VII – Não Há Um Justo, Nem Um Sequer

law-breakerREVELAÇÃO EM PARÁBOLAS: Uma Breve Introdução ao Apocalipse de S. João
Por Frank Brito

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NÃO HÁ UM JUSTO, NEM UM SEQUER

“E vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi um dos quatro seres viventes dizer numa voz como de trovão: Vem!” (Ap 6.1)

A abertura dos sete selos significa a aplicação das maldições do pacto sobre o mundo no primeiro século de maneira que as bênçãos do pacto fossem progressivamente recebidas pelos santos. Referem-se a eventos mundiais que antecederam a destruição de Jerusalém e do templo no ano de 70 AD. Mas apesar de ter se cumprido especificamente no primeiro século, o principio é válido para todas as eras. É um retrato de como Deus lida com as nações.

Os cinco primeiros selos apontam para desgraças que estão na mesma ordem do que foi previsto por Jesus no sermão profético:

Apocalipse 6

Cavalo Branco (v.1-2)

Cavalo Vermelho (v. 3-4)

Cavalo Preto (v. 5-6)

Cavalo Amarelo (v. 7-8)

Martírio (v. 9-11)

Mateus 24

Falsos cristos e profetas (v. 4-5,11)

Guerras (v. 6-7)

Fomes (v. 7)

Martírio (v. 9-11)

Não há dúvidas de que o cavalo vermelho representa as guerras, o preto a fome e o amarelo a morte. O texto deixa isso claro. Não há equivalente direto para a morte no sermão profético. Mas a morte é a consequência de coisas como guerra e fome. Portanto, a morte está implícita quando cita estas coisas. Sem dúvidas, foram coisas aconteceram em larga escala no primeiro século.

Alguns intérpretes acreditam que o cavalheiro do cavalo branco seja Cristo. O motivo principal é que no capitulo 19 o cavalheiro montado no cavalo branco é claramente Jesus: “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava montado nele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga a peleja com justiça”. (Ap 19.11)

Mas esta interpretação é improvável. No texto paralelo do sermão profético são os falsos cristos e profetas que precedem as guerras e as fomes. A semelhança entre os dois é justamente porque são falsos profetas e cristos que se passam por verdadeiros.

Há um motivo importante para os falsos profetas e cristos precederem as desgraças subsequentes. Esse é um padrão recorrente desde o tempo do Antigo Testamento:

“Pelo que o Senhor suscita contra eles os adversários de Rezim, e instiga os seus inimigos, os sírios do Oriente, e os filisteus do Ocidente; e eles devoram a Israel à boca escancarada. Com tudo isso não se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão. Todavia o povo não se voltou para quem o feriu, nem buscou ao Senhor dos exércitos. Pelo que o Senhor cortou de Israel a cabeça e a cauda, o ramo e o junco, num mesmo dia. O ancião e o varão de respeito, esse é a cabeça; e o profeta que ensina mentiras, esse e a cauda. Porque os que guiam este povo o desencaminham; e os que por eles são guiados são devorados. Pelo que o Senhor não se regozija nos seus jovens, e não se compadece dos seus órfãos e das suas viúvas; porque todos eles são profanos e malfeitores, e toda boca profere doidices. Com tudo isso não se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão. Pois a impiedade lavra como um fogo que devora espinhos e abrolhos, e se ateia no emaranhado da floresta; e eles sobem ao alto em espessas nuvens de fumaça. Por causa da ira do Senhor dos exércitos a terra se queima, e o povo é como pasto do fogo; ninguém poupa ao seu irmão. Se colher da banda direita, ainda terá fome, e se comer da banda esquerda, ainda não se fartará; cada um comerá a carne de seu braço. Manassés será contra Efraim, e Efraim contra Manassés, e ambos eles serão contra Judá. Com tudo isso não se apartou a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão”. (Isaías 9.11-21)

O texto fala das maldições pactuais que viriam sobre Israel por causa de sua rebelião. Enquanto a função do verdadeiro profeta era o de proclamar ao povo as exigências da Lei de Deus, a função do falso profeta era o de conduzir o povo a rebelião e apostasia de forma que as maldições do pacto caíssem sobre eles. Por isso o texto menciona que a rebelião de Israel aconteceu “porque os que guiam este povo o desencaminham”. (v.16) É interessante notar também que o texto menciona as guerras e a fome, o mesmo que o Apocalipse. O profeta Jeremias também falou dos falsos profetas como tendo o mesmo papel:

“E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam. Portanto assim diz o Senhor acerca dos profetas que profetizam em meu nome, sem que eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, nem fome haverá nesta terra: Â espada e à fome serão consumidos esses profetas. E o povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade”. (Jeremias 14.14-16)

Novamente vemos que os falsos profetas foram o instrumento para conduzir Israel à apostasia e que tal apostasia fez descer sobre Israel as maldições do pacto. O profeta Malaquias falou sobre os sacerdotes fazendo o mesmo:

“Pois os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é o mensageiro do Senhor dos exércitos. Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na Lei; corrompestes o pacto de Levi, diz o Senhor dos exércitos”. (Malaquias 2.6-8)

É importante compreender também que o papel das autoridades e guias de Israel – sacerdotes, anciãos, profetas – é análogo ao papel que as autoridades eclesiásticas têm hoje. Se a Igreja é fiel em sua missão, o mundo é iluminado e os povos recebem as bênçãos do pacto. Se for infiel, o mundo permanece em trevas e recebe as maldições. Se quisermos saber do futuro de uma nação, devemos começar olhando para a Igreja. A corrupção na Igreja faz descer o fogo de Deus do céu porque a salvação do mundo depende da obediência a Deus proclamada pela Igreja.

Por isso os falsos cristos e falsos profetas precedem as maldições lançadas sobre o mundo em Apocalipse 6. Estes eram os que instigavam o mundo para que a maioria não desse ouvidos à pregação dos santos apóstolos. Estes e todos os santos acabaram sendo perseguidos implacavelmente por toda parte assim. É sobre isso que fala o sexto selo:

“Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram”. (Apocalipse 6.9-11)

Aqui os mártires pedem vingança contra seus assassinos. Deus promete que o pedido seria atendido. Mas não imediatamente. Os mártires seriam vingados somente quando “se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram”. (v. 11) Para que o juízo de Deus viesse, era necessário que um número específico de santos ainda fossem martirizados.

A relação entre o assassinato e o juízo de Deus já havia sido revelado por Deus a Caim: “Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão”. (Gen 4.11) Quando acontece um assassinato a terra figuradamente engole o pecado. À medida que o número de assassinatos aumenta “a medida da iniquidade” vai se enchendo até que a terra vomita aquilo que engoliu por tempo demais. O vômito da terra é o juízo de Deus. É sobre isso que a visão dos mártires fala quando diz que seria necessário que se completasse o número de seus conservos. A necessidade de completar o número é o processo pelo qual a medida da iniquidade finalmente se encheria para que acontecesse o vômito da terra. Os mártires são atendidos no toque das sete trombetas na abertura do sétimo selo (Ap 8-11).

Os acontecimentos profetizados pelo toque das sete trombetas são paralelos aos acontecimentos profetizados entre os capítulos 12 e 19. Tudo se cumpriu na transição entre o Antigo e o Novo Pacto no primeiro século. A consumação final aconteceu em 70 AD, quarenta anos depois do inicio do ministério público de Jesus Cristo em seu batismo. O propósito dos capítulos 12 ao 19 é dar maiores detalhes sobre os personagens e circunstâncias deste período. Por isso, antes de analisar as sete trombetas iremos identificar os principais personagens e acontecimentos dos capítulos 12 ao 19.

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