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O Rei Salomão Defenderia o Movimento Gay?
Por Frank Brito

“Abominação é aos reis praticarem impiedade, porque com justiça é que se estabelece o trono”. (Provérbios 16:12)

“Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a Lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos. Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na Lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos”. (Malaquias 2:7-8)

Sob o Pacto Mosaico, Deus instituiu os sacerdotes para ensinar Sua Lei ao povo. Sob o Novo Pacto, não há mais sacerdotes levitas. Para cumprir a função de ensinar ao Seu povo, Deus instituiu na Igreja os pastores e mestres (Ef 4:11; I Tm 5:17) no lugar dos sacerdotes levitas. Portanto, tudo o que era dito sobre a obrigação dos sacerdotes levitas de ensinar ao povo, se aplica aos pastores e mestres da Igreja hoje. O profeta Malaquias reclamou de determinados sacerdotes que negligenciavam essa obrigação. O resultado era que o povo, sendo mal instruído, se desviava do caminho. Cristo fez uma reclamação semelhante: “São condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova”(Mat 15:14). O mesmo pode ser dito de alguns pastores e mestres de hoje que, em vez de instruir o povo na Lei do Senhor, como nos tempos de Malaquias fazem “a muitos… tropeçar na Lei” (Ml 2:8). Sobre isso, João Calvino escreveu:

“Cristo declara que são mestres falsos e enganadores aqueles que não ensinam seus discípulos a obediência a Lei e que são indignos de ocupar um lugar na Igreja aqueles que de alguma maneira enfraquecem a autoridade da Lei; e, por outro lado, que são os mais honestos e fiéis ministros de Deus que, tanto em palavra quanto em exemplo, ensinam a guardar a Lei”. (João Calvino, Comentário de Mateus 5.17-19)

Infelizmente, muitos ministros da Igreja hoje tem um conhecimento extremamente raso da Lei de Deus e, por conta disso, acabam distorcendo a Lei para defender a iniquidade. No decorrer deste artigo, irei refutar a distorção da Lei promovida pelo blog Reforma e Carisma, no qual o autor, o Rev. Helder Nozima, usa a história de Salomão para defender as reivindicações do movimento gay brasileiro. O artigo se chama “O direito de Salomão e a união homoafetiva”.

Já no princípio do artigo ele corretamente identifica a sodomia como sendo um pecado:

“O primeiro fator que deve ser levado em consideração é qual a avaliação que a Bíblia faz do comportamento homossexual. E isso, pra mim, é um assunto indisputável. Independente do tempo, da época ou da cultura, o homossexualismo é condenado pelas Escrituras”.

Portanto, o Rev. Helder Nozima, em seu artigo, não se propõe a defender o direito moral de ser um sodomita.O que ele defende é que relações homossexuais sejam oficialmente reconhecidas pelo estado para que, com base neste reconhecimento, eles possam reivindicar direitos derivados da relação. Para defender sua posição abominável, ele usa o caso em que Salomão resolveu a disputa entre duas prostitutas:

“Então vieram duas mulheres prostitutas ao rei, e se puseram perante ele. E disse-lhe uma das mulheres: Ah! senhor meu, eu e esta mulher moramos numa casa; e tive um filho, estando com ela naquela casa. E sucedeu que, ao terceiro dia, depois do meu parto, teve um filho também esta mulher; estávamos juntas; nenhum estranho estava conosco na casa; somente nós duas naquela casa. E de noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. E levantou-se à meia noite, e tirou o meu filho do meu lado, enquanto dormia a tua serva, e o deitou no seu seio; e a seu filho morto deitou no meu seio. E, levantando-me eu pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, atentando pela manhã para ele, eis que não era meu filho, que eu havia tido. Então disse à outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho o morto. Porém esta disse: Não, por certo, o morto é teu filho, e meu filho o vivo. Assim falaram perante o rei. Então disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho o morto; e esta outra diz: Não, por certo, o morto é teu filho e meu filho o vivo. Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante do rei. E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo; e dai metade a uma, e metade a outra. Mas a mulher, cujo filho era o vivo, falou ao rei (porque as suas entranhas se lhe enterneceram por seu filho), e disse: Ah! senhor meu, dai-lhe o menino vivo, e de modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem teu nem meu seja; dividi-o. Então respondeu o rei, e disse: Dai a esta o menino vivo, e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe. E todo o Israel ouviu o juízo que havia dado o rei, e temeu ao rei; porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça”. (I Reis 3:16-28)

O Rev. Helder Nozima comentou:

“Há dois detalhes superimportantes que nunca ouvi serem mencionados. O primeiro é o de que as mulheres eram prostitutas. Hoje isso não choca, mas pense bem…a Bíblia traz, desde sempre, condenações pesadas à prostituição. Em épocas de piedade (como era o início do reinado de Salomão), as prostitutas eram vistas da pior forma possível, mas de um jeito muito pior do que os cristãos encaram hoje os homossexuais. Nem ofertar a Deus alguma coisa elas podiam: Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do SENHOR, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao SENHOR, teu Deus (Deuteronômio 23:18). Há um outro detalhe: a origem dos bebês. Ao que consta, as prostitutas de 1 Reis 3 não eram casadas. Os seus filhos foram gerados em pecado: ou foram concebidos de um homem casado (adultério) ou de um homem solteiro (fornicação). Se fosse adultério, a pena era de morte. Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera. (Levítico 20:10) Mesmo se fosse uma simples fornicação, a Lei de Moisés autorizava a execução de prostitutas e de seus clientes, como é sugerido da leitura de Números 25…”

Primeiro, o Rev. Helder Nozima corretamente identifica que o dinheiro ganho na prostiuição não poderia ser doado ao templo. Segundo, ele corretamente identifica que o adultério era crime. O erro dele, todavia, é dizer que a prostituição também era crime. A prostituição somente era crime caso a prostituta fosse filha de um sacerdote (Lv 21:9). Caso não fosse, não era crime. O Rev. Helder Nozima cita Números 25. Mas Números 25 não contem qualquer lei judicial estabelecendo qualquer pena por prostituição. Números 25, como Moisés explica em Números 25:5, não fala pessoas sendo executadas por prostituição, mas especificamente por crimes contra o primeiro e o segundo mandamento, conforme Deuteronômio 13:1-15. Contrário ao que o Rev. Helder Nozima pensa, prostituição não era crime, exceto se a prostituta fosse filha de um sacerdote. Isso explica porque o Rev. Helder Nozima nunca ouviu esses supostos detalhes sendo mencionados. O motivo é que eles não existem. O argumento inteiro do Rev. Helder Nozima se baseia nesta falsa suposição:

“Voltando a Salomão, fica uma pergunta para os evangélicos que leem este post. Por que Salomão não matou as prostitutas ou fez diligências sobre a paternidade da criança?”

Porque, exceto no caso de filhas de sacerdotes, prostiuição não era crime, muito menos um crime passivel de morte!

Ele diz mais:

“Ao invés de matá-las, Salomão reconheceu o direito delas como súditas e decidiu sobre a maternidade. E o testemunho bíblico e do povo é o de que o rei fez justiça”.

Isso é muito curioso. O Rev. Helder Nozima, apesar de erradamente acreditar que a Lei criminaliza a prostituição, acredita que Deus elogiou Salomão justamente por contrariar seus mandamentos. Salomão não poderia ter sido elogiado por Deus por quebrar Sua Lei porque, como o próprio Salomão escreveu: “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a Lei, até a sua oração será abominável“(Provérbios 28:9). Mas, segundo o Rev. Helder Nozima, quando Salomão desviou seus ouvidos de ouvir a Lei, ele foi elogiado por Deus. Segundo ele, a Lei de Deus dizia que Salomão tinha que executar as prostitutas, mas apesar disso, Deus ficou muito feliz porque Salomão quebrou Seu mandamento e declarou que fazer justiça significa quebrar seus mandamentos. A interpretação do Rev. Helder Nozima, de que Salomão fez justiça quando quebrou a Lei de Deus, contradiz a ordem que Deus deu aos reis:

“Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, então escreverá para si num livro, um traslado desta Lei, do original que está diante dos sacerdotes levitas. E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao SENHOR seu Deus, para guardar todas as palavras desta Lei, e estes estatutos, para cumpri-los“. (Deuteronômio 17:14-15)

Aqui nós aprendemos que a justiça do governo do rei consiste, não em quebrar a Lei do Senhor, mas em cumprí-la. Salomão não quebrou a Lei do Senhor ao poupar as prostitutas simplesmente porque a Lei não criminaliza a prostituição. É por isso que “o testemunho bíblico e do povo é o de que o rei fez justiça”. A conclusão do Rev. Helder Nozima é falsa e contradiz o claro testemunho de Deuteronômio 17:14-15:

“Mesmo assim Salomão reconheceu o direito delas, embora, pela Lei, elas devessem é fugir de cair nas mãos das autoridades israelenses”.

Como base em sua interpretação errônea das atitudes de Salomão, o Rev. Helder Nozima defende que relações sodomitas sejam oficialmente reconhecidas pelo estado para que, com base neste reconhecimento, os sodomitas possam reivindicar direitos derivados da relação:

“Se as prostitutas têm direitos, os homossexuais também possuem… Assim como Salomão julgou a causa das prostitutas, o Estado deve se pronunciar sobre fatos que vão acontecer independente de existir ou não lei, independente de serem ou não condenados por Deus… Hoje já há 60 mil casais homossexuais no Brasil que se assumiram como tal. Não dá para fingir, não dá para ignorar. E, se o Estado deu direitos a pecadores heterossexuais regularem e resolverem seus pecados, então por que discriminar os homossexuais? Não, não vai. Neste caso, negar ao homossexual esses direitos é discriminação, já que não os negamos aos envolvidos em concubinato heterossexual ou divórcios. Eles também pode se ligar afetivamente como desejarem, disporem de seus bens, escolherem quem será beneficiado por seus privilégios (sócio de clube, funcionário público a ser removido para outro lugar, etc)”.

Sim, as prostitutas têm direitos. Mas aqui precisamos fazer uma pergunta crucial: esses direitos são baseados no fato delas serem prostitutas ou são baseados em algo logicamente anterior? As prostitutas têm, por exemplo, o direito à vida. Este direito é estabelecido pelo sexto mandamento – não matarás. É por isso que ninguém tem o direito de assassinar uma prostituta. Mas o direito à vida não é derivado da prostituição. Segundo Gênesis Gn 9:6 é derivado do fato da prostituta ter sido criada conforme a imagem de Deus. Como extensão do direito à vida, prostitutas têm também direito à integridade física (Lv 24:19-20). Ninguém pode sair por aí espancando prostitutas. Da mesma forma, o quinto mandamento estabelece direitos ligados à paternidade (Ex 20:12). Pais têm determinados direitos sobre seus filhos pelo mero fato de serem seus pais. São direitos derivados da paternidade, não da prostituição; podem ser exercidos sobre os filhos porque são seus filhos. Quando Salomão defendeu a maternidade da prostituta, ele não estava defendendo o direito que ela tinha porque era prostituta, mas porque era mãe. Assim também, um gay é assassinado, o homocida deve ser condenado, não porque a vítima era gay, mas porque ele era um ser humano. 

Vamos supor que um ladrão roube mil reais de uma casa. Ao sair da casa com o dinheiro, ele é abordado por outro ladrão que rouba os mil reais que ele roubou. Este ladrão pode legitimanete denuciar o outro ladrão por roubo? É claro que não. Por que não? Por que o segundo ladrão roubou do primeiro aquilo que também não pertencia ao primeiro e o estado não pode defender direitos derivados do roubo. Da mesma forma que o estado não pode defender direitos derivados do roubo, não devemos, como o Rev. Helder Nozima quer, defender quaisquer direitos derivados da homossexualidade. Quaisuqer direitos que ladrões ou homossexuais possam ter não são derivados do roubo ou da homossexualidade.

O Rev. Helder Nozima diz:

“Hoje já há 60 mil casais homossexuais no Brasil que se assumiram como tal. Não dá para fingir, não dá para ignorar… Estado deve se pronunciar sobre fatos que vão acontecer independente de existir ou não lei, independente de serem ou não condenados por Deus. Por isso há leis sobre essas situações, porque não dá para tapar o Sol com a peneira”.

O número total de presos em penitenciárias no Brasil é superior a 500.000. Isso é superior ao número de 60 mil casais homossexuais que o Rev. Helder Nozima cita. Com base na lógica do Rev. Helder Nozima, nós devemos defender o direito dos ladrões sobre os bens que conseguiram roubar. Não dá para fingir, não dá para ignorar. Ladrões sempre existiram e sempre continuarão a existir. Essa é a lógica do Rev. Helder Nozima, que a imoralidade é o fundamento de nossos direitos quando essa imoralidade é praticada por um número muito grande de pessoas. O fato é que, da mesma forma que ladrões não têm direitos derivados do roubo, assassinos não têm direitos derivados do assassinato, adúlteros não têm direitos derivados do adultério, também homossexuais não têm direitos derivados da homossexualidade. Por que somente a sodomia deve ser a base para fundamentar direitos? Por que não também o roubo e o adultério?

Casais têm direitos derivados do casamento, pais têm direitos derivados da paternidade e filhos têm direitos derivados da filiação. Homossexuais não podem ter esses mesmos direitos defendidos pelo estado simplesmente porque um casamento inclui, por definição, um homem e uma mulher. Como dois homens e duas mulheres não são capazes de se casarem por não se encaixarem nesta definição de casamento, eles não podem reivindicar direitos que são derivados do casamento. Salomão, como defensor da Lei de Deus, sabia disso, pois, com ele mesmo escreveu: “Abominação é aos reis praticarem impiedade, porque com justiça é que se estabelece o trono”. (Provérbios 16:12)

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