broken crossQUANDO VIER O FILHO DO HOMEM, ACHARÁ FÉ NA TERRA? (Parte III)
Por Frank Brito

Parte IParte IIParte IIIParte IVParte V

JUÍZO EM PARÁBOLAS

“Respondeu ele: A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros se fala por parábolas; para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam”. (Lucas 8:10)

Antes e depois de entrar em Jerusalém, Cristo claramente profetizou a destruição de Jerusalém na Guerra Judaico-Romana. Mas além de profetizar claramente, Ele profetizou o mesmo por meio de parábolas. As parábolas envolvem especialmente três coisas: o Reino de Deus, a incredulidade de Israel e o juízo de Deus contra Israel.

A PARÁBOLA DOS LAVRADORES MAUS

“Começou então a dizer ao povo esta parábola: Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se do país por muito tempo. No tempo próprio mandou um servo aos lavradores, para que lhe dessem dos frutos da vinha; mas os lavradores, espancando-o, mandaram-no embora de mãos vazias. Tornou a mandar outro servo; mas eles espancaram também a este e, afrontando-o, mandaram-no embora de mãos vazias. E mandou ainda um terceiro; mas feriram também a este e lançaram-no fora. Disse então o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; a ele talvez respeitarão. Mas quando os lavradores o viram, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança seja nossa. E lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o senhor da vinha? Virá e destruirá esses lavradores, e dará a vinha a outros. Ouvindo eles isso, disseram: Tal não aconteça! Mas Jesus, olhando para eles, disse: Pois, que quer dizer isto que está escrito: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular? Todo o que cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó. Ainda na mesma hora os escribas e os principais sacerdotes, percebendo que contra eles proferira essa parábola, procuraram deitar-lhe as mãos, mas temeram o povo”. (Lucas 20:9-19)

A parábola fala de dois grupos de lavadores. O primeiro grupo foi substituído por um segundo grupo. O primeiro grupo foi punido com morte pelo senhor da vinha. O primeiro grupo, além de não dar frutos, ainda matou o filho do senhor da vinha.

O primeiro grupo da parábola representa a nação de Israel sob o Antigo Pacto. Jesus Cristo falou de como Israel foi rebelde por toda sua história. Ele fala de como Deus “no tempo próprio mandou um servo aos lavradores, para que lhe dessem dos frutos da vinha” (Lc 20:10). Este “servo” representa os antigos profetas. Jesus está lembrando aos líderes de Israel qual havia sido a reação a cada profeta que lhes era enviado: “os lavradores, espancando-o, mandaram-no embora de mãos vazias” (Lc 20:11). Cristo falou ainda de uma segunda sequência de profetas que foram enviados, mas que acabaram tendo o mesmo fim: “Tornou a mandar outro servo; mas eles espancaram também a este e, afrontando-o, mandaram-no embora de mãos vazias. E mandou ainda um terceiro; mas feriram também a este e lançaram-no fora” (Lc 20:11-12). O último profeta do cânon do Antigo Testamento foi Malaquias. Um fato importante sobre Malaquias é que ele profetizou a vinda de Jesus Cristo ao templo de Deus em Jerusalém:

“Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o Mensageiro do pacto, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros”. (Malaquias 3:1-2)

Primeiro, o texto se refere ao “mensageiro que preparará o caminho diante de mim” (v. 1). Isso é uma clara referência a João Batista: “Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu mensageiro ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados”. (Mc 1:2-4) João Batista foi quem preparou o caminho diante de Jesus Cristo, o Senhor – “o Mensageiro do Pacto” (Ml 3:1). Então Malaquias profetizou que Jesus Cristo “de repente virá ao seu templo”. Isso se refere à chegada de Jesus Cristo no templo, após a sua entrada triunfal, para debater publicamente com os líderes de Israel e anunciar o juízo de Deus sobre eles. Foi sobre isso que Jesus Cristo falou em sua parábola: “Disse então o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; a ele talvez respeitarão” (Lc 20:13). A reação de Israel com a vinda do Filho de Deus não foi diferente da reação que tiveram com os antigos profetas: “Mas quando os lavradores o viram, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança seja nossa”
(Lc 20:14). Apesar de Jesus Cristo ter sido executado pelas autoridades romanas, o Novo Testamento reconhece que os líderes judaicos foram os responsáveis primários porque foram eles que entregaram Jesus aos romanos:

“Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos”. (Atos 2.22-23)

“Pois vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judéia; porque também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que elas padeceram dos judeus; os quais mataram ao Senhor Jesus, bem como aos profetas, e a nós nos perseguiram”. (I Tessalonicenses 2.14-15)

Aqui o Apóstolo Paulo diz o mesmo que já havia sido dito por Jesus em sua parábola: os judeus eram culpados tanto pela morte dos antigos profetas quanto pela morte do Filho de Deus. Isso não significa que os romanos não tivessem culpa nenhuma. Significa somente que a culpa dos judeus era maior. Jesus falou sobre isso em sua conversa com Pôncio Pilatos: “aquele que me entregou a ti, maior pecado tem”. (Jo 19.11) Em seguida, Jesus Cristo perguntou aos líderes de Israel, qual seria a punição que o senhor da vinha – Deus Pai – daria aos lavradores pelo assassinato de seus servos e de seu próprio Filho. O Evangelho de S. Mateus dá maiores detalhes sobre essa parte:

“Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Responderam-lhe eles: Fará perecer miseravelmente a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe entreguem os frutos”. (Mateus 21.41)

Jesus confirmou que a conclusão deles estava correta, declarou que os lavradores de sua parábola eram os próprios líderes de Israel e avisa que teriam o fim que eles mesmos haviam reconhecido como justo:

“Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó. Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas parábolas, entenderam que era deles que Jesus falava”. (Mateus 21.42-45)

O que Jesus avisou ai em parábolas é o mesmo que Ele já havia dito sem parábolas antes mesmo de entrar em Jerusalém:

“Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados, e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação”. (Lucas 19:41-44)

Segundo a parábola, a destruição de Israel significaria a transferência do reino de Deus a outro povo. “Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos… o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos” (Mateus 21.41,43). Isso é o mesmo que já havia sido profetizado por Isaías. Isaías profetizou que como consequência da rebelião de Israel Deus se revelaria e seria obedecido por “um povo que não se chamava do meu nome” (Isaías 65.1) O Apóstolo Paulo revelou a identidade deste povo:

“Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a Lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da Lei; tropeçaram na pedra de tropeço… Mas digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira. E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam”. (Romanos 9.30-31,10.19-20)

As Escrituras costumam dividir o mundo em dois grupos: israelitas e gentios. No grupo dos gentios estavam todas as nações que não fossem Israel. Sob o Antigo Pacto, os gentios eram aqueles que, com poucas exceções, “não perguntavam por mim… não me buscavam… não se chamava do meu nome”. (Isaías 65.1) Isso não deve ser de qualquer forma entendido como se os judeus tivessem sido inteiramente lançados fora por Deus ou que eles não têm mais acesso a Deus pelo mero fato de serem judeus. Israel foi lançada fora de sua posição especial de rainha das nações (cf. Ez 16:1-14; Ex 19:5-6; Dt 28:1-2; Ap 17:18; 18:7). A situação dos judeus agora é parecida a dos gentios sob o Antigo Pacto. Os gentios crentes eram uma minoria em relação aos judeus. A maioria dos gentios era pagã. Agora é o contrário. Os judeus cristãos são uma minoria em relação aos gentios cristãos. Os gentios são a maioria dos que administram o pacto. E o motivo disso é que o Reino de Deus foi transferido de Israel para os gentios. “Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos”. (Mt 21.43).

O Apóstolo Paulo falou com clareza sobre a relação entre a queda de Israel e a vocação dos gentios na epístola aos Romanos:

“Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para incitá-los à emulação”. (Rm 11.11)

O tropeço em questão foi a apostasia nacional de Israel. Tendo tropeçado, Israel caiu da posição de soberania sobre os gentios. É anulada a posição anterior de rainha entre as nações. Aqui Paulo está se referindo ao mesmo que fora dito por Jesus na parábola da vinha e o mesmo que fora profetizado por Isaías.

Mas esta não foi a única vez que Cristo profetizou sobre o juízo de Deus contra Israel por meio de parábolas. A parábola dos lavradores maus é somente uma das muitas parábolas contadas com o objetivo de atacar a incredulidade de Israel. Grande parte do que foi dito aqui, se aplica também a outras parábolas:

O RICO E LÁZARO

“Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos”. (Lucas 16:19-31)

Esta parábola é frequentemente usada para falar do destino das almas depois da morte. De fato, ela fala sobre isso. Mas ela é mais ampla do que isso.

O rico da parábola representa Israel e Lázaro representa os gentios. É por isso que o rico clama pelo “pai Abraão” (Lc 16:24): Como diziam os judeus incrédulos: “Responderam-lhe: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão” (Jo 8:39). É por isso que Abraão diz sobre seus parentes: “Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos”. Israel tinha Moisés e os Profetas porque “Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que o preguem, e cada sábado é lido nas sinagogas”. (At 15:21). Mas Israel não quis ouvir e “se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc 16:31). Como disse Jesus em outra ocasião, “Não penseis que eu vos hei de acusar perante o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais. Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu. Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo 5:45-47)

A riqueza do rico e a pobreza de Lázaro representam a posição de Israel e dos gentios sob o Antigo Pacto. Israel era espiritualmente rico e os gentios eram pobres:

“Que vantagem, pois, tem o judeu? ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em todo sentido; primeiramente, porque lhe foram confiados os oráculos de Deus” (Romanos 3:1-2).

“Ele revela a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e as suas ordenanças a Israel. Não fez assim a nenhuma das outras nações; e, quanto às suas ordenanças, elas não as conhecem”. (Salmo 147:19-20)

Mas isso mudou:

“Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos”. (Mateus 21.42-43)

“Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a Lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da Lei; tropeçaram na pedra de tropeço… Mas digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira. E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam”. (Romanos 9.30-31,10.19-20)

“Pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios… o tropeço deles é a riqueza do mundo, a sua diminuição a riqueza dos gentios…” (Romanos 11:11-12)

“Ora, partindo Jesus dali, retirou-se para as regiões de Tiro e Sidom. E eis que uma mulher cananéia, provinda daquelas cercania, clamava, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim, que minha filha está horrivelmente endemoninhada. Contudo ele não lhe respondeu palavra. Chegando-se, pois, a ele os seus discípulos, rogavam-lhe, dizendo: Despede-a, porque vem clamando atrás de nós. Respondeu-lhes ele: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me. Ele, porém, respondeu: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ao que ela disse: Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: ó mulher, grande é a tua fé! seja-te feito como queres. E desde aquela hora sua filha ficou sã”. (Mateus 15:21-28)

“Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, chegou-se a ele um centurião que lhe rogava, dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico, e horrivelmente atormentado. Respondeu-lhe Jesus: Eu irei, e o curarei. O centurião, porém, replicou-lhe: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado; mas somente dize uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Jesus, ouvindo isso, admirou-se, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que a ninguém encontrei em Israel com tamanha fé. Também vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e reclinar-se-ão à mesa de Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos céus; mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”. (Mateus 8:5-12)

“Ali haverá choro e ranger de dentes quando virdes Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora“. (Lucas 13:28)

Foi sobre essa mudança que Cristo falou na parábola do rico e Lázaro:

“Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio”. (Lucas 16:19-23)

O FILHO PRÓDIGO

A parábola do filho pródigo trata de algo parecido:

“Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada. Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças; e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos; vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado” (Lucas 15:1-32)

O filho pródigo era como os gentios e seu irmão era como Israel. Israel permaneceu na casa do pai e os gentios o deixaram:

“Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamam circuncisão, feita pela mão dos homens, estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo”. (Efésios 2:11-12)

O retorno do filho pródigo à casa do pai representa a reconciliação dos gentios a Deus:

“Anunciamos-vos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles; o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos”. (Atos 14:15-16)

A insatisfação de seu irmão representa a oposição dos judeus à reconciliação dos gentios:

“Ora, ouviram os apóstolos e os irmãos que estavam na Judéia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus. E quando Pedro subiu a Jerusalém, disputavam com ele os que eram da circuncisão, dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles”. (Atos 11:1-3)

“Ora, Paulo, segundo o seu costume, foi ter com eles; e por três sábados discutiu com eles as Escrituras, expondo e demonstrando que era necessário que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos; este Jesus que eu vos anuncio, dizia ele, é o Cristo. E alguns deles ficaram persuadidos e aderiram a Paulo e Silas, bem como grande multidão de gregos devotos e não poucas mulheres de posição. Mas os judeus, movidos de inveja, tomando consigo alguns homens maus dentre os vadios e ajuntando o povo, alvoroçavam a cidade e, assaltando a casa de Jáson, os procuravam para entregá-los ao povo”. (Atos 17:2-5)

“Disse-me ele: Vai, porque eu te enviarei para longe aos gentios. Ora, escutavam-no até esta palavra, mas então levantaram a voz, dizendo: Tira do mundo tal homem, porque não convém que viva”. (Atos 22:21-22)

“Pois vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judéia; porque também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que elas padeceram dos judeus; os quais mataram ao Senhor Jesus, bem como aos profetas, e a nós nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens, e nos impedem de falar aos gentios para que sejam salvos; de modo que enchem sempre a medida de seus pecados; mas a ira caiu sobre eles afinal”. (I Tessalonicenses 2:14-16)

Na próxima parte deste estudo, falaremos de outras parábolas.

Parte IParte IIParte IIIParte IVParte V

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