X – Mulheres no Deserto

JerusalémREVELAÇÃO EM PARÁBOLAS: Uma Breve Introdução ao Apocalipse de S. João
Por Frank Brito

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MULHERES NO DESERTO

E foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”. (Apocalipse 12.14)

É importante notar que a visão da besta e do falso profeta ocorre logo após a visão da fuga da mulher para o deserto. A visão da mulher que foge para o deserto aparece no capítulo 12. Já a visão da besta e do falso profeta aparece no capítulo 13. Há um motivo muito importante pra isso. Para entender, temos que primeiro encontrar o significado da mulher:

“E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça…” (Apocalipse 12.1-5)

No livro de Gênesis encontramos o significado dos símbolos desta visão. O sol, a lua e as estrelas remetem ao sonho de José, filho de Jacó:

“Teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, dizendo: Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam perante mim”. (Gênesis 37.9)

O sonho de José se cumpriu quando ele foi governante no Egito. Inicialmente ele foi parar no Egito porque foi vendido como escravos por seus próprios irmãos[1]. Depois de muitos anos, houve fomes em muitos lugares e família de José foi diretamente afetada[2]. Inicialmente, o Egito também havia sido afetado pela fome. Mas sob o comando de José, o Egito conseguiu se livrar da fome de tal maneira que outros povos iam até o Egito pra conseguir comida[3].  Entre os que subiram ao Egito pra se livrar da fome, estava a família de José:

“Ora, Jacó soube que havia trigo no Egito, e disse a seus filhos: Por que estais olhando uns para os outros? Disse mais: Tenho ouvido que há trigo no Egito; descei até lá, e de lá comprai-o para nós, a fim de que vivamos e não morramos. Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo no Egito. Mas a Benjamim, irmão de José, não enviou Jacó com os seus irmãos, pois disse: Para que, porventura, não lhe suceda algum desastre. Assim entre os que iam lá, foram os filhos de Israel para comprar, porque havia fome na terra de Canaã. José era o governador da terra; era ele quem vendia a todo o povo da terra; e vindo os irmãos de José, prostraram-se diante dele com o rosto em terra”. (Gênesis 42.1-6)

É por isso que no sonho de José, o sol, a lua e as estrelas são “se inclinavam” perante ele. A inclinação se refere a situação de sua família na qual se tornaram economicamente dependentes dele pra conseguirem sobreviver. O sol representava seu pai Jacó, a lua representava sua mãe Rebeca. As onze estrelas representavam seus irmãos.

Posteriormente, o nome de Jacó e sua família foram associados à nação de Israel. O motivo desta associação é que o povo Israel era formado pelos descendentes de Jacó e seus filhos. Deus mudou o nome de Jacó pra Israel[4] – o mesmo nome pelo qual seria chamada a nação. É por isso que em muitos lugares, vemos o povo de Israel sendo chamado simplesmente de Jacó[5]. Os doze filhos de Jacó deram origem às doze tribos de Israel[6]. O nome das tribos eram os nomes dos filhos de Jacó. Com isso em mente, devemos concluir que a descrição da mulher em Apocalipse 12 tem como objetivo identifica-la com a nação de Israel.

Isto fica ainda mais claro ao refletir sobre a fuga da mulher para o deserto:

“E foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”. (Apocalipse 12.14)

O livro de Êxodo faz referência às asas da águia:

“Então subiu Moisés a Deus, e do monte o Senhor o chamou, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó, anunciarás aos filhos de Israel: Vós tendes visto o que fiz: aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim”. (Êxodo 19.3-4)

Em Deuteronômio, vemos com mais clareza seu significado:

“Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança. Achou-o numa terra deserta, e num erma de solidão e horrendos uivos; cercou-o de proteção; cuidou dele, guardando-o como a menina do seu olho. Como a águia desperta o seu ninho, adeja sobre os seus filhos e, estendendo as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas, assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho”. (Deuteronômio 32.9-12)

Assim como a águia cuida de seus filhos e leva os seus filhos sobre as suas asas, o Senhor cuidou de Israel e o tirou da escravidão do Egito. A libertação de Israel do Egito significou o estabelecimento do Antigo Pacto por meio de Moisés. Da forma parecida, o Novo Pacto foi estabelecido por meio de Jesus Cristo. O objetivo desta visão é usar os eventos relacionados ao estabelecimento do Antigo Pacto como pano de fundo pra explicar os acontecimentos relacionados estabelecimento do Novo Pacto. O Apocalipse está dizendo que com o estabelecimento do Novo Pacto o povo de Israel passaria por acontecimentos semelhantes ao que passou quando o Antigo Pacto foi estabelecido.

Uma das associações que o texto faz entre o estabelecimento do Antigo Pacto e o estabelecimento do Novo Pacto é em relação ao filho da mulher: “E o dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho. E estando grávida, gritava com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar à luz…”(Ap 12:2-5)O filho da mulher é evidentemente Jesus Cristo, que nasceu da nação de Israel: “… os quais são israelitas, de quem é a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente”. (Rm 9.4-5)O Dragão representa “o Diabo e Satanás”. (Ap 20.2) A tentativa do Dragão de matar Jesus Cristo se cumpriu por meio de Herodes: “… eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para matá-lo. Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito… Então Herodes… irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores…”(Mt 2.13-14,16)Moisés sofreu algo parecido quando era um bebê recém-nascido. A diferença é que no caso de Moisés, o objetivo de Faraó era assassinar todos os meninos hebreus e não somente Moisés “Falou o rei do Egito às parteiras das hebreias, das quais uma se chamava Sifrá e a outra Puá, dizendo: Quando ajudardes no parto as hebreias, e as virdes sobre os assentos, se for filho, matá-lo-eis; mas se for filha, viverá”. (Ex 1.15-16) Moisés só não morreu porque foi salvo pela filha de Faraó[7].

O Apocalipse diz também que o Filho “há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono”. (Ap 12.5)Isto se refere à ascensão de Jesus Cristo após sua morte e ressurreição. Mediante sua morte, ressurreição e ascensão, Jesus Cristo recebeu o domínio sobre todas as coisas: “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações…” (Mt 28.18-19) “Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus”. (Mc 16.19) “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão. Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra”. (Sl 2.8-10)

Sobre a passagem pelo deserto, a visão diz que “a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias”. (Ap 12.6)O que a visão está mostrando aqui é que Israel passaria por um período de tribulação. O deserto representa a tribulação. Mas ao mesmo tempo, o texto diz que mesmo em meio ao deserto, a mulher seria “sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”. (Ap 12.14)O que isso nos ensina é que o cuidado de Deus por seu povo não significa que seu povo fique imune de tribulações. Deus nunca prometeu tal imunidade. O que ele prometeu é que seu povo estaria sob os seus cuidados mesmo em meio às tribulações: “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 16.33)O absoluto cuidado de Deus mesmo entre as tribulações pode ser visto na vida do próprio Jesus quando ele mesmo passou pelo deserto: “E esteve no deserto quarenta dias sentado tentado por Satanás; estava entre as feras, e os anjos o serviam”. (Mc 1.13)

A visão revela também o tempo que a tribulação duraria: “mil duzentos e sessenta dias” (v.6), “um tempo, e tempos e metade de um tempo”(v.14). Mil duzentos e sessenta dias são equivalentes a três anos e meio. Portanto, “um tempo, e tempos e metade de um tempo” deve ser entendido como um período de três anos e meio. Não há qualquer evidência na própria visão sobre o que o número significa ou a que época se refere. Mas se considerarmos que três anos e meio é equivalente a quarenta e dois meses, é provável que a tribulação da mulher no deserto tenha ligação com o que o capítulo 13 fala sobre a perseguição da besta. Já foi demonstrado que a perseguição de Apocalipse 13 refere-se primariamente a primeira perseguição oficial por parte do Império Romano, promovida por Nero. Começou em Novembro de 64 e continuou até Junho de 68, tendo uma duração de 42 meses: “Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses. E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação”.(Ap 13.5-7)Devemos entender então que a tribulação representada pelo deserto que a mulher passaria refere-se à perseguição promovida por Nero.

Que os mil duzentos e sessenta dias seja uma referência à perseguição promovida pela besta fica ainda mais claro quando levamos em consideração que o objetivo da visão é usar os eventos relacionados ao estabelecimento do Antigo Pacto como pano de fundo pra explicar acontecimentos relacionados estabelecimento do Novo Pacto no primeiro século. Quanto a isso, é importante notar que a visão da besta e do falso profeta ocorre no capítulo 13, logo após a visão da fuga da mulher para o deserto. Enquanto a primeira besta representa o que era o poder político de Roma, a segunda besta – o falso profeta – representa o que era seu poder religioso. Quando Israel esteve no deserto após ser liberto do Egito, também foi obrigada a enfrentar dois inimigos: Balaque,rei de Moabe e Balaão,o falso profeta. O que o Apocalipse está dizendo com isso é que o Império Romano seria um inimigo de Israel no primeiro século da mesma forma que os moabitas haviam sido um inimigo de Israel nos tempos de Moisés. Assim como Israel teve que enfrentar Balaque e Balaão no deserto, teria que enfrentar o Império Romano agora.

Quando o povo Israel chegou às planícies de Moabe, os moabitas fizeram aliança com os midianitas. Balaque era rei de Moabe e conseguiu que anciões das duas nações fossem comprar os serviços do falso profeta Balaão[8]. O objetivo era que ele, com suas feitiçarias, lançasse maldições sobre os israelitas. As coisas não deram muito certo até que sob o conselho de Balaão, os midianitas enviaram suas mulheres ao acampamento para se prostituir com os israelitas e levá-los ao culto a Baal – o deus dos moabitas e midianitas. O livro de Números nos conta do trágico resultado para os israelitas que caíram na armadilha:

“Ora, Israel demorava-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas de Moabe, pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses… Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, fizeram que os filhos de Israel pecassem contra o Senhor no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a congregação do Senhor”. (Números 25.1-2; 31.16)

O Apóstolo Paulo comentou o acontecimento em sua carta aos Coríntios:

“Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram do mesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto. Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. Nem nos prostituamos como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil”. (I Coríntios 10.1-8)

Assim como acontece no Apocalipse, o Apóstolo Paulo usa os eventos relacionados ao estabelecimento do Antigo Pacto como pano de fundo pra explicar os acontecimentos relacionados em sua própria época sob o Novo Pacto. E também como o Apocalipse, ele usa a história de Balaque e Balaão como um exemplo para aqueles que viviam sob o domínio da besta, o Império Romano. O Apóstolo Paulo argumenta que o paganismo do Império Romano era semelhante à idolatria de Balaque e Balaão. Portanto, aqueles que eram participantes do paganismo romano teriam a mesma condenação que os israelitas idólatras tiveram no deserto.

A mesma comparação é feita pelo próprio Jesus no começo do Apocalipse: “Entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem” (Ap 2.14). Aqui Jesus Cristo está se referindo ao paganismo do Império Romano. O paganismo romano era para os habitantes do Império Romano o mesmo que o paganismo de Balaque e Balaão havia sido no tempo de Moisés. A tentação do paganismo no Império Romano era equivalente à tentação do paganismo de Balaque e Balaão. Ao falar da doutrina de Balaão, Jesus Cristo estava falando figuradamente do paganismo Imperial.

A apostasia de muitos israelitas diante da armadilha de Balaque e Balaão não foi um fato isolado na história de Israel. Por meio do profeta Jeremias, Deus reclamou de Israel que “desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito, até hoje, tenho-vos enviado insistentemente todos os meus servos, os profetas, dia após dia; contudo não me deram ouvidos, nem inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a sua cerviz”. (Jr 7.25-26)O significado e as implicações dessa apostasia contínua do povo de Israel foram explicados pelo Apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos:

“Digo a verdade em Cristo, não minto, dando testemunho comigo a minha consciência no Espírito Santo, que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração. Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; os quais são israelitas, de quem é a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da Lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém”. (Romanos 9.1-5)

Assim como os antigos profetas lamentavam pelos incrédulos de Israel, Paulo também lamentou: “Tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração” (v.1). Como ele escreveu também aos Filipenses: “porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo”.(Fp 3.18)Mesmo considerando a realidade da apostasia de Israel, Paulo logo em seguida descreve Israel de maneira sublime: “de quem é a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém”.(Rm 9.1-5)Elogo em seguida, ele avisa: “E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado”.(Rm 9.6) Aqui devemos nos perguntar:

1) Por qual motivo Paulo teve a necessidade de lembrar aos seus leitores que a Palavra de Deus não havia falhado?

2) O que é que ele havia acabado de dizer que poderia causar a impressão de que a Palavra de Deus havia falhado de forma que era necessário que ele corrigisse essa impressão errada?

O questionamento que Paulo precisava responder aí era: Se dos israelitas era “a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne” (v. 4-6) como isso poderia ser reconciliado com o fato de que a maior parte dos judeus rejeitava a Jesus como o Cristo e, portanto não era participante das promessas que encontravam nele somente o cumprimento? O questionamento que Paulo precisava responder era: Se Jesus era o Messias prometido a Israel, por que isso não era reconhecido pela maior parte de Israel? Mediante o que Paulo estava ensinando, a maior parte de Israel seria condenada por Deus, pois a maior parte dos israelitas não cria em Jesus Cristo. Como reconciliar isso as promessas de um Messias como o Salvador de Israel? Afinal, o próprio Apocalipse não revela que Deus protegeria Israel? Não é isso o que a visão da mulher que fugiu para o deserto ensina? Isso é o que Paulo se propõe a responder do capítulo 9 ao capítulo 11 de Romanos:

“E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa”. (Romanos 9.6-8)

O argumento de Paulo começa com a história de Abraão no livro de Gênesis. Se o propósito de Paulo era falar da História de Israel, nada mais coerente do que ele começar falando de Abraão, o pai da nação:

“Vendo Sara que o filho de Agar, a egípcia, o qual ela dera à luz a Abraão, caçoava de Isaque, disse a Abraão: Rejeita essa escrava e seu filho; porque o filho dessa escrava não será herdeiro com Isaque, meu filho. Pareceu isso mui penoso aos olhos de Abraão, por causa de seu filho. Disse, porém, Deus a Abraão: Não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque em Isaque será chamada a tua descendência”. (Gênesis 21.9-12)

Abraão era o pai da nação de Israel por meio de Isaque. E como todo judeu sabia, além de Isaque, Abraão teve também Ismael. Mas como todo judeu também sabia Ismael não foi contado como herdeiro da promessa, mas era somente Isaque o filho da promessa. “Em Isaque será chamada a tua descendência” (v. 12) e não em Ismael. Como diz também:

“Deus lhe respondeu: De fato, Sara, tua mulher, te dará um filho, e lhe chamarás Isaque; estabelecerei com ele a minha aliança, aliança perpétua para a sua descendência. Quanto a Ismael, eu te ouvi: abençoá-lo-ei, fá-lo-ei fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; gerará doze príncipes, e dele farei uma grande nação. A minha aliança, porém, estabelecê-la-ei com Isaque, o qual Sara te dará à luz, neste mesmo tempo, daqui a um ano”.  (Gênesis 17.19-21)

O que Paulo começa a provar com isso é que “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos”. (Rm 9.6-7)Isto é,nem todo descendente de Abraão individualmente deveria ser contado como herdeiro da promessa. Ismael era também um filho de Abraão, mas ainda assim foi excluído da aliança da promessa. Se fosse verdade que todos os descendentes carnais de Abraão eram, com base nisso somente, herdeiros da promessa,então Ismael jamais poderia ser excluído, pois ele era tão filho de Abraão quanto Ismael. Portanto, a eleição de Israel não deveria ser reconhecida como incluindo todos os descendentes individualmente, de forma indiscriminada. Inclui somente “aos que de antemão conheceu”, aos que “predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho”.(Rm 8.29)Paulo então continua a demonstrar o mesmo princípio nas vidas de Jacó e Esaú:

“E não somente isso, mas também a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú”. (Romanos 9.10-13)

Jacó e Esaú eram filhos de Isaque com Rebeca. O mesmo pai e a mesma mãe. O mesmo Isaque de quem havia sido dito: “em Isaque será chamada a tua descendência”.(Gn 21.9-12) Além disso, eram gêmeos. Mas apesar disso tudo, Jacó foi contado como herdeiro da promessa, mas Esaú não. Antes de terem nascido. Antes de terem sequer feito o bem ou o mal. Esaú ainda foi o pai dos edomitas. Todo judeu sabia bem quem eram os edomitas. Os edomitas eram um dos maiores inimigos do povo de Israel por toda sua história. O próprio Deus declarou: “Ainda que Edom diga: Arruinados estamos, porém tornaremos e edificaremos as ruínas; assim diz o Senhor dos exércitos: Eles edificarão, eu, porém, demolirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o Senhor está irado para sempre”.(Ml 1.4) Em termos de descendência carnal, os edomitas eram tão descendentes de Abraão quanto os judeus. Isto prova que nem todos descendentes de Abraão individualmente devem ser contados como herdeiro da promessa. Se a mera descendência carnal pudesse ser reconhecida como base,os edomitas jamais poderiam ser reconhecidos pelo próprio Deus como inimigos.Pois o pai dos edomitas, Esaú, era filho de Isaque tanto quanto Jacó. Ele era tão descendente de Abraão quanto qualquer judeu. Ainda assim, os edomitas foram rejeitados por Deus. Isto prova, sem quaisquer dúvidas, que “nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos… filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa” (v. 7-8). No decorrer de sua argumentação, Paulo mostra que este tem sido o princípio não somente entre os patriarcas, mas por toda a história de Israel:

“Também Isaías exclama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo… E como antes dissera Isaías: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, teríamos sido feitos como Sodoma, e seríamos semelhantes a Gomorra… Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal. Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça”. (Romanos 9.27-29,11.1-2)

No tempo de Isaías, muitos israelitas se rebelaram contra Deus. Só um remanescente permaneceu fiel. Igualmente, no tempo Elias, só uma minoria dos israelitas permaneceu fiel a Deus. A maioria era rebelde. Foi o mesmo que aconteceu no tempo de Jesus e os apóstolos. Como Paulo explicou: “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça”. (v.2)É o mesmo que também acontece em nossa própria época, no século XXI. A maioria dos judeus é rebelde contra Deus mediante a rejeição de Jesus Cristo. Só uma minoria permanece fiel.

Com isso em mente, podemos entender que quando falamos na nação de Israel, devemos considera-la sob dois aspectos. Por um lado, devemos considerar a Israel carnal. Neste caso, Israel inclui todos os descendentes físicos de Abraão, Isaque e Jacó.  Por outro lado, devemos considerar qual é o verdadeiro Israel de Deus. Neste caso, Israel inclui somente aqueles que são os eleitos de Deus para serem filhos da promessa. Este foi o caso de Isaque e Jacó. Este foi o caso de todos os israelitas que permaneceram fiéis a Deus por toda a história. Este é o caso dos judeus que creem em Jesus agora. É sobre os dois Israels que Paulo fala aos Romanos: “Porque nem todos os que são de Israel são israelitas”. (Romanos 9.6) É por isto que a existência de israelitas incrédulos não faz com que a promessa de Deus tenha falhado. Pois a promessa nunca foi dirigida a todos os descendentes físicos de Abraão individualmente, mas somente aos filhos da promessa, eleitos segundo a eleição da graça.

É por isso que o Apocalipse não fala de uma única mulher no deserto, mas fala de duas. A mulher que foge para o deserto no capítulo 12 é a verdadeira Israel, a Israel de Deus, formada unicamente pelos israelitas eleitos para serem filhos da promessa. É a Israel de Abraão, Isaque e Jacó. Por isso, ela é preservada por Deus. Mas além dela, o Apocalipse revela que havia outra mulher no deserto:

“Então ele me levou em espírito a um deserto; e vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres”. (Apocalipse 17.3)

Já demonstramos que o objetivo do Apocalipse é usar os eventos relacionados ao estabelecimento do Antigo Pacto como pano de fundo pra explicar os acontecimentos relacionados em sua própria época sob o Novo Pacto. Sendo assim, devemos entender que quando o Apocalipse fala das duas mulheres no deserto no contexto da tentação das duas bestas, o objetivo é usar a história de Balaque e Balaão como um exemplo para aquilo que aconteceria com Israel sob o domínio do Império Romano. A apostasia dos israelitas diante da armadilha de Balaque e Balaão não incluiu todos os israelitas sem exceção. Alguns foram fiéis enquanto outros não. O motivo é que não havia um, mas dois Israels no deserto. Havia o Israel carnal. Mas havia também o Israel espiritual. O Israel espiritual era formado por aqueles que permaneceram verdadeiramente fiéis a Deus. Já o Israel carnal era formado por aqueles que caíram na cilada de Balaque e Balaão. O que o Apocalipse está dizendo com esta comparação é que no tempo de Jesus e os apóstolos também havia dois Israels. Por um lado, havia aqueles que eram verdadeiros servos de Jesus Cristo. Esta era a mulher que fugiu para o deserto no capítulo 12. Por outro lado, havia a falsa Israel, formada por aqueles judeus que eram inimigos do Cristianismo. Esta era a Grande Prostituta do capítulo 17. E assim como os israelitas havia caído na tentação de Balaão no passado, eles caíram na tentação do paganismo imperial e por isso no Apocalipse a grande prostituta aparece montada na besta.

A comparação de Israel com uma prostituta já havia sido feita pelos profetas. O profeta Jeremias começou descreveu o relacionamento entre Deus e Israel na figura de uma relação marital: “Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia”.(Jr 2.2) Ezequiel fez a mesma comparação: “Dei-te juramente, entrei num pacto contigo e ficaste sendo minha… Te pus… uma linda coroa na cabeça… e chegastes a ser rainha”.(Ez 16.8,12)Jeremias se refere à época em que o povo de Israel esteve no deserto após a libertação da escravidão do Egito. Ele inicialmente retrata Israel como uma sendo uma noiva.Ezequiel descreve o casamento da noiva como acontecendo quando o Antigo Pacto foi estabelecido. Isso significa que quando Jeremias se refere a Israel como noiva no deserto, ele não está se referindo a todo período em que Israel esteve no deserto, mas somente até o tempo em que o Antigo Pacto foi estabelecido. Isso aconteceu em Êxodo 19-20 depois que Moisés subiu ao monte Sinai:

“Agora, pois, se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto, então sereis a minha possessão peculiar dentre todos os povos, porque minha é toda a terra; e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. Veio, pois, Moisés e, tendo convocado os anciãos do povo, expôs diante deles todas estas palavras, que o Senhor lhe tinha ordenado. Ao que todo o povo respondeu a uma voz: Tudo o que o Senhor tem falado, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo”. (Êxodo 19.5-8)

Ezequiel diz que mediante o pacto – na figura de um casamento – Deus colocou Israel na posição de rainha. Isso é uma clara referência à posição de soberania em relação às demais nações. Como foi dito quando o Pacto foi estabelecido: “… sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos”. E também: “tu és povo santo ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, a fim de lhe seres o seu próprio povo, acima de todos os povos que há sobre a terra”.(Dt 7.6)E também:“O SENHOR, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra”. (Dt 28.1)Por isso o Apocalipse fala da grande prostituta como sendo: “a grande cidade que tem um reino sobre os reis da terra”. (Ap 17.18) A “grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito” era Jerusalém “onde também o seu Senhor foi crucificado”. (Ap 11:8)

No tempo dos antigos profetas as prostituições de Israel eram com as diversas nações que havia ao seu redor:

“Também te prostituíste com os egípcios, teus vizinhos, grandemente carnais; e multiplicaste a tua prostituição, para me provocares à ira…Também te prostituíste com os assírios, porquanto eras insaciável; contudo, prostituindo-te com eles, nem ainda assim ficaste farta. Demais multiplicaste as tuas prostituições na terra de tráfico, isto é, até Caldéia, e nem ainda com isso te fartaste. Quão fraco é teu coração, diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, obra duma meretriz desenfreada”.(Ezequiel 16.26,28-30)

Como punição, Deus avisa que faria com que os próprios amantes de Israel se voltassem contra ela:

“E julgar-te-ei como são julgadas as adúlteras e as que derramam sangue; e entregar-te-ei ao sangue de furor e de ciúme… entregar-te-ei nas mãos dos teus inimigos, e eles derribarão a tua câmara abobadada, e demolirão os teus altos lugares, e te despirão os teus vestidos, e tomarão as tuas belas joias, e te deixarão nua e descoberta. Então farão subir uma hoste contra ti, e te apedrejarão, e te traspassarão com as suas espadas. E queimarão as tuas casas a fogo, e executarão juízos contra ti”. (Ezequiel 16.38-41)

O juízo sobre Israel aqui não é outra coisa se não a aplicação das ameaças e maldições pactuais previstas pela Lei de Deus.  Já no tempo de Jesus e os apóstolos, a prostituições de Israel era a mesma. O que havia mudado era somente os amantes.  A prostituição não era mais com o paganismo do Egito, da Assíria ou da Caldéia. A prostituição agora era com idolatria do Império Romano: “Então ele me levou em espírito a um deserto; e vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres”. (Ap 17.3) A relação de adultério e prostituição entre Roma e Jerusalém foi oficializada pelos líderes de Israel na crucificação de Jesus Cristo:

“Pilatos, pois, quando ouviu isto, trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Pavimento, e em hebraico Gabatá. Ora, era a preparação da páscoa, e cerca da hora sexta. E disse aos judeus: Eis o vosso rei. Mas eles clamaram: Tira-o! tira-o! crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso rei? Responderam os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César”. (João 19.13-15)

E assim como no tempo dos antigos profetas Deus havia punido Israel fazendo com que seus amantes de Israel se voltassem contra ela, agora também ele faria com que o Império Romano se voltasse contra a mãe das abominações e prostituições da terra:

“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação”. (Lucas 19.41-44)


[1] Gn 37.28,36

[2] Gn 41.55-57, 42.1-5

[3] Gn 41.53-57

[4] Gn 32.28

[5] Especialmente nos livros proféticos.

[6] As doze tribos tinham o nome de dez dos filhos de Jacó. As outras duas tribos restantes receberam os nomes dos filhos de José, abençoados por Jacó como seus fossem seus próprios filhos. Ao conquistar a terra prometida, o território foi dividido entre as tribos.

[7] Ex 2.5-9

[8] Nm 22.1-7

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4 opiniões sobre “X – Mulheres no Deserto”

  1. Vinicius Franco disse:

    Frank, com exceção de Jo 19.13-15, vc poderia pf me dar um outro exemplo da associação pagã de Israel com Roma?

    • Frank Brito. disse:

      O livro de Atos demonstra a continuidade disso. Os judeus estão continuamente perseguindo os cristãos e incitando os magistrados do Império a perseguirem os cristãos:

      “Mas os judeus, movidos de inveja, tomando consigo alguns homens maus dentre os vadios e ajuntando o povo, alvoroçavam a cidade e, assaltando a casa de Jáson, os procuravam para entregá-los ao povo. Porém, não os achando, arrastaram Jáson e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais Jáson acolheu; e todos eles procedem contra os decretos de César, dizendo haver outro rei, que é Jesus”. (Atos 17:5-7)

      “Mas, logo que os judeus de Tessalônica souberam que também em Beréia era anunciada por Paulo a palavra de Deus, foram lá agitar e sublevar as multidões”. (Atos 17:13)

      “Demorando-nos ali por muitos dias, desceu da Judéia um profeta, de nome Ágabo; e vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim os judeus ligarão em Jerusalém o homem a quem pertence esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios”. (Atos 21:10-11)

      “Mas passados dois anos, teve Félix por sucessor a Pórcio Festo; e QUERENDO FÉLIX AGRADAR AOS JUDEUS, deixou a Paulo preso”. (Atos 24:27)

      “Pois vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judéia; porque também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que elas padeceram dos judeus; os quais mataram ao Senhor Jesus, bem como aos profetas, e a nós nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens, e nos impedem de falar aos gentios para que sejam salvos; de modo que enchem sempre a medida de seus pecados; mas a ira caiu sobre eles afinal”. (I Ts 2:14-16)

  2. Pedro Arvoredo disse:

    queria lhe dar os parabéns pois de todos os estudos que li do apocalipse o seu foi o mais bem colocado e encaixado… realmente… gostaria de saber se vc tem algum lugar onde expõe seus estudos além desse site

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