broken crossQUANDO VIER O FILHO DO HOMEM, ACHARÁ FÉ NA TERRA? (Parte II)
Por Frank Brito

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O JUÍZO DE DEUS CONTRA ISRAEL

A pergunta de Jesus em Lucas 18:8 foi feita no contexto da parábola do juiz iníquo (Lc 18:1-8). Esta parábola foi contada quase no fim da viagem de Jesus até Jerusalém, que Lucas começou a narrar no nono capítulo de seu Evangelho:

“Ora, quando se completavam os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém. Enviou, pois, mensageiros adiante de si. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe prepararem pousada. Mas não o receberam, porque viajava em direção a Jerusalém”. (Lucas 9:51-53)

Antes de chegar a Jerusalém, Jesus avisou sobre o que aconteceria com Ele lá:

“E disse-lhes: É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e escribas, que seja morto, e que ao terceiro dia ressuscite”. (Lucas 9:22)

“Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos; pois o Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens”. (Lucas 9:44)

“Tomando Jesus consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém e se cumprirá no filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito; pois será entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido; e depois de o açoitarem, o matarão; e ao terceiro dia ressurgirá”. (Lucas 18:31-33)

Em Jerusalém, Jesus foi preso e entregue pelos judeus aos romanos para ser morto. O Evangelho de Lucas enfatiza especialmente três coisas no decorrer desta viagem:

1) A pregação do Reino de Deus.

2) A oposição e incredulidade de Israel.

3) As ameaças de Cristo sobre a destruição de Israel por sua incredulidade.

No decorrer de Sua viagem, Ele ameaçou Israel de muitas maneiras. Entender essas ameaças é fundamental para entender bem todo o enredo do Evangelho de Lucas, incluindo a pergunta de Lucas 18:8:

“Ora, naquele mesmo tempo estavam presentes alguns que lhe falavam dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios deles. Respondeu-lhes Jesus: Pensais vós que esses foram maiores pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. Ou pensais que aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis […] Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte; porque não convém que morra um profeta fora de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! Eis aí, abandonada vos é a vossa casa”. (Lucas 13:1-5,34)

E Ele profetizou o mesmo depois de entrar na cidade:

“Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! porque haverá grande angústia sobre a terra, e ira contra este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem”. (Lucas 21:20-24)

A vingança de Deus contra Israel aconteceu na Primeira Guerra Judaico-Romana (66 d.C.-73 d.C.), que foi quando o templo de Deus em Jerusalém foi completamente destruído (70 d.C.) e não ficou “pedra sobre pedra” (Lc 19:44). O livro de Apocalipse é quase inteiramente sobre isso. Para aqueles que querem saber mais sobre essa guerra, recomendo a leitura de “Guerra dos Judeus”, escrito pelo historiador Flávio Josefo no primeiro século.

Antes de entrar em Jerusalém, Cristo declarou sobre a cidade: “se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz” (Lc 19:41). Ou seja, eles poderiam evitar a destruição por meio do arrependimento. Como Ele já havia dito antes: “Eu vos digo; se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lc 13:5). Todavia, eles não conheceram “o tempo da visitação” (Lc 19:44) e por isso a nação foi destruída nos “dias de vingança” (Lc 21:22). Este é o contexto para entender a pergunta de Jesus: “Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8) Ele “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11).

Antes e depois de entrar em Jerusalém, Cristo claramente profetizou a destruição de Jerusalém na Guerra Judaico-Romana. Mas além de profetizar claramente, Ele profetizou o mesmo por meio de parábolas, incluindo a parábola do juízo iníquo em Lucas 18:1-18. Estas parábolas giram especialmente em torno de três coisas: o Reino de Deus, a incredulidade de Israel e o juízo de Deus contra Israel.

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