sunearthO SHABBATH E O DIA DO SENHOR

Por Frank Brito

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FESTAS FIXAS E ASSEMBLEIAS SOLENES

É importante entender que não havia dias de shabbath somente em um dia a cada semana. O shabbath semanal era o principal e mais importante, mas, além do shabbath dele, havia também outros dias no decorrer do ano que Deus também ordenou que fossem guardados como dias de descanso. Todos estes dias foram listados em Levítico 23:

O Shabbath semanal:

“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As festas fixas do Senhor, que proclamareis como santas convocações, são estas: Seis dias se fará trabalho, mas o sétimo dia é o shabbath do descanso solene, uma santa convocação; nenhum trabalho fareis; é shabbath do Senhor em todas as vossas habitações”. (Levítico 23:2-3)

Primeiro e sétimo dia da festa dos pães ázimos (dias 15 e 21 do primeiro mês, o mês de Nisã):

“São estas as festas fixas do Senhor, santas convocações, que proclamareis no seu tempo determinado: No mês primeiro, aos catorze do mês, à tardinha, é a páscoa do Senhor. E aos quinze dias desse mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos. No primeiro dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis. Mas por sete dias oferecereis oferta queimada ao Senhor; ao sétimo dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis”. (Levítico 23:4-8)

Festa das Semanas:

“Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra que eu vos dou, e segardes a sua sega, então trareis ao sacerdote um molho das primícias da vossa sega; e ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos. No dia seguinte ao shabbath o sacerdote o moverá. E no dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem defeito, de um ano, em holocausto ao Senhor. Sua oferta de cereais será dois décimos de efa de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada em cheiro suave ao Senhor; e a sua oferta de libação será de vinho, um quarto de him. E não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até aquele mesmo dia, em que trouxerdes a oferta do vosso Deus; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações, em todas as vossas habitações. Contareis para vós, desde o dia depois do shabbath, isto é, desde o dia em que houverdes trazido o molho da oferta de movimento, sete semanas inteiras; até o dia seguinte ao sétimo shabbath, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de cereais ao Senhor. Das vossas habitações trareis, para oferta de movimento, dois pães de dois décimos de efa; serão de flor de farinha, e levedados se cozerão; são primícias ao Senhor. Com os pães oferecereis sete cordeiros sem defeito, de um ano, um novilho e dois carneiros; serão holocausto ao Senhor, com as respectivas ofertas de cereais e de libação, por oferta queimada de cheiro suave ao Senhor. Também oferecereis um bode para oferta pelo pecado, e dois cordeiros de um ano para sacrifício de ofertas pacíficas. Então o sacerdote os moverá, juntamente com os pães das primícias, por oferta de movimento perante o Senhor, com os dois cordeiros; santos serão ao Senhor para uso do sacerdote. E fareis proclamação nesse mesmo dia, pois tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas habitações pelas vossas gerações”. (Levítico 23:9-21)

Festa das Trombetas (primeiro dia do sétimo mês, o mês de Tisri):

“Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel: No sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá para vós descanso solene, em memorial, com sonido de trombetas, uma santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis, e oferecereis oferta queimada ao Senhor”. (Levítico 23:23-25)

Dia da Expiação (dia 10 do sétimo mês, o mês de Tisri):

“Ora, o décimo dia desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. Nesse dia não fareis trabalho algum; porque é o dia da expiação, para nele fazer-se expiação por vós perante o Senhor vosso Deus. Pois toda alma que não se afligir nesse dia, será extirpada do seu povo. Também toda alma que nesse dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo. Não fareis nele trabalho algum; isso será estatuto perpétuo pelas vossas gerações em todas as vossas habitações. Shabbath de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso shabbath”. (Levítico 23:27-32)

Primeiro e oitavo dia da festa dos tabernáculos (dias 15 e 21 do sétimo mês, o mês de Tisri):

“Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias. No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis. Por sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis oferta queimada ao Senhor; será uma assembleia solene; nenhum trabalho servil fareis”. (Levítico 23:33-36)

Então, para resumir, além do sétimo dia de cada semana, Deus ordenou que fossem guardados como dias de descanso: 

  • 15º dia do 1º mês
  • 21º dia do 1º mês
  • 50º dia depois da semana da Páscoa
  • 1º dia do 7º mês
  • 7º dia do 7º mês
  • 10º dia do 7º mês
  • 15º dia do 7º mês
  • 21º dia do 7º mês

Estes dias deveriam ser guardados como shabbaths mesmo que não caíssem no sétimo dia da semana, conforme a contagem que havia começado no dia 15 do segundo mês desde a libertação do Egito. Entre alguns destes dias havia celebrações, mas era somente nos dias de santas convocações, também chamadas de assembleias solenes, que a proibição de trabalhar. No decorrer do capítulo, Deus repetidamente declara: “tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis” (Lv 23:3,7,8,21,24,27,35,36). O mesmo princípio é reafirmado diversas vezes no livro de Números: “tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis” (Nm 28:18,25,26; 29:1,7,12). Ou seja, eram dias de shabbath todos os dias de festa em que havia assembleias solenes. Nos demais dias de festas que não caiam nestes dias, como, por exemplo, o dia da Páscoa (14 de Nisã), havia permissão para trabalhar.

Há uma importante ligação entre a santidade dos dias de shabbath, as santas convocações e obrigação de descanso que precisamos entender. Como já foi demonstrada, a obrigação de descansar das minhas obras é diretamente derivada da santidade destes dias. Porque o dia é santo, porque Ele pertence ao Senhor, não a nós, não devemos nele seguir nossos caminhos, fazer nossa própria vontade ou falar nossas próprias palavras. Mas descansar de minhas obras é só aspecto negativo da santificação do dia. As santas convocações estabelecem o aspecto positivo. Porque é o santo Dia do Senhor, eu não devo somente descansar das minhas obras, mas eu devo me reunir publicamente com o Seu povo para servi-Lo, adorá-lo, cultuá-lo, invoca-Lo e ouvir Sua voz, em Sua santa convocação, Sua assembleia solene. Aqui vale lembrar uma importante regra de interpretação dos mandamentos:

“Onde um dever é prescrito, o pecado contrário é proibido; e onde um pecado é proibido, o dever contrário é prescrito; assim como onde uma promessa está anexa, a ameaça contrária está inclusa; e onde uma ameaça está anexa a promessa contrária está inclusa”. (Catecismo Maior de Westminster, P. 99)

Em outras palavras, quando o quarto mandamento nos proíbe de fazer nossas próprias obras, o dever contrário exigido é a santificação de Seu dia para adorá-Lo e cultuá-Lo.

Além disso, é importante entender que shabbath não se referia somente a dias de descanso. Havia também shabbaths de anos:

“Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando tiverdes entrado na terra que eu vos dou, a terra guardará um shabbath ao Senhor. Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos; mas no sétimo ano haverá shabbath de descanso solene para a terra, um shabbath ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O que nascer de si mesmo da tua sega não segarás, e as uvas da tua vide não tratada não vindimarás; ano de descanso solene será para a terra. Mas os frutos do shabbath da terra vos serão por alimento, a ti, e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu jornaleiro, e ao estrangeiro que peregrina contigo, e ao teu gado, e aos animais que estão na tua terra; todo o seu produto será por mantimento. Também contarás sete shabbaths de anos, sete vezes sete anos; de maneira que os dias dos sete shabbaths de anos serão quarenta e nove anos. Então, no décimo dia do sétimo mês, farás soar fortemente a trombeta; no dia da expiação fareis soar a trombeta por toda a vossa terra. E santificareis o ano qüinquagésimo, e apregoareis liberdade na terra a todos os seus habitantes; ano de jubileu será para vós; pois tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família. Esse ano qüinquagésimo será para vós jubileu; não semeareis, nem segareis o que nele nascer de si mesmo, nem nele vindimareis as uvas das vides não tratadas. Porque é jubileu; santo será para vós”. (Levítico 25:2-12)

Para resumir, quando lemos Deus ordenando que os shabbaths fossem guardados, não devemos entender que Ele tenha falado somente de um dia a cada semana. Como foi demonstrado, além do shabbath semanal, havia outros shabbaths em outros dias no decorrer do ano que também deveriam ser guardados. E, além destes dias no decorrer do ano, cada sétimo ano e cada quinquagésimo ano, também deveriam ser guardados como anos de shabbath.

A LEI NATURAL E AS TÁBUAS DO CORAÇÃO

Há uma importante diferença entre o shabbath semanal e os outros dias de shabbath que precisamos entender. O shabbath semanal, diferente dos demais dias de shabbath, precede a queda, ele precede a entrada do pecado do mundo e, portanto, faz parte da ordem original da criação: “porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia de shabbath, e o santificou”. (Êx 20:11) O mesmo não pode ser dito sobre os demais dias de shabbath que Deus ordenou que os israelitas guardassem. Contra os fariseus, Cristo apelou para a ordem original da Criação para explicar o propósito do casamento (Mt 19:4) e, com base nesse argumento, S. Paulo declarou que a homossexualidade é “contrário à natureza” (Rm 1:26). Isso mostra que nós devemos encarar a ordem original da criação como normativa para nós, tendo força de lei moral.

Isso é confirmado pelo que Paulo diz no capítulo seguinte, que “os gentios, que não têm Lei, fazem naturalmente as coisas que são da Lei, não tendo eles Lei, para si mesmos são Lei; os quais mostram a obra da Lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos”. (Rom 2:14-15) Isso mostra que a norma da lei moral escrita é substancialmente equivalente a norma da lei moral não-escrita. Isso é o que foi historicamente chamado de lei natural na Cristandade. Isso condiz com o argumento de Paulo no capítulo anterior, de que devemos encarar a ordem original da criação como normativa para nós, de maneira que tudo o que for “contrário à natureza” (Rm 1:26), isto é, contrário a lei natural, deve ser tido como imoral, contrário a lei moral. Isso confirma que a lei moral escrita é substancialmente equivalente a lei moral não-escrita.

É por isso que a Confissão de Fé de Westminster diz: “Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um shabbath santificado por Ele”. (CFW, 21:7) Se a ordem original da criação é normativa para nós, tendo força de lei moral, segue-se que a necessidade de santificação de um dia em sete foi escrito na consciência dos homens, em Adão, quando ele foi criado. A queda, é verdade, faz com que nós, pelo pecado que nos é transmitido, de geração em geração desde Adão, venhamos a reprimir essa lei natural (Rm 1:18), revelada na natureza (Rm 1:19-22) e em nossa própria consciência (Rm 2:14-15) e por isso é necessário Deus revela-la por Sua Palavra. O conteúdo, todavia, não é diferente, mas é o mesmo, pois, como Paulo deixa claro, o que eles “fazem naturalmente” são as coisas que “são da Lei” (Rm 2:14).

Com isso em mente, fica claro que quando Paulo diz, “já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (II Co 3:3), o conteúdo escrito nas tábuas de carne no coração é o mesmo do que é escrito em tábuas de pedra. A comparação aqui não é entre coisas diferentes sendo escritas, mas entre lugares diferentes em que a mesma coisa escrita. Paulo está claramente referindo-se ao que disseram os profetas Jeremias e Ezequiel sobre o Novo Pacto:

“Mas esta é o meu pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha Lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. (Jeremias 31:33)

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis”. (Ezequiel 36:25-27)

Como diz também Provérbios:

“Guarda os meus mandamentos e vive; e a minha Lei, como a menina dos teus olhos. Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração“. (Provérbios 7:2-3)

Então, o que é escrito, por meio do “meu Espírito” (Ez 36:25-27), “nas tábuas de carne no coração” (II Co 3:3) é “a minha Lei” (Jr 31:33), que é o mesmo que estava nas “tábuas de pedra” (II Co 3:3). Claramente, a comparação não é entre coisas diferentes sendo escritas, mas entre lugares diferentes em que a mesma coisa escrita. E se a necessidade de guardar o dia de shabbath estava escrito nas tábuas de pedra, então é escrito também, pelo Espírito, nas tábuas do coração, para que o guardemos, para que toda lei natural seja restituída em nós. E, como as palavras do quarto mandamento deixa claro, nisto está incluído a guarda de um dia em cada sete como um dia de shabbath.

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