IsaíasDEUS AINDA ENVIA PROFETAS? (PARTE III)
Por Frank Brito

“Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão”. (I Coríntios 15:1-2)

“Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina”. (Efésios 2:18-20)

Parte IParte II – Parte III – Parte IV

Na primeira parte deste estudo foi demonstrado que as palavras dos verdadeiros profetas são a própria Palavra de Deus – inerrante e infalível. E na segunda parte foi demonstrado que as Escrituras são simplesmente o meio “divinamente inspirado” (II Tm 3:16) de preservar a Palavra de Deus para gerações futuras. Isso nos nos leva a seguinte ao seguinte questionamento: Deus ainda envia Profetas? Essa é uma pergunta muito importante de responder. Se Deus continua a enviar profetas, isso significa que Ele ainda está revelando Sua Palavra, pois as palavras dos profetas são a Palavra de Deus em suas bocas (Dt 18:18; Jr 1:5-10; II Cr 35:21-22). Ou seja, se Deus continua a enviar profetas, devemos obedecê-los tanto quanto obedecemos as Escrituras, pois as profecias bíblicas tinham a mesma autoridade da Escritura antes de serem registradas por escrito e mesmo quando não eram registradas por escrito. Desde que “veio a [Jeremias] a Palavra do Senhor, dizendo: Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém…” (Jer 2:1-2), seu clamor aos ouvidos do povo já era a Palavra de Deus em sua boca (Dt 18:18) antes mesmo deste clamor ser registrado por escrito no livro que agora temos em mãos.

CONSERVAI O QUE JÁ RECEBESTES

S. Paulo ensinou aos Efésios que a Igreja é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina”.Este fundamento é a Palavra de Deus, que é a doutrina de Cristo, revelada e transmitida por meio dos Apóstolos e Profetas. Um fundamento é algo que que se lança no início de uma construção, para erguer o resto do edifício sobre ele. S. Paulo escreveu: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (I Co 3:10-11). Ou seja, o fundamento da Igreja, já foi lançado e não está sendo mais. S. Paulo e os demais Apóstolos junto com os Profetas já lançaram o fundamento e “ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto”. Isso significa que a Palavra de Deus não está mais sendo transmitida. Ela já foi transmitida. Ela é o fundamento da Igreja que já foi lançado no primeiro século. Os Apóstolos e Profetas transmitiram a plenitude da Palavra, eles lançaram a plenitude do fundamento já no primeiro século da era cristã. Outros textos deixa isso igualmente claro:

“Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão”. (I Coríntios 15:1-2)

Aqui vemos que S. Paulo, além ter ensinado aos Coríntios que o fundamento já havia sido lançado e tudo o que eles poderiam fazer era edificar sobre o fundamento já posto, ele deixou claro também que a obrigação dos cristãos era conservar o Evangelho conforme já havia sido transmitido a eles. Ou seja, o Evangelho que os Coríntios receberam dos Apóstolos não era um Evangelho parcial, mutilado, que ainda precisaria ser complementado com alguma doutrina nova no século 21. Era o Evangelho íntegro e puro que precisa ser conservado hoje da mesma forma que foi anunciado pelos Apóstolos há dois mil anos:

“Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo. Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes“. (I Coríntios 15:9-11)

Como ele escreveu também aos Gálatas:

“Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gálatas 1:6-8)

Novamente, o Evangelho que foi anunciado pelos Apóstolos aos Gálatas não era um Evangelho parcial, mutilado, que ainda precisaria ser complementado com alguma doutrina nova. Se algum acréscimo fosse feito aquela mesma mensagem, os inovadores deveriam ser anatemizados. Judas enfatizou o mesmo:

“Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo: Misericórdia, paz e amor vos sejam multiplicados. Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos“. (Judas 1:1-3)

Aqui Judas nos exorta a batalhar pela “fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos”. A “fé” aqui se refere ao corpo doutrinário do Cristianismo, do que os cristãos devem crer e como devem viver. Ele diz que esta fé, a fé Cristã, foi “de uma vez para sempre” entregue aos santos. Ou seja, a fé já havia sido revelada, em sua plenitude, no primeiro século, não continua a ser revelada agora. Deus não continua a revelar Sua Palavra. Ele já a revelou. O que precisamos é fazer não é receber palavras novas, mas batalhar pela Palavra “de uma vez para sempre” revelada, conservando-a como ela foi anunciada pelos Apóstolos, não lançando outro fundamento além do que já está posto. E se alguém assim fizer, que seja anátema. Como escreveu o Reformador Protestante João Calvino:

“Não é função do Espírito que Cristo nos prometeu desvendar novas e indizíveis revelações, ou forjar novos tipos de doutrina, pelos quais sejamos desviados do ensino do Evangelho já recebido. Ao contrario, a função do Espírito é a de selar, na nossa mente, a mesma doutrina que o Evangelho nos recomenda”. (João Calvino, Institutas da Religião Cristã, Livro I, Capítulo 9)

SELANDO A VISÃO E A PROFECIA

Além do Novo Testamento deixar claro que a plenitude da fé cristã foi revelada pelos Apóstolos e Profetas ainda no primeiro século, há um importante oráculo no livro de Daniel relacionado a isso:

“Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo”. (Daniel 9:24)

Esta é a famosa profecia de Daniel sobre as setenta semanas. O anjo lhe revelou que um período de setenta semanas estava decretado “para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo”. Na próxima parte deste estudo será demonstrado que estas setenta semanas chegaram ao fim no primeiro século da era cristã e que, desde então, Deus deixou de enviar Profetas.

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