BojidarA SUPERIORIDADE DO RECONSTRUCIONISMO CRISTÃO NO CAMPO MISSIONÁRIO
Por Bojidar Marinov

Sobre o Autor: Bojidar Marinov nasceu na Bulgaria e foi missionário em sua terra natal por mais de 10 anos. Junto à sua equipe, traduziu mais de 30.000 páginas de literatura cristã sobre a aplicação da Lei de Deus em todas as áreas da vida e da sociedade. Também foi ativo na formação de um movimento libertário na Bulgária. Foi o primeiro presidente da Sociedade Búlgara por Liberdade Individual.

“Então, como a mensagem da Reconstrução Cristã afeta sua prática no campo missionário?”

Já me fizeram essa pergunta muitas vezes. A maioria daqueles que me fizeram a pergunta eram missionários com uma visão hostil da mensagem da Reconstrução Cristã. Alguns deles estavam convencidos de que a Reconstrução Cristã não se importa com “o coração do homem”, que só se preocupa com questões “externas”, mas que a visão pietista dominante sobre missões se importa com o coração e, portanto, irá produzir mais conversões. Muitos deles não eram capazes de ver como incrédulos poderiam prestar atenção em pregações que falam de coisas com lei, economia, educação, etc., isto de coisas que formam a totalidade do homem, não somente seus sentimentos subjetivos internos. Muitos missionários, levados por sua teologia pietista, estão convencidos de que o “Evangelho” somente trata do homem interior e de sua “salvação pessoal”, mas que não lida com questões ligadas a sua família, seu trabalho ou sua sociedade. Então quando eles veem um missionário que não se esquiva de pregar a mensagem bíblica para todas as áreas da vida, não somente sobre os sentimentos subjetivos do homem, eles se perguntam: Como esse cara vai converter as pessoas?

Não que as missões pietistas modernas estejam produzindo muitas conversões. A maioria das conversões no crescimento moderno do Cristianismo acontece em áreas do mundo que estão tão distantes de princípios cristãos e, portanto, são sociedades tão desesperadas por uma direção cultural, que missionários acabam levando alguma influencia cultural nova, mesmo não sendo essa a intenção. Mas, até mesmo em lugares assim, eu posso seguramente prever que o crescimento da Igreja poderá começar a diminuir se não houver simultaneamente um crescimento de um ensino abrangente sobre as exigências e aplicação cultural da fé cristã e se os ídolos culturais não forem desafiados. Mas em lugares de cultura mais avançada, onde as ideologias pagãs predominantes são muito mais sutis, esforços missionários têm produzido efeitos muito insignificantes e o cristianismo bíblico tem, na melhor das hipóteses, permanecido como uma influencia periférica. Veja aquele “cemitério de missionários”, a Europa. E a realidade é que quando a mensagem de um missionário é tão truncada a ponto de somente afetar a periferia de uma cultura, seus ouvintes o relegam junto com sua religião para a periferia da cultura. É simples assim.

A pergunta permanece: Como a mensagem da Reconstrução Cristã afeta o trabalho de missões? Missionários bem-intencionados também já me fizeram essa pergunta. Muitos deles simplesmente não conseguem ver com uma missão pode funcionar além do contexto de conversão de almas e plantação de igrejas. Com se faz missões distintivamente teonômicas hoje?

A maior parte da confusão, é claro, provem da ideia estabelecida de que o campo missionário significa “compartilhar o Evangelho” e “testemunhar” para indivíduos de maneira existencialista. Dentro de uma caixa assim, não há muito que um missionário possa fazer. Mas, dentro de uma estrutura teonomista, o trabalho do missionário muda. Seu propósito é o de discipular as nações (Mt 28:18-20), o que significa trabalhar para mudar toda a perspectiva moral, legal, intelectual, econômica, etc. da cultura para a qual ele é enviado. A conversão de indivíduos continua sendo importante e, contrário ao que alguns erradamente pensam sobre a Reconstrução Cristã, não existe negligencia quanto ao fato de que qualquer mudança na sociedade começa com a transformação do coração. Mas um missionário teonomista reconhece o fato de que o coração não é realmente transformado até que seja ensinado a aplicar sua fé em todas as áreas da vida. Portanto, um missionário prega para todas as áreas da vida, para o indivíduo e para a sociedade na qual o indivíduo vive, para as instituições do homem e para suas atividades empresariais, para as escolas e para suas salas e laboratórios científicos, para suas estruturas governamentais e para seus salões de música e galerias de arte. A mensagem da Reconstrução Cristã requer que os mesmos princípios morais e espirituais que o Evangelho tem para a vida pessoal do homem sejam também aplicados a sua sociedade e cultura.

Em resumo, um missionário precisa ser o equivalente moderno de um profeta do Antigo Testamento: declarar o juízo de Deus sobre uma nação, oferecer a graça de Deus no arrependimento com salvação desta nação e pregar a transformação do coração somente no contexto na relação pactual e abrangente com toda a cultura do homem, não somente com seu coração individual ou com sua igreja local.

O missionário teonomista, então, terá que acrescentar um novo fardo aos seus ombros. Não será suficiente para ele estudar o que eu chamo de teologia “pura”, as disciplinas da “torre de marfim” que são ensinadas em nossos seminários modernos, completamente divorciados de quaisquer aplicações ou implicações práticas ou ideológicas, exceto talvez em algumas disciplinas obscuras como “cuidado pastoral” ou “aconselhamento”. (Não que o cuidado ou aconselhamento pastoral sejam necessariamente obscuros, mas sem dúvidas são ensinados assim em seminários modernos.) Ele terá que dominar uma disciplina que eu chamo, de forma irônica, de teologia “suja”, isto é, teologia aplicada ao mundo real. Conta-se que certa vez fizeram a seguinte pergunta ao R.J. Rushdoony: “Qual você acredita ser a mais importante disciplina que aqueles que aspiram ao ministério devem estudar?” A resposta surpreendente, “Economia”. Surpreendente, isto é, somente para aqueles que nunca se deram contra de que a economia é o estudo das ações morais do homem no mercado. E se são ações morais, então são reguladas pelos mesmos princípios espirituais que regulam a vida pessoal de um homem sob o Evangelho. Mas a economia não é a única disciplina. O governo civil é o estudo de ações morais. A educação é o estudo de ações morais. Qualquer disciplina social ideológica é um estudo de ações morais e, portanto, um missionário precisa estar preparado para dar uma resposta para cada pergunta em cada campo de estudo e atuação. Existe uma economia bíblica porque a economia não é moralmente neutra e o missionário precisa entendê-la e pregá-la aos seus ouvintes. O mesmo se aplica a qualquer outra área. Nada é moralmente neutro, tudo precisa estar sob o poder e autoridade do Senhor Jesus Cristo.

Um missionário, então, precisa disponibilizar para seus ouvintes um grande número de publicações que aplicam o Evangelho em todas as áreas da vida. Eu já escrevi em outros lugares sobre a necessidade de construir o fundamento intelectual para uma civilização cristã, como uma referência para futuras gerações. Ele precisa se tornar, em primeiro lugar, como um bibliotecário para seus ouvintes e convertidos, compartilhando as riquezas do conhecimento disponível sobre como uma cultura precisa ser construída sobre o fundamento da mensagem bíblica. Os livros que ele disponibiliza precisam conscientemente ensinar a teologia “suja” que eu mencionei acima. Literatura abstrata, irrelevante, excessivamente intelectualizada ou excessivamente espiritualizada não é capaz de construir uma civilização. A tentação, até para o missionário mais motivado, é que a tradução de livros para a língua local é um empreendimento de longo prazo, entediante e poderá ser adiado para quando houver pessoas suficientes dispostas a lerem os livros. Mas entregar literatura assim no idioma de uma nação é um investimento para o futuro. O bom senso nos diz que não devemos esperar o futuro chegar para investirmos no futuro. Se o missionário for esperar para ter pessoas dispostas a ler, quando essas pessoas surgirem, será tarde demais para começar, pois a construção de um fundamento intelectual não é uma atividade que se consegue da noite para o dia. Investir no futuro construindo um fundamento intelectual deve ser a prioridade de qualquer missionário. Sem este fundamento intelectual, o missionário verá sua missão permanecer estagnada ou até mesmo desaparecer quando ele deixar o campo e voltar para casa. Livros são missionários. Deixar um legado de literatura é o melhor serviço que um missionário pode fazer para a cultura que ele é enviado.

Evidentemente, ao lado do investimento a longo prazo na literatura, é preciso haver o trabalho a curto prazo de ensinar as pessoas e sua cultura no Evangelho. Afinal, a transformação dos corações é uma condição necessária para haver uma transformação na cultura. (Ainda que uma mudança cultural possa acontecer por imitação, sem uma mudança no coração, este tipo de mudança cultural é superficial e raramente sobrevive mais que uma geração. A Ocidentalização do mundo Islâmico da década de 50 até a década de 90 é um bom exemplo de tentativa de imitação com pouca duração). E aqui, no trabalho imediato no campo missionário, a Reconstrução Cristã é tão superior a todos os demais movimentos e doutrinas teológicas. Além de ser bem sucedido em converter incrédulos (é claro, como causa secundária; a causa primária de toda conversão é sempre Deus), converte o indivíduo por inteiro, em seu homem interior, em seu entendimento da realidade, em seu entendimento da justiça na cultura que o cerca. Assim, o homem é convertido por inteiro e integrado a nova cultura, desafiando a antiga cultura; não como uma partícula atômica isolado do mundo e de sua cultura, impotentemente esperando o mundo acabar.

Como Iniciar um Trabalho Missionário Teonômico

Começa com a percepção de que, quanto ao seu trabalho missionário – sua pregação, ensino, aconselhamento, declarações de juízo, etc. – não há qualquer área que esteja fora do “perímetro de ação” do missionário. Todas as áreas são áreas em que ele deve atuar. Nós vimos acima que o missionário precisa levar um novo fardo sobre seus ombros. Ele precisa dominar uma vasta variedade de aplicações de sua teologia para todas as áreas da vida. Este novo fardo, é claro, e este novo conhecimento não deve ficar preso dentro dele. Ele precisa usá-lo extensivamente em seu trabalho missionário. Em resumo, ele precisa falar, para tudo e para todos sobre tudo o que acontece na sociedade, desde temores e esperanças psicológicas até decisões econômicas e práticas políticas do governo civil. Um missionário é um embaixador do Rei e o Rei é Rei sobre todos. Portanto, o embaixador precisa falar sobre tudo.

Com essa visão missionária, a superioridade da Reconstrução Cristã é fácil de perceber e fácil aproveitar. Possui o Um e os Muitos, por assim dizer. Possui uma teologia abrangente e coerente sobre todos os âmbitos da vida. Possui um fundamento teológico que não é dualista ou fragmentado, isto é, não permite que haja diferentes princípios morais em diferentes áreas do pensamento e ação humana. A teologia da Reconstrução Cristã não permite a fragmentação do conhecimento como outras teologias insistem em ter. (Veja, por exemplo, a separação dualista entre o “reino comum” e o “reino da redenção” da Teologia dos Dois Reinos ou então a definição truncada e limitada de “Evangelho” do dispensacionalismo.) A teologia da Reconstrução Cristã toma de volta todos os termos e significados das ideologias pagãs dominantes e redefine-as segundo a visão bíblica da realidade e de Deus. As raízes e fundamentos de todo conhecimento, incluindo a própria teoria do conhecimento, estão na Bíblia e a teologia da Reconstrução Cristã é explicitamente motivada pelo desejo de restaurar todo o conhecimento – não simplesmente o conhecimento teológico – ao seu fundamento bíblico. Possui a aplicação prática e imediata de um sistema de vida que é logicamente consistente. Lembre-se que se toda a vida é religiosamente motivada, como Van Til ensinou, segue-se que cada ação do homem em cada instituição pode ser analisada e avaliada com base na mensagem bíblica. O conteúdo do jornal, desde a seção sobre política até a seção sobre esporte e arte, está aberto para o missionário pegar e dissecar, trazendo cada evento, pensamento, ideia ou prática individual à luz da Escritura e expondo os ídolos da cultura que se encontram nessas práticas e ideias.

As teologias rivais dentro do Cristianismo não tem nada que possa se comparar e, portanto, um missionário com uma teologia diferente não pode competir com um missionário teonomista. Se ele quiser ser fiel a sua teologia truncada e limitada, ele precisa se calar quanto a maioria das questões da cultura. Suas prioridades serão somente periféricas para a maioria dos ouvintes e, portanto, serão periféricas na atenção que irão dar. Mas se ele quiser se equiparar ao missionário teonomista e de fato dizer algo sobre qualquer assunto prático, ele terá que fazê-lo em contradição com sua teologia. Desta maneira, seus comentários serão contraditórios, incoerentes e deixarão seus ouvintes mais confusos do que antes. (Isso está acontecendo com a tentativa de muitos defensores da Teologia dos Dois Reinos nos Estados Unidos para que possam dar opiniões relevantes sobre eventos no chamado “reino da graça comum”). Atualmente, o Reconstrucionismo Cristão é o único movimento intelectual em círculos cristãos que possui uma quantidade ampla de literatura dando soluções para todas as áreas da vida com base em revelação bíblica explícita. Se você é um missionário teonomista você tem respostas bíblicas para o que seus ouvintes te perguntarem ou pelo menos os princípios para ajuda-los a encontrar uma resposta.

Portanto, na era da internet um missionário precisa virar um blogueiro. Ele precisa conhecer bem a cultura para a qual ele é enviado, conhecer os ídolos e saber como eles trabalham naquela cultura. Cada evento, cada notícia é uma oportunidade para ele expor esses ídolos, pois ele tem uma cosmovisão ampla e, portanto, é capaz de detectar sua influencia em tudo. Nossos “altos” estão em todo lugar, no trabalho, no Parlamento, no jardim de infância, na TV e na rádio. Todas essas áreas estão destruídas por ideologias idólatras e são sujeitas à Maldição. Portanto, todas essas áreas estão clamando para Deus enviar seus filhos para pregar Sua Palavra, para derrubar os ídolos, para reconquistá-las para o Reino de Deus.

Um missionário precisa pregar a salvação. Mas, por vezes demais, na pregação de missionários pietistas modernos, a salvação é uma noção mística, surreal e existencialista com muita pouca ligação com a vida da pessoa e de sua cultura aqui e agora. Em muitos casos, tentar fazer qualquer ligação entre a salvação e o mundo fora da alma da pessoa é algo desestimulado. As frases populares de nosso pietismo moderno revelam essa falta de sintonia entre a salvação e a vida prática do crente: “a Igreja está constantemente chorando a beira dos rios da Babilônia”, “somos uma realeza exilada neste mundo”, “este mundo não é o meu lar, só estou de passagem”, “precisamos viver uma vida pura em um mundo cada vez mais impuro”. Sob uma perspectiva assim, o domínio da maldição nas práticas de uma cultura é considerada como normativa. Um cristão não deve expô-las e não deve lutar contra as maldições nessas áreas, pois é considerado quase um imperativo se quisermos ter uma igreja forte com crentes fortes. Uma cultura cada vez mais cristã é considerada pelo pietista como um perigo para a saúde espiritual da alma humana. Portanto, até mesmo quando eles comentam sobre os eventos atuais da cultura, é somente para declarar que a Maldição é normativa e que os cristãos precisam aprender a tolerá-la.

Mas a salvação não pode ser separada de sua aplicação prática na vida pessoal e cultural de uma pessoa. Assim como a fé sem as obras é morta, a salvação sem a aplicação prática é uma salvação falsa. A dicotomia entre o cosmo e a alma do homem não é bíblica. Portanto, um missionário teonomista pode e deve fazer a ligação entre a salvação que ele prega com cada evento, cada prática, cada política, cada costume, cada transação empresarial que ocorre na sociedade.

Uma cultura local, então, com tudo o que acontece nela, dá ao missionário um estoque praticamente ilimitado de coisas sobre a qual escrever, pregar e ensinar. E eu não estou falando de pegar histórias moralistas e comoventes para apimentar sermões que de outra forma seriam chatos. Eu estou falando em aplicar análises pactuais e ética/judiciais a tudo o que está acontecendo na cultura. Este é o equivalente avançado da pregação nas ruas, na qual a Palavra do Rei é declarada ao ar livre para multidões de pessoas, a qual as pessoas podem ouvir em um contexto cotidiano. Com a tecnologia moderna e a internet, as pregações nas ruas podem expandir seus horizontes e verdadeiramente ir de encontro a cada homem em cada lugar em cada aspecto da cultura que o afeta diretamente. Desta maneira, a maldição e, portanto, a salvação, não é abstrata e surreal. É uma realidade concreta. Está tão próxima do homem e é tão ameaçadora para o homem quanto à palavra de fé que professamos está perto de nós e é confortante para nós. Como um peixe no aquário que não é capaz de ver a água, o homem pagão em sua cultura pagã não é capaz de ver a maldição a menos que seja mostrada a ele à luz da Lei de Deus, em cada detalhe da vida de sua cultura. Quando for revelado a ele, em termos concretos e reais, ele estará buscando a salvação.

E a salvação pode ser pregada a ele em termos concretos e reais, assim como em termos espirituais, porque na mensagem da Reconstrução Cristã, não há dicotomia entre o espiritual e o concreto. Um missionário que escreve ou fala sobre a política de impostos do governo, compara com a Lei de Deus na Bíblia e dá aos seus ouvintes a solução bíblica para o problema, está levando-os com mais firmeza e segurança ao caminho da salvação do que um missionário que somente fala sobre a salvação eterna de maneira divorciada da justiça aqui na terra. Um missionário que expõe a iniquidade do sistema penitenciário moderno à luz da Bíblia e oferece a justiça bíblica de restituição e reabilitação por meio da servidão privada é uma verdadeira testemunha de Cristo e Seu Reino comparado com um missionário que ignora completamente questões de justiça e Lei como irrelevantes para o seu “evangelho”.

E é aqui que o missionário teonomista precisa começar: (1) Pegue a vida a realidade quotidiana e concreta do homem pagão, mostre a ele a maldição de maneira concreta, material e visível, mostre a ele (2) como essa maldição é causada pela rebelião contra a Lei de Deus em sua própria vida e em sua sociedade, e que (3) essa rebelião é uma questão moral, não uma questão técnica, política, econômica ou física. Depois mostre a ele (4) que a solução para o problema do coração está na redenção e justificação de Cristo, e depois (5) mostre em termos concretos como essa salvação funciona em termos concretos, em uma sociedade dominada pela Lei de Deus e que, portanto, oferece verdadeira justiça e liberdade para todos.

Assim, em cada coisinha da qual o missionário estiver falando ou escrevendo, os pecadores terão a oportunidade de ver, em termos concretos, sua escravidão, entender os motivos espirituais para sua escravidão, aprender sobre a solução espiritual para sua escravidão e ver como essa solução funciona na prática e produz liberdade em termos reais e concretos. Desta maneira, uma realidade abrangente baseada na mensagem bíblica será apresentada ao pecador e uma redenção abrangente também será apresentada. O pecador não terá qualquer desculpa.

Um artigo sobre tudo o que acontece todos os dias, em cada área, em cada lugar. Quando um dia passa sem um missionário, em um artigo, expondo a escravidão dos ídolos que se expressa nos eventos daquele dia, este dia foi desperdiçado. Quando um dia passa sem os leitores ou ouvintes aprender sobre soluções específicas que Deus deu em Sua Lei, este dia foi desperdiçado.

Mas não acaba nisso. À medida que o missionário progride em seu trabalho, ele precisa trabalhar para se replicar em seus ouvintes. À medida que estes crescem em conhecimento e entendimento, eles irão, é claro, aplicar o que têm aprendido em suas próprias vidas pessoais, em seu ambiente de trabalho, em seus negócios e em atitudes políticas e sociais. Mas mais importante que isso é que eles irão crescer na capacidade de transmitir a mesma mensagem e aplicá-la em sua própria região geográfica ou na própria área de especialidade profissional ou em seu próprio contexto político e social. Um missionário poderá ou não viver para ver uma nação completamente convertida e Reformada por meio de seus esforços. Mas, no mínimo, sua visão precisa ter centenas de escritores e pregadores que leem os mesmos livros que ele lê e que são fiéis em constantemente bombardear o clima pagão moral e intelectual de sua cultura com comentários sobre eventos específicos dentro de uma perspectiva teonomista, dentro do que eu defini até aqui. Um blogueiro ou palestrante ou professor cristão em cada cidade, cada escritório, cada escola, cada área profissional, que abertamente desafia as ideias pagãs e apresenta soluções bíblicas: esse é o sonho de todo missionário teonomista. E pode ser alcançado porque somente a Reconstrução Cristã tem uma mensagem consistente, coerente e ampla para todas as áreas da vida. Qualquer mudança na cultura é precedida por mudança na atmosfera intelectual daquela cultura, na maneira com que as pessoas pensam sobre suas vidas quotidianas. Quando o significado das palavras é capturado, capturar a cultura é só uma questão de tempo. As pessoas podem responder ao medo irracional por um tempo, a única mudança duradoura no coração vem pela destruição das fortalezas intelectuais do inimigo e pela renovação da mente dos ouvintes (II Co 10:4-5).

As igrejas locais virão como resultado lógico e inevitável. Quando a igreja local é o propósito final do missionário, ela permanece isolada, pietista e ineficiente. Quando a igreja local cresce naturalmente como uma comunidade pactual de crentes que são comprometidos com a aplicação da Palavra de Deus em todas as áreas da vida, desafiando a cultura pagã vigente e oferecendo uma alternativa, se torna uma força social poderosa que explode os portões do inferno da cultura e verdadeiramente traz as bênçãos de Cristo onde quer que haja maldição. E as pessoas ao redor da Igreja, quando verem o conhecimento, entendimento e Lei superior que ela está trazendo a cultura, reconhecerão o Senhorio de Cristo e se submeterão a ela (Deuteronômio 4:5-8).

Então, se você é um missionário, como a mensagem da Reconstrução Cristã afetará seu trabalho missionário? Imensamente. Transformará você de um vendedor para um profeta, de um ambulante de experiências espirituais para um embaixador do Rei, de um visitante insignificante preocupado com questões periféricas para uma voz central e relevante na cultura, de um estranho balbuciando sobre coisas abstratas para um homem de Issacar (Jz 10:1) que entende a própria época e sabe o que Israel deve fazer. Você será o único na cultura que tem verdadeiras respostas para verdadeiras perguntas.

Simplesmente seja corajoso e ignore a visão pietista moderna de missões. Derrube os ídolos da cultura, naquilo que trabalham diariamente, no contexto imediato dos homens daquela cultura. Dê palestras, escreva artigos, blogs, etc. sobre a aplicação da Lei de Deus em cada área da vida, da menor até a maior, e demonstra a escravidão do pecado em termos concretos em tudo ao seu redor. E, é claro, ofereça as soluções da Lei de Deus, a perfeita Lei da liberdade (Tg 1:25).

Deus não demorará para retribuir sua fidelidade e coragem.

Tradução: Frank Brito
Fonte: Christendom Restored

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