broken crossQUANDO VIER O FILHO DO HOMEM, ACHARÁ FÉ NA TERRA? (Parte V)
Por Frank Brito

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Quase no fim de Sua jornada, Jesus contou a parábola do juiz iníquo:

“Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me incomoda, hei de fazer-lhe justiça, para que ela não continue a vir molestar-me. Prosseguiu o Senhor: Ouvi o que diz esse juiz injusto. E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:2-8)

Aqui o Senhor contou a parábola de uma viúva desamparada que dependia da boa vontade de um juiz iníquo. O juiz não temia a Deus e por isso não julgava a causa da viúva. Mas ele acabou voltando atrás. Não porque ele se arrependeu de sua iniquidade, mas porque a viúva o perturbou tanto que ele decidiu que seria melhor atende-la do que continuar a ser importunando. Jesus usa isso como base para falar da justiça de Deus. Se um juiz iníquo pode ser levado a julgar a causa de uma viúva desamparada simplesmente para não ser mais importunado, quanto mais Deus “que não faz acepção de pessoas, nem recebe peitas; que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa” (Dt 10:18)! Se um juiz iníquo pode ser levado a fazer justiça por intenções erradas, “não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles?” (Lc 18:7) Diferente do juiz injusto que só trabalha sob pressão, a “mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles” (Ed 8:22), “é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6) e por isso “depressa lhes fará justiça” (Lc 18:8). Esse é o contexto da pergunta de Jesus:

“Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8)

Isso foi uma reclamação. Ele estava mostrando que Deus é tão disposto a socorrer os homens, mas estes não tem fé e se voltam contra Deus em vez de buscá-lo. Isso é parecido com o que Ele tinha dito antes de contar a parábola da casa vazia e dos sete demônios que voltaram:

“Disse-lhes também: Se um de vós tiver um amigo, e se for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois que um amigo meu, estando em viagem, chegou a minha casa, e não tenho o que lhe oferecer; e se ele, de dentro, responder: Não me incomodes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para te atender; digo-vos que, ainda que se levante para lhos dar por ser seu amigo, todavia, por causa da sua importunação, se levantará e lhe dará quantos pães ele precisar. Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede, recebe; e quem busca acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11:5-13)

Na parábola do juiz iníquo, então, Jesus não estava falando da segunda vinda no fim da história, mas do dia de sua visitação em Jerusalém, no qual Israel, em vez de buscá-lo com fé, rejeitou o único que poderia salvá-los dos romanos:

“Tomando Jesus consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém e se cumprirá no filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito” (Lucas 18:31)

Este seria o dia da visitação, como é dito no capítulo seguinte:

“E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses,ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação”. (Lucas 19:41-44)

Jerusalém foi destruído pelos romanos cerca de quarenta anos depois. Era como uma viúva indefesa nas mãos de um juiz iníquo. Poderiam evitar a destruição clamando a Deus: “se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz!” (Lc 19:41). Como está escrito também: “Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte; porque não convém que morra um profeta fora de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! Eis aí, abandonada vos é a vossa casa. E eu vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”. (Lucas 13:33-35) “E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça” (Lc 18:7). Mas Israel não clamou. Israel não teve fé. “Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18:7-8). Não achou. Por isso, “não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação” (Lc 19:44). A vinda de Cristo em Lucas 18:8 é a mesma que já havia sido predito pelos profetas:

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta”. (Zacarias 9:9)

“Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o Mensageiro do pacto, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros”. (Malaquias 3:1-2)

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