hebrewsQUEM ESCREVEU A EPÍSTOLA AOS HEBREUS?
Por Frank Brito

A Epístola aos Hebreus não identifica explicitamente quem é o autor. Apesar disso, creio que temos evidências suficientes para crer que o autor foi o Apóstolo Paulo.

A primeira e mais forte evidência vem do Apóstolo Pedro:

“… e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; como faz também em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, mas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição”. (II Pedro 3:15-16)

Há três coisas importantes que precisamos observar nas palavras de S. Pedro:

(a) Ele fala de uma carta de Paulo que foi escrita para os mesmos destinatários: “o nosso amado irmão Paulo vos escreveu”.

(b) Ele distingue esta carta específica das outras cartas de Paulo: “como faz também em todas as suas epístolas”.

(c) Ele coloca todas estas cartas como sendo partes das Escrituras, tendo a mesma autoridade que as Escrituras do Antigo Testamento: “como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição”.

Sendo assim, se conseguirmos identificar quem eram estes destinatários da carta de Pedro, teremos também identificado quem são os destinatários da epístola de Paulo que havia sido escrita para eles e, com base nisso, poderemos identificar de que carta, escrita por Paulo, Pedro estava falando.

Conforme lemos em II Pedro 3:1, os destinatários desta segunda carta de Pedro eram os mesmos de sua primeira carta:

“Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas”. (I Pedro 1:1-2)

S. Pedro não estava escrevendo para uma única comunidade, mas para muitas – “aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”. É importante observar que a epístola de Tiago começa de maneira parecida:

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão, saúde”. (Tiago 1:1)

No grego, a palavra traduzida como “Dispersão” em I Pedro 1:1 e Tiago 1:1 é διασπορά – diaspora. Este era um termo técnico usado no primeiro século para se referir especificamente aos israelitas espalhados pelo mundo, como define o dicionário Strong:

διασπορά
diaspora
1) dispersão; diáspora
1a) dos Israelitas dispersados entre nações estrangeiras

João Calvino fala sobre isso em seu comentário de I Pedro 1:1:

“Aqueles que pensam que ele está se referindo a todos os piedosos, porque eles são estrangeiros no mundo e estão caminhando rumo a pátria celestial, estão errados, e este erro é evidente por causa da palavra ‘dispersão’ que vem imediatamente depois. Isso pode ser aplicados aos judeus somente, não somente porque eles foram banidos da própria terra e ficaram espalhados aqui e ali, mas também porque eles haviam sido expulsos daquela terra que havia sido prometida pelo Senhor como uma herança perpétua […] Eles eram estrangeiros porque eles estavam dispersos, alguns em Ponto, alguns na Galácia e alguns na Capadócia. E não é estranho que ele tenha escrito esta carta especialmente para os judeus, pois ele sabia que havia sido nomeado para ser o apóstolo deles de uma maneira especial, como Paulo nos ensina em Gl 2:8”.

As duas cartas de Pedro, então, não foram escritas para nenhuma igreja particular, mas para os judeus cristãos que estavam, como estrangeiros, em diversas partes do mundo. É por isso que S. Tiago se dirige “às doze tribos da Dispersão”. Ou seja, são as doze tribos da nação de Israel. E isso explica porque S. Pedro se refere aos gentios na terceira pessoa:

“… tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação”. (I Pedro 2:12)

A carta fala muito sobre perseguição, sobre perseverar em meio a perseguição e sobre como proceder em relação as autoridades em meio a esta perseguição:

“… na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória, alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas”. (I Pedro 1:6-9)

“Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma; tendo o vosso procedimento correto entre os gentios, para que naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação. Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor, quer ao rei, como soberano, quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, façais emudecer a ignorância dos homens insensatos, como livres, e não tendo a liberdade como capa da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai aos irmãos. Temei a Deus. Honrai ao rei. Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos vossos senhores, não somente aos bons e moderados, mas também aos maus. Porque isto é agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, suporte tristezas, padecendo injustamente. Pois, que glória é essa, se, quando cometeis pecado e sois por isso esbofeteados, sofreis com paciência? Mas se, quando fazeis o bem e sois afligidos, o sofreis com paciência, isso é agradável a Deus. Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas. Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano; sendo injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados”. (I Pedro 2:11-24)

“Mas também, se padecerdes por amor da justiça, bem-aventurados sereis; e não temais as suas ameaças, nem vos turbeis; antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós; tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, fiquem confundidos os que vituperam o vosso bom procedimento em Cristo. Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal“. (I Pedro 3:14-17)

“Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus. Que nenhum de vós, entretanto, padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus neste nome“. (I Pedro 4:12-16)

Claramente, então, I e II Pedro foram escritos para judeus cristãos que estavam passando por sérias perseguições no Império. S. Pedro escreveu para fortalecê-los na fé, em meio a perseguição, e para adverti-los a não tornarem-se revolucionários em uma luta armada contra as forças do Império.

Além disso, é importante observar que ele diz, no final de I Pedro, de onde ele estava escrevendo:

“A vossa co-eleita em Babilônia vos saúda, como também meu filho Marcos. Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz seja com todos vós que estais em Cristo”. (I Pedro 5:13-14)

Se ele estava usando “Babilônia” no mesmo sentido em que encontramos em Apocalipse 17, então ele estava se referindo a cidade de Jerusalém. Se isso é verdade, então a provável circunstância é que os “estrangeiros na Dispersão” eram judeus cristãos que haviam fugido de Jerusalém em meio a alguma perseguição e Pedro tinha ficado lá e escrito a carta para consolá-los nos diferentes lugares do Império para onde tinham ido.

Sendo assim, temos uma fortíssima evidência de que a carta aos Hebreus foi escrita pelo Apóstolo Paulo. Pois no final de sua segunda carta, S. Pedro fala de uma epístola que Paulo que tinha escrito para os mesmos destinatários: “o nosso amado irmão Paulo vos escreveu” (II Pd 3:15). Além disso, ele coloca este escrito de S. Paulo como parte das Sagradas Escrituras (II Pd 3:16). Nenhuma das outras treze epístolas do Apóstolo Paulo que encontramos no Novo Testamento se enquadra nisso, exceto a epístola aos Hebreus. Se ele não estava falando da epístola aos Hebreus, a única alternativa é dizer que havia outra epístola escrita por Paulo aos judeus, que ela se perdeu e, com isso, parte do que os Apóstolos reconheciam sendo como a Escritura Sagrada se perdeu.

Outra evidência, menor do que esta primeira, de que o Apóstolo Paulo escreveu a epístola aos Hebreus é a saudação no final da carta:

A graça seja com todos vós”. (Hebreus 13:25)

S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses sobre suas saudações no final de suas cartas:

“Esta saudação é de próprio punho, de Paulo, o que é o sinal em cada epístola; assim escrevo. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós“. (II Tessalonicenses 3:17-18)

As cartas de S. Paulo não eram normalmente escritas de próprio punho. Normalmente, ele ditava e alguém ia escrevendo para ele. A epístola aos Romanos, por exemplo, foi ditada por Paulo, mas foi escrita por Tércio:

Eu, Tércio, que escrevo esta carta, vos saúdo no Senhor. Saúda-vos Gaio, hospedeiro meu e de toda a igreja. Saúda-vos Erasto, tesoureiro da cidade, e também o irmão Quarto”. (Romanos 16:22-23)

Aparentemente, a única carta que foi escrita pelo próprio Paulo, sem ditar para ninguém, foi a carta aos Gálatas:

“Vede com que grandes letras vos escrevo com minha própria mão“. (Gálatas 6:11)

Tudo indica que sua doença nos olhos era o motivo pelo qual ele não costumava escrever as próprias cartas e, quando escrevia, tinha letras grandes:

“… e vós sabeis que por causa de uma enfermidade da carne vos anunciei o evangelho a primeira vez, e aquilo que na minha carne era para vós uma tentação, não o desprezastes nem o repelistes, antes me recebestes como a um anjo de Deus, mesmo como a Cristo Jesus. Onde está, pois, aquela vossa satisfação? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os vossos olhos, e me teríeis dado“.(Gálatas 4:13-15)

Mas, apesar de normalmente não escrever as próprias carta, ele deu aos Tessalonicenses duas evidências de que as cartas eram realmente dele. Primeiro, a saudação seria de seu próprio punho. Segundo, sua saudação seria de uma maneira específica. Este seria o sinal de que carta havia realmente sido escrita por ele e não por alguém tentando se passar por ele. Ele fala sobre este problema com falsificadores um capítulo antes:

“Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos-vos, irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto”. (II Tessaloniscenses 2:1-2)

Evidentemente, não temos mais como saber como era sua letra e nem as cartas originais para compararmos sua letra com a saudação no final das cartas. Mas ainda temos o conteúdo da saudação. Como ele disse aos Tessalonicenses, sua saudação de fato sempre segue o mesmo padrão em todas as cartas:

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém”. (Romanos 16:24)

Esta saudação é de meu próprio punho, Paulo. Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema! Maranata. A graça do Senhor Jesus seja convosco“. (I Coríntios 16:21-23)

“Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós“. (II Coríntios 13:13-14)

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém”. (Gálatas 6:18)

A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível”. (Efésios 6:24)

“Todos os santos vos saúdam, especialmente os que são da casa de César. A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito”. (Filipenses 4:22-23)

Esta saudação é de próprio punho, de Paulo. Lembrai-vos das minhas cadeias. A graça seja convosco“. (Colossenses 4:18)

“Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os irmãos. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco“. (I Tessalonicenses 5:27-28)

Esta saudação é de próprio punho, de Paulo, o que é o sinal em cada epístola; assim escrevo. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós“. (II Tessalonicenses 3:17-18)

“ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, evitando as conversas vãs e profanas e as oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja convosco“. (I Timóteo 6:20-21)

“Apressa-te a vir antes do inverno. Saúdam-te åubulo, Pudente, Lino, Cláudia, e todos os irmãos. O Senhor seja com o teu espírito. A graça seja convosco“. (II Timóteo 4:21-22)

“Saúdam-te todos os que estão comigo. Saúda aqueles que nos amam na fé. A graça seja com todos vós“. (Tito 3:15)

A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito“. (Filemon 1:25)

A epístola aos Hebreus termina da mesma maneira, desejando a graça:

A graça seja com todos vós“. (Hebreus 13:25)

Nenhum outro Apóstolo além de Paulo termina sua carta assim:

“… sabei que aquele que fizer converter um pecador do erro do seu caminho salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados”. (Tiago 5:20)

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz seja com todos vós que estais em Cristo”. (I Pedro 5:14)

“Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que pelo engano dos homens perversos sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade”. (II Pedro 3:17-18)

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. (I João 5:21)

“Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita”. (II João 1:13)

“Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos face a face. Paz seja contigo. Os amigos te saúdam. Saúda os amigos nominalmente”. (II João 1:14-15)

“… ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém”. (Judas 1:25)

E a terceira evidência de que S. Paulo escreveu a Epístola aos Hebreus é que o autor se identifica como alguém que andava com Timóteo e que estava aguardando ele chegar depois de ser solto da prisão (Hb 13:23).

A mais forte evidência normalmente apresentada para demonstrar que S. Paulo não foi o autor de Hebreus são as palavras de Hebreus 2:

“Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram: testificando Deus juntamente com eles, por sinais e prodígios, e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade”.
(Hebreus 2:2-4)

O argumento aqui é que o autor parece falar dos Apóstolos na terceira pessoa, como se ele não fosse um: “tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram: testificando Deus juntamente com eles, por sinais e prodígios, e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade”. Mas o que ele diz aí pode ser facilmente explicado pelo fato dele ser um Apóstolo dos gentios, não dos judeus, como ele explica em outros lugares:

“… deste modo esforçando-me por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão; e os que não ouviram, entenderão”. (Romanos 15:20-21)

“Onde Cristo houvera sido nomeado” se refere a Israel e “fundamento alheio” se refere ao trabalho daqueles que já eram Apóstolos antes dele. Como ele diz também aos Gálatas:

“Aquele que operou a favor de Pedro para o apostolado da circuncisão, operou também a meu favor para com os gentios. E quando conheceram a graça que me fora dada, Tiago, Cefas e João, que pareciam ser as colunas, deram a mim e a Barnabé as destras de comunhão, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão“. (Gálatas 2:8-9)

Sendo assim, o foco das missões de Paulo eram os gentios e o foco do ministério de S. Pedro eram os judeus. Isso não significava, é claro, que eles não poderiam pregar ou ministrar para quem não estivesse dentro deste foco. Se alguém decidi ser missionário entre os espanhóis, isso não significa que ela nunca poderá pregara para chineses. Significa somente que ela estará dando mais ênfase ministerial aos espanhóis do que aos chineses. É neste sentido que S. Paulo era Apóstolo dos Gentios, não dos Hebreus. E é por isso que a maioria de suas cartas eram escritas para igrejas gentílicas. Mas S. Pedro disse que havia uma carta que havia fugido dessa regra. Era uma carta escrita para judeus que estavam sob o ministério de S. Pedro. Isso explica porque Paulo apresentaria os demais Apóstolos como sendo aqueles que testificaram do Evangelho para eles. Eles, não S. Paulo, eram os Apóstolos da circuncisão. Era uma forma de reconhecido ministerial daqueles que, antes dele, já haviam lançado o fundamento entre os judeus, da mesma forma que os demais Apóstolos o reconheciam como o legítimo Apóstolo dos Gentios (Gl 2:8-9).

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