que um remanescente dentro os judeus foi selado no tempo de Ezequiel também seria no tempo de João. Os cento e quarenta e quatro representam a totalidade deste remanescente dentre os judeus. O número não deve ser entendido literalmente. Mil significa simplesmente “muitos” (cf. Lv 26.8; Dt 7.9; Sl 50.10; Sl 90.4) e cento e quarenta e quatro é simplesmente o resultado de doze vezes doze (por causa das doze tribos). O propósito do texto é dizer que Israel não seria completamente destruído, mas haveria um remanescente sendo poupado. Como disse Isaías: “Se o Senhor dos exércitos não nos deixara alguns sobreviventes, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra”. (Is 1.9)

É importante notar que essa não é a única vez que João vê o grupo do centro e quarenta e quatro mil: “E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam na fronte escrito o nome dele e o nome de seu Pai”. (Ap 14.1) João viu os cento e quarenta e quatro mil logo após a visão das duas bestas. Se entendermos que eles representavam o remanescente de Israel fica fácil entender por que esta visão aconteceu após a visão das duas bestas. A mulher que fugiu para o deserto é equivalente aos cento e quarenta e quatro mil. Ambos representam a Israel espiritual. É por isso que diz: “Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens”. (Ap 14.4) Não devemos aqui que a referência seja a pessoas literalmente virgens. Novamente, o pano de fundo aqui é a história de Balaque a Balaão:

“Ora, Israel demorava-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas de Moabe, pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses… Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, fizeram que os filhos de Israel pecassem contra o Senhor no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a congregação do Senhor”. (Números 25.1-2; 31.16)

O objetivo do texto é dizer que os israelitas que não haviam se contaminado com o paganismo no Império Romano eram como seus antepassados que não haviam se contaminado com a idolatria e prostituição de Balaque e Balaão. A virgindade aqui significa a pureza espiritual daquele que não se contaminou com a idolatria: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só Esposo, Cristo, para vos apresentar a ele como virgem pura”. (I Co 11.2) Esta era a diferença entre o Israel de Deus e o Israel carnal, que não é virgem, mas é a grande prostituta. A Israel carnal tinha a marca da besta. A Israel espiritual tinha o selo do Cordeiro.

Depois da visão dos cento e quarenta e quatro mil, João viu os mártires no céu:

“Depois destas coisas olhei, e eis uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono e em presença do Cordeiro, trajando compridas vestes brancas, e com palmas nas mãos… Disse-me ele: Estes são os que vêm de grande tribulação, e levaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro”. (Apocalipse 7.9-14)

O propósito desta visão é mostrar que o número dos mártires finalmente se completou como Deus havia dito que era necessário acontecer: “E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram”. (Ap 6.11) E tendo se completado, a vingança finalmente cairia sobre Israel. A medida de sua iniquidade finalmente estava cheia.


[1] É interessante que quando o texto diz “marca com um sinal as testas” (v. 4), a palavra traduzida como sinal é letra tav no paleohebraico do texto original de Ezequiel e esta letra tinha justamente um formato de cruz. Possivelmente o motivo disso era porque o sinal apontava profeticamente para a salvação daquele povo unicamente pelos méritos de Cristo crucificado. (I Co 1.23)

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