broken crossQUANDO VIER O FILHO DO HOMEM, ACHARÁ FÉ NA TERRA? (Parte IV)
Por Frank Brito

Parte IParte IIParte IIIParte IVParte V

O BOM SAMARITANO

“Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus, prosseguindo, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo”. (Lucas 10:29-37)

Essa parábola fala da necessidade geral de amar ao próximo, mas assim como as outras parábolas, precisamos entender o contexto original em que ela foi contada. Os judeus e os samaritanos se odiavam mutuamente. É por isso que, no princípio de Sua viagem, os samaritanos não queriam receber Cristo em uma de Suas aldeias: “Enviou, pois, mensageiros adiante de si. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe prepararem pousada. Mas não o receberam, porque viajava em direção a Jerusalém” (Lucas 9:52-53). Como já demonstramos neste estudo, Cristo, por Sua vinda, fez com que o Reino de Deus passasse a incluir todos os povos. Isso era contrário as expectativas da maioria dos judeus do primeiro século. Mas nesta parábola Cristo mostrou que o samaritano poderia ser um observador da Lei, enquanto até mesmo um levita ou sacerdote judeu poderiam ser um transgressores da Lei. Enquanto o sacerdote e o levita “passaram de largo”, o samaritano observou a lei de Levítico que o hipócrita “doutor” da Lei acabara de citar na conversa Cristo:

“E eis que se levantou certo doutor da Lei e, para o experimentar, disse: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Perguntou-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como lês tu? Respondeu-lhe ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. Tornou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo?” (Lucas 10:25-29)

Ele era um “doutor da Lei”, mas não entendia algo tão básico e rudimentar: “quem é o meu próximo?“.
Jesus o respondeu da maneira mais surpreendente possível. Contando a história de um samaritano que entendia melhor de Levítico 19:17 do que um levita e um sacerdote judeu juntos. “Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo” (Lucas 10:37). Isto não era um recado somente para aquele “doutor da Lei” individualmente. Era um recado para todo o povo de Israel. Era o mesmo recado que já havia sido dado pelos antigos profetas:

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da Lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Quanto mais eles se multiplicaram tanto mais contra mim pecaram: eu mudarei a sua honra em vergonha. Alimentavam-se do pecado do meu povo, e de coração desejam a iniquidade dele. Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei conforme os seus caminhos, e lhe darei a recompensa das suas obras“. (Oseias 4:6-9)

A CASA VAZIA

“Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede, recebe; e quem busca acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? Estava Jesus expulsando um demônio, que era mudo; e aconteceu que, saindo o demônio, o mudo falou; e as multidões se admiraram. Mas alguns deles disseram: É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios. E outros, experimentando-o, lhe pediam um sinal do céu. Ele, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo será assolado, e casa sobre casa cairá. Ora, pois, se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso dos demônios por Belzebu. E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos filhos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, logo é chegado a vós o reino de Deus. Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança estão os seus bens; mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava, e reparte os seus despojos. Quem não é comigo, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”. (Lucas 11:9-23)

Aqui Jesus começou falando que Deus, como um bom Pai, estava disposto a dar o Seu Espírito a todos que pedissem. Os líderes de Israel, todavia, eram maus e, em vez de agradecer a Cristo por expulsar os espíritos imundos pelo poder do Espírito de Deus, diziam que isso era feito pelo poder de Satanás. A expulsão de demônios por Cristo em Israel era um sinal de que o Reino de Deus estava sendo estabelecido. Jesus, então, contou uma parábola para ilustrar o que estava acontecendo e o que aconteceria com Israel:

“Ora, havendo o espírito imundo saindo do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; e não o encontrando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E chegando, acha-a varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro“. (Lucas 11:23-26)

Aqui Jesus explicou que o fato de alguém ter um demônio expulso de seu corpo não significa que esta pessoa seja de fato convertida. Na explicação de Jesus, o espírito imundo havia saído do homem, mas ele não se tornou habitação do Espírito Santo. A casa estava varrida e adornada, mas estava “desocupada”. (v. 44). Sendo assim, o demônio voltou com outros ainda piores e aquele homem se tornou ainda pior do que era antes do demônio ser expulso dele (v. 45). Isso é um princípio universal que se aplica a todos que passam por uma conversão externa e aparente, mas que não passam por uma conversão genuína. Mas Jesus explicou que isso é o que aconteceria coletivamente com a nação de Israel naquela mesma geração, como o Evangelho de Mateus deixa mais claro:

“Ora, havendo o espírito imundo saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E, chegando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entretanto, habitam ali; e o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro. Assim há de acontecer também a esta geração perversa”. (Mateus 12:43-45)

Jesus, e os apóstolos depois d’Ele passaram anos limpando Israel de espíritos imundos. Mas, ainda assim, a maioria não creu. E porque não creram demônios ainda piores voltaram para atormentar Israel. É o que aconteceu com Israel quando a nação foi destruída pelos romanos, “o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro“. “O reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos” (Mateus 21.41,43) É por isso que, logo depois, Cristo comparou os gentios justos com os judeus incrédulos de Sua própria geração:

“Como afluíssem as multidões, começou ele a dizer: Geração perversa é esta; ela pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o de Jonas; porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, também o Filho do homem o será para esta geração. A rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis, aqui quem é maior do que Salomão. Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis aqui quem é maior do que Jonas”. (Lucas 11:29-32)

A GRANDE CEIA

“Jesus, porém, lhe disse: Certo homem dava uma grande ceia, e convidou a muitos. E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: vinde, porque tudo já está preparado. Mas todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e preciso ir vê-lo; rogo-te que me dês por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me dês por escusado. Ainda outro disse: Casei-me e portanto não posso ir. Voltou o servo e contou tudo isto a seu senhor: Então o dono da casa, indignado, disse a seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos”. (Lucas 14:16-24)

Aqui Jesus falou de dois grupos de convidados para a “grande ceia”. O primeiro grupo se recusou a ir, inventando diferentes desculpas. O segundo grupo era formado pelos “pobres, os aleijados, os cegos e os coxos”. A “grande ceia” representa o Reino de Deus. O primeiro grupo representa Israel. O segundo grupo representa os gentios. Cristo veio instituir o Reino de Deus, mas Israel se recusou a entrar. Então o Reino de Deus foi transferido para os gentios.

Outras parábolas poderiam ser citadas, mas estas são suficientes para demonstrar que, em todas elas, a ênfase de Jesus era enfatizar os seguintes pontos:

1) A chegada do Reino de Deus por meio de Jesus Cristo.

2) A oposição e incredulidade de Israel a Jesus Jesus Cristo.

3) O juízo de Deus que viria contra Israel por sua incredulidade por sua incredulidade.

A próxima parte deste estudo será sobre como a parábola do juiz iníquo está relacionada a tudo isso.

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