XII – Um Povo Que Não Se Chamava Pelo Meu Nome

worldREVELAÇÃO EM PARÁBOLAS: Uma Breve Introdução ao Apocalipse de S. João
Por Frank Brito

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UM POVO QUE NÃO SE CHAMAVA PELO MEU NOME

“Tornei-me acessível aos que não perguntavam por mim; fui achado daqueles que não me buscavam. A uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui. Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por um caminho que não é bom, após os seus próprios pensamentos”. (Isaías 65.1-2)

A parábola que Jesus contou após sua entrada triunfal em Jerusalém sobre o proprietário da vinha tem como objetivo profetizar essencialmente o mesmo que o Apocalipse inteiro – a queda de Israel e a transferência do Reino de Deus para as nações:

“Atentai noutra parábola. Havia um homem, dono de casa, que plantou uma vinha. Cercou-a de uma sebe, construiu nela um lagar, edificou-lhe uma torre e arrendou-a a uns lavradores. Depois, se ausentou do país. Ao tempo da colheita, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe tocavam. E os lavradores, agarrando os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram. Enviou ainda outros servos em maior número; e trataram-nos da mesma sorte. E, por último, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: A meu filho respeitarão. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram. Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Responderam-lhe: Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos. Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos. Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó”. (Mateus 21,33-44)

A parábola fala de dois grupos de lavadores. O primeiro grupo foi substituído por um segundo grupo. O primeiro grupo foi punido com morte pelo senhor da vinha. O primeiro grupo, além de não dar frutos, ainda matou o filho do senhor da vinha. O segundo grupo dará frutos como o primeiro não deu. O segundo grupo será bem sucedido naquilo que o primeiro não foi.

O primeiro grupo da parábola representa a nação de Israel sob o Antigo Pacto. Jesus Cristo falou de como Israel foi rebelde por toda sua história. Ele fala de como Deus “enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos”. (Mt 21.34) Estes representam os antigos profetas. Jesus está lembrando aos líderes de Israel qual havia sido a reação a cada profeta que lhes era enviado: “E os lavradores, agarrando os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram”. (Mt 21.35) Cristo falou ainda de uma segunda sequência de profetas que foram enviados, mas que acabaram tendo o mesmo fim. “Enviou ainda outros servos em maior número; e trataram-nos da mesma sorte…” (Mt 21.36) O último profeta do Antigo Testamento foi Malaquias. Um fato importante sobre Malaquias é que ele profetizou a vinda de Jesus Cristo ao templo de Deus em Jerusalém:

“Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o Mensageiro do pacto, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros”. (Malaquias 3:1-2)

Primeiro, o texto se refere ao “mensageiro que preparará o caminho diante de mim” (v. 1). Isso é uma clara referência a João Batista: “Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu mensageiro ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados”. (Mc 1:2-4) João Batista foi quem preparou o caminho diante de Jesus Cristo, o Senhor – o Mensageiro do Pacto. Então Malaquias profetizou que Jesus Cristo “de repente virá ao seu templo”. Isso se refere à chegada de Jesus Cristo no templo, após a sua entrada triunfal, para debater publicamente com os líderes de Israel e anunciar o juízo de Deus sobre eles. Foi sobre isso que Jesus Cristo falou também em sua parábola: “E, por último, enviou-lhes seu filho” (Mt 21.37).

A reação de Israel com a vinda do Filho de Deus não foi diferente da reação que tiveram com os antigos profetas: “Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram”. (Mateus 21.38-43) Apesar de Jesus Cristo ter sido executado pelas autoridades romanas, o Novo Testamento reconhece que os líderes judaicos foram os responsáveis primários porque foram eles que entregaram Jesus aos romanos:

“Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos”. (Atos 2.22-23)

“Pois vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judéia; porque também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que elas padeceram dos judeus; os quais mataram ao Senhor Jesus, bem como aos profetas, e a nós nos perseguiram”. (I Tessalonicenses 2.14-15)

Aqui o Apóstolo Paulo diz o mesmo que já havia sido dito por Jesus em sua parábola: os judeus eram culpados tanto pela morte dos antigos profetas quanto pela morte do Filho de Deus. Isso não significa que os romanos não tivessem culpa nenhuma. Significa somente que a culpa dos judeus era maior. Jesus falou sobre isso em sua conversa com Pôncio Pilatos: “aquele que me entregou a ti, maior pecado tem”. (Jo 19.11) Como veremos depois, o juízo de Deus vem sobre a besta também, mas não com a mesma intensidade e nem com tanta rapidez quanto o juízo sobre Israel:

“O servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; mas o que não a soube, e fez coisas que mereciam castigo, com poucos açoites será castigado. Daquele a quem muito é dado, muito se lhe requererá; e a quem muito é confiado, mais ainda se lhe pedirá”. (Lucas 12.47-48)

Em seguida, Jesus Cristo perguntou aos líderes de Israel, qual seria a punição que o senhor da vinha – Deus Pai – daria aos lavradores pelo assassinato de seus servos e de seu próprio filho: “Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Responderam-lhe eles: Fará perecer miseravelmente a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe entreguem os frutos”. (Mateus 21.41) Jesus confirmou que a conclusão deles estava correta, declarou que os lavradores de sua parábola eram os próprios líderes de Israel e avisa que teriam o fim que eles mesmos haviam reconhecido como justo:

“Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó. Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas parábolas, entenderam que era deles que Jesus falava”. (Mateus 21.42-45)

O que Jesus havia dito ai em parábolas é o mesmo que ele avisou depois sem parábola:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas. Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno? Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste! Eis aí abandonada vos é a vossa casa. Pois eu vos declaro que desde agora de modo nenhum me vereis, até que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”. (Mateus 23.29-39)

Jesus novamente avisou que o juízo de Deus que viria sobre Israel. Mas para que o juízo de Deus viesse sobre Israel seria necessário que se enchesse a medida da iniquidade. “Enchei, vós, pois a medida de vossos pais”. (v.32) Ele diz que a medida da iniquidade de Israel se encheria pelo assassinato dos mártires (v. 34-35). À medida que o número de assassinatos aumenta a medida da iniquidade vai se enchendoaté que a terra vomita aquilo que engoliu por tempo demais.

Além disso, Jesus revelou quando este juízo viria sobre Israel: “Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração”. (v. 36) Isso se cumpriu com precisão na chamada Grande Revolta Judaica. Começou no ano 66 inicialmente devido a tensões religiosas entre gregos e judeus com protestos anti-taxações e ataques a cidadãos romanos. Terminou quando as legiões romanas sob o comando de Tito sitiaram e destruíram Jerusalém e o templo de Deus que lá ficava. “Eis aí abandonada vos é a vossa casa… Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”. (Mt 23.38;24.2) Foi o cumprimento do que o Apocalipse profetizou. A besta se voltou contra a grande prostituta.

Segundo a parábola da vinha contada por Jesus, a destruição de Israel e do templo significaria a transferência do reino de Deus a outro povo: “Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos… o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos” (Mateus 21.41,43). Isso é o mesmo que já havia sido profetizado por Isaías. Isaías profetizou que como consequência da rebelião de Israel Deus se revelaria e seria obedecido por “um povo que não se chamava do meu nome” (Isaías 65.1) O Apóstolo Paulo revelou a identidade deste povo:

“Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a Lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da Lei; tropeçaram na pedra de tropeço… Mas digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira. E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam”. (Romanos 9.30-31,10.19-20)

O povo a quem o Reino de Deus foi transferido é claramente os gentios. As Escrituras costumam dividir o mundo em dois grupos: israelitas e gentios. No grupo dos gentios estavam todas as nações que não fossem Israel. Sob o Antigo Pacto, os gentios eram aqueles que, com poucas exceções, “não perguntavam por mim… não me buscavam… não se chamava do meu nome”. (Isaías 65.1) Isso não deve ser de qualquer forma entendido como se os judeus tivessem sido inteiramente lançados fora por Deus ou que eles não têm mais acesso a Deus pelo mero fato de serem judeus. Israel foi lançada fora de sua posição especial de rainha das nações.  A situação dos judeus como indivíduos é agora semelhante a dos gentios sob o Antigo Pacto. Os gentios crentes eram uma minoria em relação aos judeus. A maioria dos gentios era pagã. Agora é o contrário. Os judeus cristãos são uma minoria em relação aos gentios cristãos. Os gentios são a maioria dos que administram o pacto. E o motivo disso é que o Reino de Deus foi transferido de Israel para os gentios. “Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos”. (Mt 21.43)

O Apóstolo Paulo falou com clareza sobre a relação entre a queda de Israel e a vocação dos gentios na epístola aos Romanos:

“Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para incitá-los à emulação”. (Rm 11.11)

O tropeço em questão foi à apostasia nacional de Israel. Tendo tropeçado, Israel foi igualado aos gentios. Tendo tropeçado, Israel caiu da posição de soberania sobre os gentios. Por causa da apostasia de Israel, sob o Novo Pacto a distinção entre Israel e os gentios deixa de existir. É anulada a posição anterior de rainha entre as nações. Aqui Paulo está se referindo ao mesmo que fora dito por Jesus na parábola da vinha e o mesmo que fora profetizado por Isaías. Apesar disso, Paulo explica que não devemos esperar que a apostasia de nacional de Israel permanecesse para sempre:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades”. (Romanos 11.25-26)

Pela apostasia nacional de Israel, o Evangelho chegou aos gentios. O endurecimento de Israel não foi completo, mas ficou um remanescente – “em parte”. Mas Paulo diz que esse endurecimento não permaneceria para sempre. Permaneceria somente “até que a plenitude dos gentios haja entrado”. (v.25) “Plenitude” ai deve ser entendida como oposto de “em parte”. Em nosso próprio tempo, a número de gentios cristãos é uma minoria em relação ao número total de gentios. Da mesma forma o número de judeus cristãos é uma minoria em relação ao número total de judeus. O que Paulo está dizendo é que os judeus cristãos continuarão sendo um remanescente, até que o número de cristãos deixe de ser uma minoria entre os gentios e passe a ser a maioria. O que Paulo está dizendo é que a conversão nacional de Israel acontecerá após a conversão do mundo inteiro. Este texto, mais do que qualquer outro no Novo Testamento, deixa claro que quando a Bíblia fala na vocação dos gentios, ela não está falando somente da conversão de alguns indivíduos dentre as nações. Ela não está falando da conversão de um remanescente entre os gentios enquanto a maior parte permanece em trevas. A vocação dos gentios nas Escrituras é muito mais do que isso. A chegada do Evangelho aos gentios significa a progressiva conversão das nações como um tudo até que o mundo inteiro seja convertido. Isso não significa que cada indivíduo da face da terra estará convertido. Mas da mesma forma a apostasia nacional de Israel não significou que cada judeu individualmente era um apostata. A apostasia de Israel foi a sua apostasia nacional, o que incluía a maioria dos judeus. Assim também a conversão da plenitude dos gentios não significa que cada gentio individualmente será cristão, mas que a maior parte das pessoas será, que o mundo como um todo será. É por isso que Paulo descreve a chegada do Evangelho aos gentios como sendo “a reconciliação do mundo”:

“Porque, se a sua rejeição [de Israel] é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Romanos 11.15)

A admissão de Israel aqui deve ser entendida como o oposto de sua rejeição. É a conversão nacional de Israel, em contraste com a atual situação em que a maioria é apostata e só uma minoria obedece ao Evangelho. Pela apostasia nacional de Israel o Evangelho chegou aos gentios. As nações serão convertidas. O mundo é reconciliado com Deus. Isso foi uma benção para o mundo. Mas quando acontecer a conversão nacional de Israel, virá uma benção ainda maior: a ressurreição dos mortos. Jesus Cristo ensinou que a ressurreição dos mortos acontecerá no fim da história: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia”. (Jo 6.39) Paulo ensinou o mesmo: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão…” (I Ts 4.16) Isso significa que a conversão nacional de Israel será o sinal de que a Segunda Vinda de Jesus Cristo estará prestes a acontecer. Isso significa que a Segunda Vinda de Jesus Cristo não poderá acontecer sem que antes aconteça a conversão do mundo inteiro, de todas as nações. E a última das nações será Israel.

Muitos argumentam que “a plenitude dos gentios” não se refere à conversão nacional dos povos do mundo. Acreditam que se refere à conversão de uma minoria dentro os povos e que “plenitude” se refere à totalidade dos eleitos, a totalidade daqueles que haverão se converter, mas que essa totalidade será uma minoria em relação ao número total de pessoas na terra. Esta interpretação está errada por dois motivos principais.

Primeiro, o texto define claramente o que “plenitude” significa. “Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça… Ora se o tropeço deles é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude… Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Rm 11.5,12,15) “Plenitude” no verso 12 é claramente o oposto de “remanescente” no verso 5. “Remanescente” no verso se refere ao fato de que o número de judeus crentes era uma minoria em relação ao número total de judeus. Em contraste a isso, “plenitude” é equivalente a “admissão” que será seguida da ressurreição dos mortos e se refere ao tempo em que haveria uma conversão nacional do povo de Israel e por isso o número de judeus crentes deixaria de ser um “remanescente”. Portanto, a “plenitude dos gentios” necessariamente tem ser entendida da mesma maneira. “Plenitude” significa que o número de gentios crentes será uma maioria em relação ao número total de gentios.

Segundo, se o número de gentios crentes nunca se tornar uma maioria em relação ao número total de gentios, se jamais devemos esperar uma conversão nacional dos povos de forma que as nações sejam cristãs, então a comparação que Jesus faz entre Israel e os gentios em sua parábola os dois grupos em sua parábola do proprietário da vinha não faz qualquer sentido! Jesus disse que o Reino de Deus seria transferido de Israel para os gentios de forma que daria frutos como Israel não deu: “Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos”. (Mt 21.43) Mas se por toda história os gentios permanecessem tendo somente uma minoria cristão, então de que maneira faria sentido ele dizer que eles seriam diferentes de Israel? A comparação toda de Jesus é precisamente que naquilo que Israel fracassou os gentios não fracassariam. Se os gentios tem uma minoria cristã, Israel também tinha nas piores fases de sua história e não há diferencia essencial entre uma coisa e outra. Evidentemente não é sobre isso que Jesus está falando. Jesus está falando da mesma coisa que Paulo aos Romanos. Jesus está falando da entrada da plenitude dos gentios! Como Paulo encerra sua carta dizendo:

“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé”. (Romanos 16.25-26)

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