sunearthO SHABBATH E O DIA DO SENHOR

Por Frank Brito

Parte I – Parte II – Parte III – Parte IV – Parte V

O SHABBATH CRISTÃO

Como Deus escreve, por meio do “meu Espírito” (Ez 36:25-27) “nas tábuas de carne no coração” (II Co 3:3), “a minha Lei” (Jr 31:33), que é o mesmo que estava nas “tábuas de pedra” (II Co 3:3), que continham os Dez Mandamentos (Ex 34:28),  devemos concluir que o Espírito continua a guiar Seus filhos para guardarem o quarto mandamento. É por isso que, no Apocalipse, João identifica um dia específico como sendo o Dia do Senhor. Como já demonstramos, ainda que, em um sentido amplo, todos os dias pertencem ao Senhor, João não estava falando de todos os dias, mas de um dia específico, um dia que pertencia ao Senhor de maneira especial, sendo santo e separado para Ele, diferente dos demais dias. Não era um dia comum. Era o Dia do Senhor, isto é, um dia sagrado. Portanto, ele estava falando de um dia de shabbath.

Mas, como já demonstramos também, no quarto mandamento, Deus estabeleceu que o homem deveria santificar um dia a cada sete como um dia de shabbath, mas não disse exatamente que dia deveria ser guardado assim. Em que momento a contagem deveria começar para que um dos dias fosse guardado? As palavras do quarto mandamento, por si só, nada diz sobre isso. Para Adão, o dia do Senhor seria no primeiro dia de sua primeira semana. Mas, para que os israelitas soubessem que dia exatamente deveriam guardar, em que momento eles deveriam começar a contagem, era necessário que eles consultassem outras partes da Escritura, além das meras palavras do quarto mandamento. A partir de Moisés, o dia específico da semana que deveria ser guardado como dia de shabbath seria o sétimo dia a partir do dia 15 do segundo mês, que foi o dia 21 do segundo mês desde a libertação do Egito, mas o Novo Testamento mostra que esse dia específico foi ab-rogado e, portanto, João estava falando de um novo dia foi instituído em seu lugar e:

“… porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e tendes a vossa plenitude nele, que é a cabeça de todo principado e potestade, no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos; e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz. Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de shabbaths, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo”. (Colossenses 2:9-17)

Aqui o Apóstolo Paulo explica que mandamentos específicos da Lei relacionados à comida, bebida, dias de festa, lua nova e dias de shabbaths eram todos sombras de coisas que haveriam de vir. É importante observar que a linguagem usada aqui é a mesma que foi usada em Hebreus para descrever os elementos de culto do Antigo Testamento. Como Paulo explicou aos Hebreus, o culto no santuário terreno em Jerusalém e os sacrifícios que eram oferecidos lá, eram somente sombras e tipos do sacrifício de Cristo e do santuário celestial que haveria de vir (Hb 8:1-10; 10:1-20). Ou seja, quando o cordeiro era sacrificado na páscoa, por exemplo, aquele cordeiro era uma sombra de Cristo. Isto é, ele era uma representação de Cristo, enquanto Cristo ainda não havia vindo. Mas, depois que Cristo veio, estas sombras cessaram e não devem mais ser observadas. Depois que Cristo veio, não precisamos mais fazer sacrifícios, pois Ele é o cumprimento do que estes sacrifícios representavam. Por isso, não temos mais um santuário terreno ou o sacerdócio levítico. E, como Colossenses 2:16 enfatiza, não temos mais a obrigação de observar a circuncisão ou qualquer um dos dias declarados como santos pela Lei. Assim como, depois da vinda de Cristo, nós não temos mais a obrigação de oferecer sacrifícios, também depois da vinda de Cristo, não temos mais a obrigação de observar os dias santos específicos e as leis dietéticas que encontramos na Lei. Esse é o significado das palavras de Paulo: “Ninguém, pois, vos julgue”.

Aos Romanos, Paulo ensinou o mesmo:

“Ora, ao que é fraco na fé, acolhei-o, mas não para condenar-lhe os escrúpulos. Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes. Quem come não despreze a quem não come; e quem não come não julgue a quem come; pois Deus o acolheu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus”. (Romanos 14:1-6)

Aqui Paulo tratou de problemas de relacionamento na Igreja entre os “fracos” e os “fortes”. Os “fracos” eram os que tinham problemas para entender corretamente determinadas áreas da vida cristã e os “fortes” eram os que tinham maturidade suficiente para entender. Dentro disso, Paulo cita duas questões. É muito importante entender exatamente o que estava sendo discutido, pois o que Paulo diz pode ser facilmente tirado do contexto, o que pode nos levar a conclusões e aplicações erradas.

A primeira questão que estava sendo debatida era que o forte “crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes”. (Rom 14:2) Essas palavras precisam ser lidas no contexto do debate que havia na Igreja do primeiro século. O lado que dizia que “tudo se pode comer” não estava defendendo que poderíamos cair no pecado da glutonaria (Lc 21:34) de consciência limpa e também não estava defendendo que não há problemas em alimentarmos nossos filhos com fezes em vez de pão. As palavras, “tudo se pode comer”, devem ser entendidas no contexto daquele debate específico que era sobre a liberdade de comer carne que havia sido anteriormente consagrada a falsos deuses antes de ser vendida no mercado:

Para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também. Entretanto, nem em todos há esse conhecimento; pois alguns há que, acostumados até agora com o ídolo, comem como de coisas sacrificadas a um ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, contamina-se. Não é, porém, a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não somos piores se não comermos, nem melhores se comermos. Mas, vede que essa liberdade vossa não venha a ser motivo de tropeço para os fracos”. (I Coríntios 8:6-9)

É por isso que os “fracos” comiam “só legumes” (Rm 14:2). Eles acreditavam que se um animal houvesse sido consagrado a um ídolo antes de ser vendido no mercado, a carne ficava contaminada e, portanto, era pecado comê-la. Como no Império Romano, a maioria dos vendedores eram pagãos, o risco da carne estar “contaminada” era alto. Os “fortes”, por outro lado, entendiam que “do Senhor é a terra e a sua plenitude” (I Co 10:26; Sl 24:1) e por isso defendiam o seguinte princípio: “comei de tudo o que se puser diante de vós” (I Co 10:27). Um caso parecido hoje seriam cristãos que se recusam a tomar Coca-Cola ou usar determinadas marcas por acreditarem que foram consagradas a demônios antes de chegar nas lojas. Sendo assim, quando lemos que havia um lado do debate que dizia que “tudo se pode comer”, não devemos entender que se trate de uma defesa da glutonaria ou de comer fezes como sinal de força espiritual e nem que um vegetariano seja necessariamente fraco espiritualmente. As palavras precisam ser lidas no contexto do debate original.

O mesmo, alias, deve ser dito sobre as palavras de Paulo aos Colossenses: “Ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber” (Cl 2:16). Se isso é verdade, então por que ele mandou aos Coríntios: “Não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for… beberrão” (I Co 5:11), pois “os bêbados… [não] herdarão o reino de Deus” (I Co 6:10)? Isso não é julgá-los “pelo beber” como ele manda os Colossenses não fazer? Isso mostra a necessidade de ler o que ele diz no contexto do debate original. O que estava sendo debatido não era se alguém podia ser beberrão ou não. O que estava sendo debatido eram leis cerimoniais específicas.

Da mesma forma, quando ele explica que o fraco “faz diferença entre dia e dia” e o forte “julga iguais todos os dias” (Rom 14:5), devemos entender as palavras de Paulo no contexto do debate que havia. O que estava sendo debatido era a necessidade de guardar os dias específicos do Antigo Testamento, listados em Levítico 23, conforme já vimos em Colossenses 2:16. Os “fortes” eram os que entendiam que a necessidade de guardar esses dias havia sido ab-rogada. Os “fracos” tinham acabado de sair do Judaísmo e por isso ainda não haviam sido suficientemente instruídos para saber que os dias santos do Antigo Testamento eram dias comuns. Eram estes dias que os fracos diferenciavam dos demais e que os fortes igualavam aos demais.

Isso significa que quando João falou do Dia do Senhor, ele não poderia estar falando dos dias santos do Antigo Testamento. Colossenses 2 e Romanos 14 mostram que havia sido cancelada a obrigação de guardar os dias específicos do Antigo Testamento, listados em Levítico 23. Isso significa que o Dia do Senhor era um novo dia instituído como o Dia do Senhor na era do Novo Testamento. Colossenses 2 e Romanos 14 falam somente da ab-rogação dos dias de festa do Antigo Testamento, mas em nenhum momento negam a existência de um dia santo do Novo Testamento. Se negassem, estariam em contradição com João, pois o Apocalipse diz que ainda há um Dia do Senhor. Além disso, algo que foi instituído como uma norma na criação não pode ser uma sombra da obra de Cristo porque as normas da criação precedem a queda e, portanto, não poderiam estar apontando para a redenção do pecado que Cristo veio trazer.  E se o “Dia do Senhor” (Ap 1:10) não era nenhum dos dias santos do Antigo Testamento, só resta uma alternativa quando analisamos o Novo Testamento – o primeiro dia de cada semana, o dia seguinte ao dia que era guardado no Antigo Testamento, é o Dia do Senhor e shabbath cristão, para que celebremos nossas festas fixas, nossas assembleias solenes:

“E nós, depois dos dias dos pães ázimos, navegamos de Filipos, e em cinco dias fomos ter com eles em Trôade, onde nos detivemos sete dias. No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite”. (Atos 20:6-7)

O “partir do pão” refere-se a Ceia do Senhor (cf. Lc 22:19; At 2:42; I Co 10:16; 11:23-24). É importante observar que o texto diz que a Igreja se reuniu com a finalidade de celebrar a Ceia do Senhor. Ou seja, o sacramento da Ceia era tido como uma parte essencial da assembleia solene, como I Coríntios também mostra:

“Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”. (I Coríntios 5:6-8)

“De sorte que, quando vos ajuntais num lugar… é para comer a Ceia do Senhor”. (I Coríntios 11:20)

Aqui o Apóstolo Paulo explica que há uma festa que precisamos celebrar. Levítico 23 lista diversas festas que os israelitas tinham que celebrar: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As festas fixas do Senhor, que proclamareis como santas convocações, são estas” (Levítico 23:2). Mas, como Colossenses explica, todas estas festas eram sombras que se cumpriram na obra de Cristo: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou de shabbaths, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo” (Cl 2:16-17). Paulo não poderia estava negando que ainda há uma festa a celebrada no Novo Testamento, pois aos Coríntios ele fala de uma nova festa e inclusive os julga por a celebrarem errada (I Co 11:20). Essa nova festa, todavia, não é uma sombra, mas é o cumprimento de todas as antigas festas. É a festa da Ceia do Senhor!

“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão”. (I Coríntios 10:16-17)

Como escreveu João Calvino:

“Portanto, o Senhor nos deu uma mesa, à qual nos banqueteemos, não um altar, sobre o qual seja oferecida uma vítima; não consagrou a sacerdotes para imolar, mas a ministros para distribuir o sacro banquete. Quanto mais sublime e mais santo é o mistério, tanto mais religiosamente e mais intensa reverência convém seja tratado. Portanto, nada é mais seguro do que afastar toda audácia do senso humano, nos apegando somente ao que ensina a Escritura. E, indubitavelmente, se ponderarmos bem que a Ceia é do Senhor, não dos homens, não há razão por que, de qualquer autoridade de homens ou prescrição de anos, permitamos que dela sejamos demovidos sequer a largura de uma unha. Assim sendo, o Apóstolo, querendo assim purgá-la de todos os vícios que já se haviam sorrateiramente infiltrado na Igreja dos coríntios (o caminho que para isso era o mais expedito), os remete àquela instituição única, donde mostra que se deve buscar a regra perpétua”. (João Calvino, Institutas da Religião Cristã, Livro IV, Capítulo XVIII, seção 12)

Assim como, no Antigo Testamento, havia santas convocações, assembleias solenes, para celebrar as festas do Senhor, no Novo Testamento também há santas convocações, o culto cristão, para celebrar a nova festa. É sobre isso que lemos no livro de Atos:

“E nós, depois dos dias dos pães ázimos, navegamos de Filipos, e em cinco dias fomos ter com eles em Trôade, onde nos detivemos sete dias. No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite”. (Atos 20:6-7)

O texto diz que a santa convocação, a festa ao Senhor, aconteceu no “primeiro dia da semana”. Quanto a isso, há alguns detalhes importantes na narrativa que precisam ser observados. Primeiro, é dito que eles ficaram uma semana em Troâde, mas que foi somente no primeiro dia da semana que a igreja se reuniu para celebrar a festa do Senhor. Isso, por si só, mostra que eles não observavam mais o antigo dia, conforme a determinação de Levítico 23, pois se observassem, eles teriam se reunido um dia antes (Lv 23:3). Além disso, alguns versos depois, lemos que Paulo estava com muita pressa em sua viagem: “já Paulo tinha determinado passar ao largo de Éfeso, para não gastar tempo na Ásia. Apressava-se, pois, para estar, se lhe fosse possível, em Jerusalém no dia de Pentecostes”. (At 20:16) Se ele estava com tanta pressa assim, por que ele esperou uma semana inteira em Trôade até o primeiro dia da semana para só então ir embora? A única explicação é que o primeiro da semana era um dia especial, o que explica também suas palavras de Paulo aos Coríntios:

“Ora, quanto à coleta para os santos fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder, conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não façam coletas quando eu chegar”. (I Coríntios 16:1-2)

Por que Paulo diz para fazerem isso no primeiro dia da semana? Por que não no segundo, no terceiro, no quarto ou no dia que cada um quisesse? Porque igrejas em lugares tão diferentes, as igrejas da Galácia e as igrejas dos Coríntios, tinham que fazer o mesmo no mesmo dia, que era o dia que ele havia esperado por uma semana em Trôade para celebrar a festa do Senhor? Porque, como Atos 20 mostra, o primeiro da semana era o dia da santa convocação, a assembleia solene, a festa fixa da Igreja. Era o dia em que todos eles se reuniam como igreja e, por isso, era o dia adequado para levar as ofertas. E, como I Coríntios 16:2 deixa claro, não era particularidade de uma igreja em particular, mas era o costume das igrejas em geral, em lugares muito diferentes.

A origem disso, sem dúvidas, foi a ressurreição do Senhor e as aparições posteriores do Senhor:

“E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios”. (Marcos 16:9)

“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”. (João 20:19)

“E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco”. (João 20:26)

Além disso, é importante observar que o dia da descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, também foi no primeiro dia da semana, como Levítico 23 mostra:

“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra, que vos hei de dar, e fizerdes a sua colheita, então trareis um molho das primícias da vossa sega ao sacerdote; E ele moverá o molho perante o SENHOR, para que sejais aceitos; no dia seguinte ao shabbath o sacerdote o moverá. E no dia em que moverdes o molho, preparareis um cordeiro sem defeito, de um ano, em holocausto ao SENHOR, E a sua oferta de alimentos, será de duas dízimas de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada em cheiro suave ao SENHOR, e a sua libação será de vinho, um quarto de him. E não comereis pão, nem trigo tostado, nem espigas verdes, até aquele mesmo dia em que trouxerdes a oferta do vosso Deus; estatuto perpétuo é por vossas gerações, em todas as vossas habitações. Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao shabbath, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia seguinte ao sétimo shabbath, contareis cinqüenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao SENHOR. Das vossas habitações trareis dois pães de movimento; de duas dízimas de farinha serão, levedados se cozerão; primícias são ao SENHOR. Também com o pão oferecereis sete cordeiros sem defeito, de um ano, e um novilho, e dois carneiros; holocausto serão ao SENHOR, com a sua oferta de alimentos, e as suas libações, por oferta queimada de cheiro suave ao SENHOR. Também oferecereis um bode para expiação do pecado, e dois cordeiros de um ano por sacrifício pacífico. Então o sacerdote os moverá com o pão das primícias por oferta movida perante o SENHOR, com os dois cordeiros; santos serão ao SENHOR para uso do sacerdote. E naquele mesmo dia apregoareis que tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; estatuto perpétuo é em todas as vossas habitações pelas vossas gerações”. (Levítico 23:10-21)

A GUARDA DO DIA DO SENHOR

Porque o Domingo é santo ao Senhor, porque pertence a Ele, não a nós, não devemos nele seguir nossos caminhos, fazer nossa própria vontade ou falar nossas próprias palavras:

“Se desviares o teu pé do shabbath, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao shabbath deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse”. (Isaías 58:13-14)

É por isso que, neste dia, não devemos trabalhar: “não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas”. (Êx 20:10)  Mas descansar de minhas obras é só aspecto negativo da santificação do dia. O aspecto positivo é fazer as obras do Senhor e falar as palavras do Senhor. As santas convocações são parte disso. Porque é o santo Dia do Senhor, eu devo não somente descansar do meu trabalho, das minhas obras, mas eu devo adorá-lo, cultuá-lo, invoca-Lo, falar dEle e ouvir Sua voz, tanto em Sua assembleia solene, a igreja, quanto em particular e com minha família e amigos. Deve ser um dia especialmente dedicado as coisas do Senhor.

Além disso, o mandamento ordena não somente que eu descanse, mas também que eu conceda descanso aos outros: “… não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas”. (Ex 20:10) O Catecismo Maior de Westminster resume isso bem: “Aquilo que nos é proibido ou mandado temos a obrigação, segundo o lugar que ocupamos, de procurar que seja evitado ou cumprido por outros segundo o dever das suas posições” e “quanto ao que é mandado a outros, somos obrigados, segundo a nossa posição e vocação, a ajudá-los, e a cuidar em não participar com outros do que lhe é proibido” (P. 99). Ou seja, se eu sou proibido de trabalhar, segue-se que não posso fazer outros trabalharem por mim e não posso me envolver em quaisquer atividades em que eu colabore com o trabalho de outros:

“Naqueles dias vi em Judá os que pisavam lagares no shabbath e traziam feixes que carregavam sobre os jumentos; como também vinho, uvas e figos, e toda a espécie de cargas, que traziam a Jerusalém no dia de shabbath; e protestei contra eles no dia em que vendiam mantimentos. Também habitavam em Jerusalém tírios que traziam peixe e toda a mercadoria, que vendiam no shabbath aos filhos de Judá, e em Jerusalém. E contendi com os nobres de Judá, e lhes disse: Que mal é este que fazeis, profanando o dia de shabbath? Porventura não fizeram vossos pais assim, e não trouxe o nosso Deus todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós ainda mais acrescentais o ardor de sua ira sobre Israel, profanando o shabbath. Sucedeu, pois, que, dando já sombra nas portas de Jerusalém antes do shabbath, ordenei que as portas fossem fechadas; e mandei que não as abrissem até passado o shabbath; e pus às portas alguns de meus servos, para que nenhuma carga entrasse no dia de shabbath. Então os negociantes e os vendedores de toda a mercadoria passaram a noite fora de Jerusalém, uma ou duas vezes. Protestei, pois, contra eles, e lhes disse: Por que passais a noite defronte do muro? Se outra vez o fizerdes, hei de lançar mão de vós. Daquele tempo em diante não vieram no shabbath”. (Neemias 13:15-21)

“E dize-lhes: Ouvi a palavra do Senhor, vós, reis de Judá e todo o Judá, e todos os moradores de Jerusalém, que entrais por estas portas; assim diz o Senhor: Guardai-vos a vós mesmos, e não tragais cargas no dia de shabbath, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém; nem tireis cargas de vossas casas no dia de shabbath, nem façais trabalho algum; antes santificai o dia de shabbath, como eu ordenei a vossos pais. Mas eles não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, para não ouvirem, e para não receberem instrução. Mas se vós diligentemente me ouvirdes, diz o Senhor, não introduzindo cargas pelas portas desta cidade no dia de shabbath, e santificardes o dia de shabbath, não fazendo nele trabalho algum, então entrarão pelas portas desta cidade reis e príncipes, que se assentem sobre o trono de Davi, andando em carros e montados em cavalos, eles e seus príncipes, os homens de Judá, e os moradores de Jerusalém; e esta cidade será para sempre habitada”. (Jeremias 17:20-25)

Então, não eram somente os estrangeiros que pecavam por fazer comércio nesse dia em Jerusalém. Os judeus, que compravam deles, também estavam pecando porque “quanto ao que é mandado a outros, somos obrigados, segundo a nossa posição e vocação, a ajudá-los, e a cuidar em não participar com outros do que lhe é proibido” (CMW, P. 99). Isso, alias, mostra que a obrigação moral de guardar o dia de shabbath existia também sobre os estrangeiros, não somente sobre os judeus, como as palavras do próprio quarto mandamento já deixam claro: “nem o teu estrangeiro” (Ex 20:10). Por isso diz Isaías:

“E não fale o filho do estrangeiro, que se houver unido ao SENHOR, dizendo: Certamente o SENHOR me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus shabbaths, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará”. (Isaías 56:3-5)

Então, qualquer coisa que formos fazer no Dia do Senhor, além de saber se aquela atividade é lícita para aquele dia, devemos nos perguntar se não estamos de alguma forma colaborando para que outra pessoa profane aquele dia.

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