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O REINO, A LEI E A GRANDE COMISSÃO
Por Frank Brito

“E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. (Mateus 28:17-20)

Qual a relação entre o Reino de Deus, a Lei de Deus e a Grande Comissão? Responder a essa pergunta é crucial para entendermos exatamente o que Jesus ordenou que fizéssemos em Mateus 28:17-20. A maneira com que defendemos a relação entre as três coisas neste blog é conhecida como Teonomia. Yago Martins, Diretor e Professor da Academia de Missões Urbanas em Fortaleza, dedicou um capítulo de seu livro sobre a Grande Missão para levantar objeções à interpreação Teonomista das palavras da Grande Comissão. Antes de lidar com as objeções dele, segue uma breve defesa da perspectiva Teonomista nas palavras de Cristo em Mateus 28:17-20.

TODAS AS NAÇÕES

Cristo mandou que ensinássemos todas as nações. Mas por que todas as nações devem ser ensinadas? Há um contexto maior sobre isso que precisamos entender. O Apóstolo Paulo explicou isso em diversos lugares, como na carta aos Romanos e em sua defesa ao rei Agripa:

“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança. Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus. Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus. Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: Portanto eu te louvarei entre os gentios, E cantarei ao teu nome. E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, com o seu povo. E outra vez: Louvai ao Senhor, todos os gentios, E celebrai-o todos os povos. Outra vez diz Isaías: Uma raiz em Jessé haverá, E naquele que se levantar para reger os gentios, os gentios esperarão”. (Romanos 15:4-12)

“Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios“. (Atos 26:19-23)

Ao rei Agripa, S. Paulo explicou que quando ele anunciava Jesus Cristo aos gentios, ele não estava fazendo nada além do que “do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer”. Isso significa que quando lemos sobre o Evangelho sendo anunciado aos gentios no Novo Testamento e quando nós anunciamos o Evangelho aos gentios agora, devemos entender que é o cumprimento do que o Antigo Testamento já havia predito e descrito que aconteceria entre os gentios. Aos Romanos, ele também associa isso à promessa feita aos pais e, então, cita diversos Salmos que haviam predito que isso aconteceria. O Apóstolo Tiago ensinou o mesmo no Concílio de Jerusalém:

“E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me: Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito: Depois disto voltarei, E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, Levanta-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo. Para que o restante dos homens busque ao Senhor, e todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, Diz o Senhor, que faz todas estas coisas”. (Atos 15:13-17)

Isso nos leva de volta à nossa pergunta. Por que Cristo mandou que ensinássemos todas as nações? “Para que confirmasse as promessas feitas aos pais” (Rm 15:8), pois “com isto concordam as palavras dos profetas” (At 15:14), “os profetas e Moisés disseram que [isso] devia acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios” (At 26:22-23). Aqui é importante observar que a palavra traduzida como nações em Mateus 28:19 é εθνος – ethnos. Essa é exatamente a mesma palavra que é traduzida como “gentios” em todos esses outros textos. Isso deixa absolutamente claro que quando Cristo mandou, “ide, ensinai todas as nações” (Mt 28:19), ele não estava “dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer” (At 26:22). Isso significa que quando lemos sobre o Evangelho sendo anunciado aos gentios no Novo Testamento e quando nós anunciamos o Evangelho aos gentios agora, devemos entender que é o cumprimento do que o Antigo Testamento já havia predito e descrito que aconteceria entre os gentios quando o Messias viesse.

O QUE OS PROFETAS DISSERAM?

“Sim, e todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também predisseram estes dias. Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra. Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos abençoasse, no apartar, a cada um de vós, das vossas maldades“. (Atos 3:24-26)

Aqui o Apóstolo Pedro explicou o mesmo, que Jesus Cristo veio cumprir as promessas feitas aos pais, por meio dos profetas. Ele menciona Abraão e como lhe foi prometido que todas as famílias da terra seriam benditas e explica que essa benção está “no apartar, a cada um de vós, das vossas maldades”. Lemos sobre essa promessa em Gênesis 12:

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”. (Gênesis 12:1-3)

Todas as nações que existem no mundo se formaram a partir das famílias de Sem, Cão e Jafé que, por sua vez, iam formando outras famílias (Gn 10). A nação de Israel foi formada a partir da família de Sem, por meio das famílias de Abraão, de Isaque e de Jacó. Deus prometeu a Abraão que a nação que se formaria por meio de sua família seria abençoada e que esta nação seria o instrumento de Deus para estender Sua benção ao mundo inteiro. No livro de Gênesis encontramos Deus repetindo essa mesma promessa mais três vezes: “Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra”. (Gn 18.18) “E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra”. (Gn 22.18) “E multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e darei à tua descendência todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as nações da terra”. (Gn 26.4) E, como o Apóstolo Pedro explicou, a benção sobre todas essas nações seria “para que nisso vos abençoasse, no apartar, a cada um de vós, das vossas maldades“. (Atos 3:24-26) Ou seja, seria a remissão e a santificação destes povos para que não andassem mais nas maldades de seus caminhos.

E, como o Apóstolo Pedro também explicou, outros profetas depois de Abraão confirmaram esta mesma promessa. Nenhum deixou isso tão claro quanto o profeta Isaías:

O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ah, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos que praticam a corrupção! Deixaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, que persistis na rebeldia? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã; há só feridas, contusões e chagas vivas; não foram espremidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo. O vosso país está assolado; as vossas cidades abrasadas pelo fogo; a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença, e está devastada, como por uma pilhagem de estrangeiros. E a filha de Sião é deixada como a cabana na vinha, como a choupana no pepinal, como cidade sitiada. Se o Senhor dos exércitos não nos deixara alguns sobreviventes, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra. Ouvi a palavra do Senhor, governadores de Sodoma; dai ouvidos à Lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra. De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembléias … não posso suportar a iniquidade e o ajuntamento solene! As vossas luas novas, e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã“. (Isaías 1.3-18)

Isaías chegou diante de Israel com uma reclamação da parte de Deus. A rebelião era tão grande que chegaram a ser comparados com Sodoma e Gomorra. Além disso, Isaías enfatizou que a essência da rebelião era a transgressão da Lei-Palavra de Deus: “Ouvi a Palavra do Senhor, governadores de Sodoma; dai ouvidos à Lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra”. (v. 10) E esta não era uma ordem isolada. Por todo o livro, Isaías deixou perfeitamente claro que a rebelião de Israel consistia na transgressão da Lei:

“Pelo que, como a língua de fogo consome o restolho, e a palha se desfaz na chama assim a raiz deles será como podridão, e a sua flor se esvaecerá como pó; porque rejeitaram a Lei do Senhor dos exércitos, e desprezaram a Palavra do santo de Israel. Por isso se acendeu a ira do Senhor contra o seu povo, e o Senhor estendeu a sua mão contra ele, e o feriu; e as montanhas tremeram, e os seus cadáveres eram como lixo no meio das ruas; com tudo isto não tornou atrás a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão”. (Isaías 5.24-25)

À Lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles“. (Isaías 8.20)

“Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a Lei do SENHOR“. (Isaías 30.9)

“Quem entregou a Jacó por despojo, e a Israel aos roubadores? Porventura não foi o SENHOR, aquele contra quem pecamos, e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua Lei?” (Isaías 42.24)

Esse é o contexto para entender o que Isaías disse sobre Jesus Cristo. Sobre o sacrifício expiatório de Jesus Cristo na cruz, Isaías profetizou:

“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. (Is 53.4-5)

Isso remete diretamente ao que havia sido dito na abertura do livro:

“Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo”. (Is 1.5-6)

Ou seja, Isaías apresentou a crucificação de Jesus Cristo como o meio pelo qual os transgressores da Lei seriam reconciliados com Deus, o mesmo que fez Paulo:

“Ora, nós sabemos que tudo o que a Lei diz, aos que estão debaixo da Lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da Lei, porque pela Lei vem o conhecimento do pecado. Mas agora se manifestou sem a Lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus”. (Romanos 3:19-25)

E se a a rebelião do povo consistia no fato de que eram transgressores da Lei, segue-se que a reconciliação, além de incluir a remissão pela transgressão desta Lei, inclui também a santificação do povo para que passassem a obedecer a Lei que anteriormente transgrediam. Isaías deixa isso perfeitamente claro no decorrer de todo o seu livro, que era exatamente isso é o que o Messias viria fazer:

“Palavra que viu Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém. E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR. E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear”. (Isaías 2.1-4)

Aqui Isaías profetizou aquilo que aconteceria nos “últimos dias”. Diferente do que muitos pensam, Isaías não estava se referindo aos últimos momentos da história antes da Segunda Vinda. Ele estava se referindo à história a partir da primeira vinda de Jesus Cristo.

“Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo esta a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão”. (Atos 2.14-18)

Pedro menciona que Joel havia profetizado a efusão do Espírito para acontecer nos últimos dias e isso estava se cumprindo naquele momento. Portanto, devemos entender já no tempo dos apóstolos os últimos dias haviam chegado. Sobre isso, é importante entender a conexão que o profeta Ezequiel faz entre o batismo com o Espírito Santo e a obediência à Lei:

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis“. (Ezequiel 36:25-27)

A conexão entre uma coisa é evidente também quando consideramos que Isaías profetizou que “nos últimos dias… de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém a Palavra do SENHOR”, a mesma Lei-Palavra que o capítulo anterior diz que os israelitas estavam quebrando: “Ouvi a Palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à Lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” (Is 1:10). Como o Apóstolo Pedro explicou, a efusão do Espírito aconteceu nos “últimos dias” e isso foi para “que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” (Ez 36:27).

O Apóstolo Pedro escreveu também em sua epístola: “… sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós”. (I Pd 1.18-20)

Aqui Pedro lembra aos cristãos que eles foram salvos não por dinheiro, mas pelo sacrifício expiatório de Jesus Cristo. E ele deixa claro que isso aconteceu no fim dos tempos.

Em sua epístola aos Coríntios, Paulo escreveu:

“… tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”. (I Co 10.11)

Paulo menciona que ele e seus contemporâneos haviam chegado aos fins dos séculos. Ele não poderia estar falando dos últimos momentos da História do mundo, logo antes da vinda de Jesus Cristo porque ele escreveu isso há mais de vinte séculos.

Inúmeros outros exemplos poderiam ser dados, mas esses são suficientes para demonstrar ao que os últimos dias e últimos tempos se referem no próprio livro de Isaías, como está escrito também:

“Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações. O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz… Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto”. (Isaías 9.1-2,6-7)

Mateus narra o cumprimento que aconteceu com a vinda de Cristo:

“E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galiléia das nações; O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus”. (Mateus 4.13-17)

Isaías, então, profetizou que nos “últimos dias… de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR… E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear”. (Isaías 2.3-4)

Obviamente, isso está se referindo a vocação dos gentios que teve início nas páginas do Novo Testamento. Isso se refere ao fato de que com a vinda de Jesus Cristo nos últimos dias, Ele confirmaria as promessas feitas aos pais e, com base nessa promessa, que trazendo a remissão dos pecados dos povos e, consequentemente, purificando esses povos para que eles passassem a obedecer Sua Lei. Foi exatamente sobre isso que o Apóstolo Paulo falou ao rei Agripa:

“Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios“. (Atos 26:19-23)

Isaías enfatiza o mesmo no resto do livro:

“Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça. Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua Lei“. (Isaías 42.1-4)

“Atendei-me, povo meu e nação minha, inclinai os ouvidos para mim; porque de mim sairá a Lei, e o meu juízo farei repousar para a luz dos povos. Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão. Levantai os vossos olhos para os céus, e olhai para a terra em baixo, porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra se envelhecerá como roupa, e os seus moradores morrerão semelhantemente; porém a minha salvação durará para sempre, e a minha justiça não será abolida. Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, povo em cujo coração está a minha Lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis pelas suas injúrias. Porque a traça os roerá como a roupa, e o bicho os comerá como a lã; mas a minha justiça durará para sempre, e a minha salvação de geração em geração”. (Isaías 51.4-8)

Aqui Isaías fala aos homens que conhecem a justiça, que são aqueles em cujo coração estão a Sua Lei, que a Sua Lei sairia, como luz, para servir de padrão de justiça para os povos, exatamente o que ele já havia profetizado em Isaías 2. O Senhor explicou também que isso viria também por meio de Seu Servo, Seu eleito, em que se apraz Sua alma, que Ele colocaria na terra a justiça e, portanto, que as ilhas aguardariam Sua Lei. Essa promessa, de serem remidos pelo Servo sofredor, então, não incluiria somente a nação de Israel, que naquele tempo transgredia a Lei-Palavra do Senhor, mas incluiria “todas as famílias da terra” (Gn 12:3).

E se os Apóstolos, quando pregavam às nações, não estavam “dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios” (At 26:19-23), fica perfeitamente claro quando quando Cristo disse, “ide, ensinai todas as nações” (Mt 28:19), ele estava ordenando exatamente o que estas profecias, como Isaías 2, previram que iria acontecer.

TODAS AS COISAS QUE EU VOS TENHO MANDADO

“Não cuideis que vim destruir a Lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”. (Mateus 5:17-19)

“E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da Lei”. (Lucas 16:17)

Se Cristo não tivesse vindo ao mundo para confirmar a Lei e os Profetas, os judeus estariam certos em entregá-Lo para ser executado, pois ele não passaria de um falso profeta e, como está escrito:

“Após o SENHOR vosso Deus andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o SENHOR vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o SENHOR teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti”. (Deuteronômio 13:4-5)

Mas a verdade é que Cristo de fato veio para confirmar a Lei e os Profetas. Ele confirmou a Lei, ensinando que ela fosse observada, contra as distorções dos escribas e fariseus, pois como disse o profeta Isaías, “as ilhas aguardarão a Sua Lei” (Is 42:4):

“Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição? Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus. Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens“. (Mateus 15:1-9)

Cristo, como Isaías antes dEle, ensinava os homens a guardarem a Lei do Senhor. Os escribas e fariseus, como os inimigos de Isaías, ensinavam os homens a transgredi-la. Por isso, Ele ordenou as nações fossem ensinadas “a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28:20). Diferente do que alguns pensam, isso não se restringe às palavras que encontramos dEle nos Evangelhos. “Todas as coisas que eu vos tenho mandado” é a Lei de Deus, que inclui o que Ele ensinou nos Evangelhos, mas não é somente isso. Cristo mandou obedecer à Lei de Deus como um todo (cf. Mt 5:17-18; 15:1-9), o que inclui até mesmo os menores mandamentos (Mt 5:19). Nos Evangelhos, encontramos Ele aplicando a Lei de Deus em circunstâncias específicas, mas “todas as coisas que eu vos tenho mandado” vai além destas circunstâncias específicos que encontramos lá. Não temos relato de Cristo pregando para alguém que era culpado de incesto ou bestialidade, mas a Lei que Ele mandou observou é suficiente para que o façamos (Lv 20:11-21).

INDIVÍDUOS OU NAÇÕES?

Alguns se perguntam se na Grande Comissão, Cristo mandou ensinar e batizar indivíduos ou se ele mandou ensinar e batizar nações. Essa é a raiz da preocupação de Yago Martins, Diretor e Professor da Academia de Missões Urbanas em Fortaleza, em seu livro sobre a Grande Comissão:

“Não discordo que o crente deva influenciar positivamente sua cultura ou que a conversão de magistrados trará modificações profundas em nossa sociedade e em nossa política. No entanto, não podemos achar que o fato de as nações serem influenciadas pela obediência dos discípulos seja o mesmo que elas serem discipuladas per si“.

A raiz do erro do Yago Martins é, primeiro, tratar a “nação” e suas instituições como coisas distintas e desconexas das pessoas que a compõe e, segundo, tratar “nação” como sinônimo de estado. Então, para evitar que essas definições o levem à conclusão de que o propósito da Grande Comissão seja influenciar as instituições políticas e perca o foco do indivíduo, ele argumenta que, no Novo Testamento, o termo é usado para se referir à pessoas:

“A linguagem bíblica para discípulo sempre está relacionada com pessoas. Uma busca rápida por mathētēs (μαθητής) encontra 268 ocorrências em 252 versos do Novo Testamento. Destas, não consegui encontrar nenhuma referência que nos leve a crer que o discipulado se dá não em indivíduos, mas em estruturas nacionais. Não existe uma única ocorrência bíblica de estruturas sociais ou nações per si sendo tidas necessariamente como discípulas”.

Aqui é importante observar que, em sua busca para definir o que seriam essas nações, Yago Martins, como um bom Batista que é, não mostra a conexão entre essas nações que Jesus manda ensinar com as nações da promessas abraâmicas, não demonstra que estas nações devem ser entendidas à luz da estrutura pactual Abraâmica, como o Novo Testamento demonstra. Sim, ele está correto em identificar “discípulo” como sendo as pessoas. O problema é que, biblicamente, não se pode desvincular essas pessoas das estruturas nacionais. Biblicamente, não há uma dicotomia entre indivíduos e nações, como se fossem coisas desconexas porque as instituições são simplesmente os indivíduos em suas relações. Segue alguns exemplos:

Suponha que João se casou com Maria. Os dois eram pagãos. Então, Paulo pregou eles. João e Maria creram no Evangelho e agora são discípulos de Cristo. Se Paulo é fiel à Grande Comissão, Ele se preocupará não somente em pregar para que eles creiam, mas também se esforçará para ensiná-los “guardar todas as coisas que” (Mt 28:20) Cristo mandou. Isso incluirá mandamentos para a família ou somente para os dois como indivíduos? Se a Grande Comissão é somente para os indivíduos desconexo das instituições, então “todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28:20) não contem mandamentos para a família, pois a família é uma instituição. Evidentemente, essa é uma conclusão absurda porque, biblicamente, as instituições são simplesmente os indivíduos em suas relações. Então não existe dicotomia entre indivíduo e instituição. As instituições são as relações do indivíduo com seu próximo e, se essas relações entre indivíduos precisam ser regidos pelos mandamentos de Cristo, não se pode tratá-las como coisas desconexas do indivíduo que está sendo ensinado. A instituição do casamento é um tipo específico de relação, entre um homem e uma mulher, que precisa se conformar à Lei de Deus, como Cristo nos ensinou: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:24), “Frutificai e multiplicai-vos” (Gn 1:28), “Não adulterarás” (Ex 20:14), “ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade” (Ml 2:15), etc.

Da mesma forma, falar de uma empresa é falar de uma instituição. Mas o que é essa instituição se não relações específicas entre indivíduos, com obrigações estabelecidas derivadas dessa relação? E essas relações entre esses indivíduos precisam se conformar às leis de Cristo? Elas são alvo de tudo aquilo que Cristo nos ensinou? Ou o patrão não precisa pagar seus empregados em dia porque isso é uma questão “institucional” (Tg 5:4)? Ou empregado não precisa trabalhar para o seu patrão, como ao Senhor, porque isso é uma relação “institucional” (Ef 6:7)?

Yago Martins escreve:

“Só poderei concordar com a posição de Stephen C. Perks quando conseguirem me explicar como fazer para batizar um país. Se o sujeito da frase são as nações propriamente ditas, como estruturas sociopolíticas, e não as pessoas que compõem as nações, como se faz para batizar uma nação, uma vez que isso está incluído na ordem?”

O que são essas “estruturas sociopolíticas” se não os indivíduos em suas relações uns com os outros? De fato, são os indivíduos que são batizados, mas, se as “estruturas sociopolíticas” são simplesmente as relações destes indivíduos uns com os outros, segue-se que as “estruturas sociopolíticas” precisa se conformar à Lei de Deus. Pois “ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”, refere-se a mudança do indivíduo, não só de maneira isolada, mas em suas relações, o que, evidentemente, inclui as “estruturas sociopolíticas” que regem essa relação. Batiza-se um país, batizando todos os indivíduos de um país e ensina-se uma nação, mostrando a aplicação da Lei de Deus em todas as relações humanas para estes mesmos indivíduos, incluindo as relações sociopolíticas. Isaías, que já citamos, dá um bom exemplo disso:

“Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva. Portanto diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Forte de Israel: Ah! tomarei satisfações dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos. E voltarei contra ti a minha mão, e purificarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda a impureza. E te restituirei os teus juízes, como foram dantes; e os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel. Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela com justiça”. (Isaías 1:23-27)

Aqui nós vemos que os pecados de indivíduos eram também pecados institucionais. Isaías profetizou contra os príncipes por serem rebeldes e companheiros de ladrões, amando as peitas e não fazendo justiça à quem precisava de justiça. Esses eram pecados individuais tanto quanto pecados institucionais porque a Bíblia não separa uma coisa da outra. As instituições são os indivíduos em suas relações com o próximo. O Estado, assim como a família e a Igreja, são estabelecem relações específicas entre indivíduos, relações essas que precisam se conformar às leis de Deus, como Isaías claramente nos mostra.

Então, se queremos ser fiéis a Grande Comissão, precisamos fazer discípulos, batizando-os e ensinando-os a aplicar a Lei de Deus em todas as suas relações, o que inclui as relações institucionais. Afinal, não são fantasmas que estão em Brasília. São indivíduos que precisam obedecer tudo o que Ele nos mandou guardar:

“Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam”. (Salmo 2:10-12)

É por isso que a Bíblia tão frequentemente associa a conversão das nações com a transformação das instituições destes povos. O motivo é que estas instituições não são tratadas de maneira impessoal, mas são tratadas como parte das relações humanas e, portanto, mudam à medida que os homens se convertem.

AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO

Quando consideramos o que é verdadeiramente uma Grande Comissão desprovida de transformação institucional, isto é, desprovida da transformação de indivíduos em suas relações com o próximo, não há outra conclusão se não de que isso é impedir as nações de colocarem em prático aquilo que, nas palavras de Jesus, é o segundo mais importante mandamento da Lei de Deus:

“Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. (Mateus 22:36-39)

Isso é uma citação de um mandamento de Levítico:

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19:18)

Neste mesmo capítulo, Moisés explicou que o mandamento de amar o próximo inclui a necessidade de termos tribunais justos para julgarmos a injustiça:

Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo… E quando o estrangeiro peregrinar convosco na vossa terra, não o oprimireis. Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; ama-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR vosso Deus. Não cometereis injustiça no juízo“. (Lev 19:14,33-35)

Então, segundo Moisés, o amor ao próximo, é o que estabelece a necessidade institucional de termos tribunais que o julguem com justiça. Jesus mandou ensinar “a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28:20) e que o segundo mais importante mandamento é o que está em Levítico 19:18, “Amarás o teu próximo”. Mas que é esse, que nós vamos ensinar aos indivíduos, que não é aquele que Isaías ensinou, que não se incomoda com um sistema em que o pobre, o órfão, a viúva e o estrangeiro são sistematicamente oprimidos sem que haja juízes para punir os malfeitores, como o que Isaías 1 descreve? Que amor é esse em que se tolera deficientes físicos sendo maltratados e humilhados (Lv 19:14) sem que não haja que ninguém possa fazer a respeito? A verdade é que não há como amar o próximo sem tomar providências institucionais necessárias para apoiá-lo em suas tribulações. “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (I Jo 3:18). Se a Grande Comissão inclui ensinar “a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28:20), então necessariamente inclui transformações, pois as instituições são os indivíduos em suas relações que precisam se arrepender, crer no Evangelho e obedecer a Deus.

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