dominoCAUSAS, EFEITOS E COSMOVISÃO
Por Frank Brito

“Assim, subiram lá, do povo, uns três mil homens, os quais fugiram diante dos homens de Ai. E os homens de Ai feriram deles uns trinta e seis, e os perseguiram desde a porta até Sebarim, e os feriram na descida; e o coração do povo se derreteu e se tornou como água. Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do SENHOR até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças… Então disse o SENHOR a Josué: Levanta-te; por que estás prostrado assim sobre o teu rosto? Israel pecou, e transgrediram a minha aliança que lhes tinha ordenado, e tomaram do anátema, e furtaram, e mentiram, e debaixo da sua bagagem o puseram. Por isso os filhos de Israel não puderam subsistir perante os seus inimigos; viraram as costas diante dos seus inimigos; porquanto estão amaldiçados; não serei mais convosco, se não desarraigardes o anátema do meio de vós”. (Josué 7:4-6,10-12)

A maneira com que analisamos e interpretamos a relação entre as causas e os efeitos de um determinado acontecimento reflete os pressupostos de nossa cosmovisão. Sob a perspectiva de uma cosmovisão naturalista, na qual não há Deus, espíritos, anjos, demônios ou padrão moral transcendental, mas somente uma realidade estritamente material, as causas da derrota ou da vitória na guerra será atribuída exclusivamente a fatores naturais. Sob a perspectiva de uma cosmovisão naturalista, a explicação dada pelo livro de Josué para a derrota de Israel na batalha contra Ai não faz qualquer sentido. A causa da derrota não foi porque Israel precisava treinar melhor seus soldados, porque não tinha cavalos suficientes ou porque usou a tática errada. A causa da derrota de todo o exército de Israel foi porque um homem, Acã, escondeu “duzentos siclos de prata, e uma cunha de ouro, do peso de cinqüenta siclos” (Js 7:21) de baixo da terra. Mas o que isso tem a ver com a batalha? O que os metais preciosos que um só homem enterra de baixo da terra tem a ver com a vitória ou a derrota militar de todo um exército? Sob a perspectiva de uma cosmovisão naturalista, não pode haver nenhuma relação. Mas essa forma de enxergar as coisas é errada simplesmente porque as causas de um determinado evento nunca são somente naturais ou materiais. O mundo material não é tudo o que existe. Portanto, restringir causas e efeitos a questões exclusivamente naturais e materiais é ter uma visão distorcida da realidade. A relação causal entre esses metais preciosos enterrados e a derrota militar faz todo sentido se não estivermos sob influência da ilusão do naturalismo:

“E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as buzinas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o SENHOR vos tem dado a cidade. Porém a cidade será anátema ao SENHOR, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá; ela e todos os que com ela estiverem em casa; porquanto escondeu os mensageiros que enviamos. Tão-somente guardai-vos do anátema, para que não toqueis nem tomeis alguma coisa dele, e assim façais maldito o arraial de Israel, e o perturbeis… E transgrediram os filhos de Israel no anátema; porque Acã filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema, e a ira do SENHOR se acendeu contra os filhos de Israel“. (Josué 6:16-18; 7:1)

Então, o fato de Acã ter tomado para si aquilo que havia sido declarado por Deus como “anátema” fez com que todo o povo fosse derrotado em batalha contra Ai. Ou seja, a situação fosse analisada levando em consideração fatores puramente naturais, a conclusão sobre o caso seria absolutamente errada. A derrota não teve qualquer relação com número de soldados ou táticas de guerra, mas exclusivamente com as sanções negativas de Deus contra todo o exército por um homem ter enterrado metais preciosos na terra. A maneira com que analisamos e interpretamos a relação entre as causas e os efeitos de um determinado acontecimento reflete os pressupostos de nossa cosmovisão. A Bíblia, de capa a capa, deixa muito claro que uma cosmovisão errada gera conclusões erradas sobre as causas de nossos problemas e, consequentemente, sobre a maneira de solucioná-los e também sobre as prioridades que deveríamos ter. Segue alguns exemplos:

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. (I Coríntios 11:27-32)

Deus estava enviando enfermidades e matando muitos entre os Coríntios por causa do pecado deles, incluindo a profanação da Ceia do Senhor. Simplesmente chamar médicos não resolveria o problema. Somente o arrependimento contribuiria para a cessação das enfermidades.

“E num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem. E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou”. (Atos 12:21-23)

Por que Herodes morreu? Porque “não deu glória a Deus” (v. 23). Qualquer análise das causas de sua morte sob uma perspectiva naturalista estaria absolutamente errada.

“O SENHOR teu Deus temerás e a ele servirás, e pelo seu nome jurarás. Não seguireis outros deuses, os deuses dos povos que houver ao redor de vós; Porque o SENHOR teu Deus é um Deus zeloso no meio de ti, para que a ira do SENHOR teu Deus se não acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra”. (Deuteronômio 6:13-15)

Aqui vemos que a segurança de uma nação é posta em risco por conta dos falsos deuses que são adorados naquela nação. Quando um falso deus é cultuado, a “ira do SENHOR” se acende contra aqueles adoradores e isso poderá ser a causa da destruição de toda a nação.

A maneira com que analisamos e interpretamos a relação entre as causas e os efeitos de um determinado acontecimento reflete os pressupostos de nossa cosmovisão. Se temos uma cosmovisão naturalista, iremos analisar todas as coisas sob uma ótica exclusivamente material e natural. Se nossa cosmovisão é bíblica, iremos analisar as coisas sob a perspectiva de causas e efeitos naturais e sobrenaturais, segundo o padrão ensinado nas leis e nos pactos de Deus. Isso determina, inclusive, nossas prioridades. Um naturalista, por exemplo, poderá argumentar que adorar esse ou aquele deus é insignificante e que alimentar um faminto é infinitamente mais importante. Mas sob a perspectiva da cosmovisão bíblica, a adoração de falsos deuses é justamente uma das causas da fome em uma nação (Dt 32:24; Jr 24:10; Ez 5:17; 14:13), então adorar o Deus verdadeiro, da maneira correta é importante, entre outros motivos, para impedir a fome! Frequentemente, as pessoas avaliam as coisas como sendo sem importância ou como tendo pouca importância, não porque de fato seja assim, mas porque elas estão infectadas com as pressuposições erradas, que as leva a buscar soluções erradas, com prioridades erradas.

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