broken crossQUANDO VIER O FILHO DO HOMEM, ACHARÁ FÉ NA TERRA?
Por Frank Brito

Parte IParte IIParte IIIParte IVParte V

“Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8)

Esta passagem é frequentemente usada por pre-milenistas e amilenistas contra o pós-milenismo. O pós-milenismo ensina que as nações serão progressivamente convertidas ao Evangelho de maneira que chegará um tempo em que a maioria das pessoas será genuinamente cristã. Pre-milenistas e amilenistas citam Lucas 18:8 para argumentar que, na segunda vinda, haverá poucos crentes na terra e, portanto, que é utopia esperar pela conversão da maioria das pessoas em algum momento do futuro. O propósito deste artigo é demonstrar que Lucas 18:8 se refere à chegada de Cristo em Jerusalém na semana de Sua morte e não à Segunda Vinda de Cristo no fim da história.

A VINDA DE CRISTO

Sem dúvidas, devemos crer, como diz o Credo Niceno, que Cristo “de novo há de vir, com glória, para julgar os vivos e os mortos”. Mas precisamos entender também que só porque um texto fala da “vinda” de Cristo, isso não significa que esteja falando da vinda de Cristo no fim da história. Em diversas ocasiões, a Bíblia se refere a “vinda” de Cristo sem isto seja uma referência à vinda de Cristo para o juízo final. Vemos isso desde o Antigo Testamento:

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta”. (Zacarias 9:9)

Aqui o profeta Zacarias falou da “vinda” de Cristo, mas ele não estava se referindo a segunda vinda no fim da história. Ele estava se referindo chegada de Cristo em Jerusalém na semana de Sua morte:

“Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto do monte que se chama das Oliveiras, enviou dois dos discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que ninguém jamais montou; desprendei-o e trazei-o. Se alguém vos perguntar: Por que o desprendeis? respondereis assim: O Senhor precisa dele. Partiram, pois, os que tinham sido enviados, e acharam conforme lhes dissera. Enquanto desprendiam o jumentinho, os seus donos lhes perguntaram: Por que desprendeis o jumentinho? Responderam eles: O Senhor precisa dele. Trouxeram-no, pois, a Jesus e, lançando os seus mantos sobre o jumentinho, fizeram que Jesus montasse. E, enquanto ele ia passando, outros estendiam no caminho os seus mantos. Quando já ia chegando à descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinha visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas”. (Lucas 19:29-38)

O profeta Daniel também falou da “vinda” de Cristo:

“Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído”. (Daniel 7:13-14)

Aqui o profeta falou da vinda de Cristo, mas ele também não estava se referindo a segunda vinda no fim da história. O texto diz que o Filho do Homem “dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele” e que “foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem”. Isso se cumpriu na ressurreição e ascensão de Cristo:

“E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra”. (Mateus 28:18)

“Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos”. (Atos 1:9)

“Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus”. (Marcos 16:19)

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”. (Filipenses 2:8-11)

“Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo a ser destruído é a morte”. (I Coríntios 15:25-26)

“Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. (Atos 2:34-36)

Em sua ressurreição, Jesus Cristo recebeu “toda a autoridade no céu e na terra” (Mt 28:18) e é por isso que logo em seguida Ele mandou, “Ide, ensinai as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28:19-20). Isso é o que profetizou Daniel, “foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem” (Dn 7:14). E em sua ascensão, Cristo “foi levado para cima… uma nuvem o recebeu” e “assentou-se à direita de Deus” (Mc 16:19). Isso também é o que foi predito por Daniel, “e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias”. O profeta Daniel viu Jesus vindo em direção ao Pai e não em direção a terra. Portanto, ele estava se referindo a “vinda” de Cristo em sua ascensão no primeiro século.

Além disso, no próprio Novo Testamento encontra-se algumas referências a “vinda” de Cristo que não podem estar se referindo a segunda vinda no fim da história:

“Em verdade vos digo, alguns dos que aqui estão de modo nenhum provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino”. (Mateus 16:28)

“Disse-lhes mais: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus já chegando com poder”. (Marcos 9:1)

“Mas em verdade vos digo: Alguns há, dos que estão aqui, que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus”. (Lucas 9:27)

Mateus 16:28 não pode estar falando na vinda de Cristo no fim da história porque o texto explicitamente diz que “alguns dos que aqui estão de modo nenhum provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino”. Diversas interpretações já foram dadas para este texto. O propósito deste artigo não é analisar todas as interpretações que já foram sugeridas. A interpretação que eu adoto é que Cristo estava se falando de Sua ressurreição e ascensão, que é quando “foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem” (Dn 7:14) e, portanto, o Filho do homem já foi visto “vindo no Seu Reino” (Mt 16:28) “já chegando em poder” (Mc 9:1). Mas, independente da interpretação que seja adotada para Mateus 16:28, e para os textos paralelos de Marcos 9:1 e Lucas 9:27, o que importa para estudo é entender que só porque um texto fala da “vinda” de Cristo, isso não significa que esteja falando da vinda de Cristo no fim da história. Mateus 16:28 simplesmente não pode estar falando da vinda de Cristo no fim da história da mesma forma que Zacarias 9:9 e Daniel 7:3 não estão. Sendo assim, não podemos simplesmente assumir que Lucas 18:8 esteja falando da vinda de Cristo no fim da história, só porque ele se refere a “vinda”. Se quisermos saber do que Ele realmente estava falando, precisamos de maiores evidências.

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