cross“Estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de ti em suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua descendência depois de ti”. (Gênesis 17:7)

“Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó”. (Êxodo 3:6)

Entre as promessas feitas por Deus à Abraão e à sua descendência, está contida a promessa da vida eterna. Infelizmente, muitos não se dão conta disso e por isso erradamente inferem que as promessas de Deus do Antigo Testamento eram diferentes das promessas do Novo Testamento. Que as promessas do pacto entre Deus e Abraão incluiam a vida eterna é evidente quando entendemos qual era a promessa principal: “como pacto perpétuo, para te ser por Deus. É por isso que Deus constantemente diz: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão”. E como Cristo, o melhor intérprete da Escritura demonstrou, a partir dessa promessa necessariamente deve-se inferir a promessa da vida eterna:

“No mesmo dia vieram alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, seu irmão casará com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão. Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, tendo casado, morreu: e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; da mesma sorte também o segundo, o terceiro, até o sétimo. depois de todos, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa, pois todos a tiveram? Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus; pois na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento; mas serão como os anjos no céu. E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos. E as multidões, ouvindo isso, se maravilhavam da sua doutrina”. (Mateus 22:23-33)

Ou seja, se não houvesse ressurreição, se nossa existência cessasse na morte, Deus não poderia de fato ser o Deus de Abraão, Isaque e Jacó perpetuamente, conforme a promessa do pacto. Na promessa pactual de ser nosso Deus, então, está contida a promessa da vida eterna, na qual estaremos em perpétua comunhão com Ele. Por isso o Apocalipse encerra exatamente remetendo à essas palavras do pacto abraâmico:

“E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”. (Apocalipse 21:3-4)

O mesmo vemos constantemente na Lei, Deus prometendo que seria o Deus deles e eles seriam o Seu povo:

“Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o SENHOR, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, e vos livrarei da servidão, e vos resgatarei com grandes juízos. E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios”. (Êxodo 6:6-7)

Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. (Êxodo 20:2)

“E andarei no meio de vós, e eu vos serei por Deus, e vós me sereis por povo“. (Levítico 26:12)

E também nos Profetas:

“Naquele tempo, diz o SENHOR, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e elas serão o meu povo“. (Jeremias 31:1)

“E farei com eles uma aliança de paz; e será uma aliança perpétua. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo“. (Ezequiel 37:26-27)

Como Jesus deixou claro, nesta declaração, cuja origem é o pacto abraâmico, está contida a promessa da vida eterna, na qual estaremos em perpétua comunhão com Ele. Sendo assim, devemos concluir que a promessa de vida eterna não foi introduzida por Cristo no Novo Testamento, mas já era central no Antigo Testamento. Como escreveu João Calvino:

“Quando o Senhor manda Abraão observar a circuncisão, ele prefacia que será o Deus dele e de sua semente, acrescentando que nele estavam a afluência e a suficiência de todas as coisas, para que Abraão tivesse consciência de que sua mão haveria de ser-lhe a fonte de todo bem [Gn 17.1-10]; palavras nas quais se contém a promessa da vida eterna, como as interpreta Cristo, daí formulando argumento para se comprovar a imortalidade e ressurreição dos fiéis. Ora, Cristo diz: “Ele não é Deus de mortos, mas de vivos” [Mt 22.32; Mc 12.27; Lc 20.38]”. (João Calvino, Institutas da Religião Cristã, Livro IV, Capítulo XVI)

Que no pacto abraâmico estava contida a promessa da vida eterna também é evidente que a promessa de ser herdeiro da terra não foi feita à descendência de Abraão somente, mas também ao próprio Abraão:

“E apareceu-lhe o SENHOR, e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser; Peregrina nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei; porque a ti e à tua descendência darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão teu pai”. (Gênesis 26:2-3)

Todavia, ele “morreu na fé, sem ter recebido as promessas” (Hb 11:13). Se Deus “Deus não é homem, para que minta” (Nm 23:19), segue-se que, apesar dele ainda não ter recebido a promessa, ele ainda receberá, na ressurreição dos mortos, na qual ele, com todos os “justos herdarão a terra e habitarão nela para sempre“. (Sl 37:29)

 

 

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