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O Vômito da Terra e o Governo Civil

Por Frank Brito

“Guardareis, pois, todos os meus estatutos e todos os meus preceitos, e os cumprireis; a fim de que a terra, para a qual eu vos levo, para nela morardes, não vos vomite. E não andareis nos costumes dos povos que eu expulso de diante de vós; porque eles fizeram todas estas coisas, e eu os abominei. Mas a vós vos tenho dito: Herdareis a sua terra, e eu vo-la darei para a possuirdes, terra que mana leite e mel”. (Levítico 20.22-24)

O VÔMITO DA TERRA

A Bíblia ensina que quanto mais uma nação se entrega ao pecado, quanto mais ela enche “a medida da iniquidade” (Gn 15.16), mais ela chama para si o juízo de Deus. O governo civil tem um papel muito importante em impedir que isto aconteça. Em Levítico 20 Deus falou de alguns povos que estavam prestes a ser julgados por Deus por causa do pecado. Estes povos eram “os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus”. (Dt 7.1) No caso dos amorreus, Deus já havia prometido julgá-los desde o tempo de Abraão:

“Ao pôr-do-sol, caiu profundo sono sobre Abrão, e grande pavor e cerradas trevas o acometeram; então, lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas. E tu irás para os teus pais em paz; serás sepultado em ditosa velhice. Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus”. (Gênesis 15.12-16)

Aqui Deus profetizou que Israel seria escravizado pelos egípcios. Depois disso, os egípcios seriam julgados e Israel seria liberto da escravidão. Tendo sido liberto, a nação de Israel seria conduzida à terra prometida, que era onde Abraão morava quando esta profecia aconteceu. Parte da terra já pertencia a outros povos. Um destes povos eram os amorreus. Portanto, para que Israel tomasse posse da terra prometida, teriam que derrotar os amorreus. Desta maneira os amorreus seriam julgados da mesma maneira que seria o Egito.

Deus explicou o motivo da destruição destes povos – incluindo os amorreus: “Pela maldade destas nações o SENHOR, teu Deus, as lança de diante de ti”. (Dt 9.4) Avisou aos hebreus também do que era necessário para que não fossem destruídos da mesma maneira: “Guardareis, pois, todos os meus estatutos e todos os meus preceitos, e os cumprireis; a fim de que a terra, para a qual eu vos levo, para nela morardes, não vos vomite”. (Lv 20.22) A linguagem aqui remete ao que já havia sido dito a Caim:

“E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão“. (Gênesis 4.11)

O pecado faz com que a terra seja profanada porque o homem é pactualmente responsável pelo domínio sobre a terra (Gn 1.26-28). Figuradamente, a terra engole o pecado. Este é o contexto para entender as palavras de Levítico: “a fim de que a terra, para a qual eu vos levo, para nela morardes, não vos vomite”. (Lv 20.22) O vômito da terra é uma reação ao pecado que a terra foi obrigada a engolir por tempo demais. O vômito da terra é o juízo de Deus. É o juízo de Deus na história contra os homens por transgredirem a Lei de Deus. Este juízo não é necessariamente imediato. É preciso que a terra tenha engolido o suficiente para que seja obrigado a vomitar. “Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus”. (Gênesis 15.16)

“Os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus” (Dt 7.1) foram julgados por Deus por meio do exército de Israel pelo mesmo motivo que Deus garantiu que Israel poderia vir a ser julgada. Séculos depois, Israel foi realmente julgado por meio do exército da Babilônia. Como orou Daniel:

“Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia e o perdão; pois nos rebelamos contra ele, e não temos obedecido à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos na sua Lei, que nos deu por intermédio de seus servos, os profetas. Sim, todo o Israel tem transgredido a tua Lei, desviando-se, para não obedecer à tua voz; por isso a maldição, o juramento que está escrito na Lei de Moisés, servo de Deus, se derramou sobre nós; porque pecamos contra ele. E ele confirmou a sua palavra, que falou contra nós, e contra os nossos juízes que nos julgavam, trazendo sobre nós um grande mal; porquanto debaixo de todo o céu nunca se fez como se tem feito a Jerusalém. Como está escrito na Lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não temos implorado o favor do Senhor nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniqüidades, e para alcançarmos discernimento na tua verdade”. (Daniel 9.9-13)

Isto deixa claro que as exigências da Lei de Deus e as bençãos e maldições do pacto (Deuteronômio 28) não vigoram para Israel somente. “Ora, nós sabemos que tudo o que a Lei diz, aos que estão debaixo da Lei o diz, para que se cale toda boca e todo o mundo fique sujeito ao juízo de Deus”. (Rm 3.19) Quanto mais as nações se rebelam contra a Lei de Deus, mais elas enchem “a medida da iniquidade” (Gênesis 15.16). E quanto mais elas enchem a medida da iniquidade, mais Deus derrama Sua ira e aplica as maldições do pacto contra elas. Por outro lado, quanto mais as nações obedecem a Deus, mais elas recebem a prosperidade e bençãos do pacto.

A ascensão ou queda das nações depende do grau de adesão destas nações as exigências da Lei de Deus. As nações são exaltadas ou rebaixadas porque Deus aplica as bênçãos e maldições do pacto sobre estas nações. A história não é arbitrária, pois é movida pela Providência de Deus que exalta e rebaixa as nações à medida que obedecem ou transgridem a Lei do Senhor. Se quisermos saber quão perto ou quão longe uma nação está da ruína, tudo que precisamos saber é quão perto ou quão longe a nação está da obediência a Deus. Rebelião produz destruição, não só a destruição eterna no inferno, mas também a destruição de civilizações no tempo e na história.

É com base nisto que Jesus ameçou a nação de Israel:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas. Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno? Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste! Eis aí abandonada vos é a vossa casa. Pois eu vos declaro que desde agora de modo nenhum me vereis, até que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”. (Mateus 23.29-39)

Jesus avisou que o juízo de Deus que viria sobre Israel. Mas para que o juízo de Deus viesse sobre Israel seria necessário que enchessem a medida da iniquidade. “Enchei, vós, pois a medida de vossos pais”. (v.32) De que maneira ela estaria cheia? Ele disse que se encheria pelo assassinato dos mártires: “Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade” (v. 34-35). O que Jesus explicou é que quando o número de mártires chegasse no limite, a medida da iniquidade estaria cheia e Israel sofreria o vômito da terra:

“Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação”. (Lucas 19.43-44)

“Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem”. (Lucas 21.20-24)

“Porque vós, irmãos, haveis sido feitos imitadores das igrejas de Deus que na Judéia estão em Jesus Cristo; porquanto também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles, Os quais também mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e nos têm perseguido; e não agradam a Deus, e são contrários a todos os homens, E nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim”. (I Tessaloniscenses 2:14-16)

Isso se cumpriu no ano de 70 AD na guerra judaica-romana. Há um bom documentário interessante produzido pela BBC que conta essa história:

O GOVERNO CIVIL

Este é o pano de fundo para entender o que a Bíblia ensina sobre a função do governo civil:

“E não recebereis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte; pois certamente morrerá… Assim não profanareis a terra em que estais; porque o sangue faz profanar a terra; e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que nela se derramar, senão com o sangue daquele que o derramou“. (Número 35.31-33)

Aqui Deus explicou que o assassinato profana a terra, que Ele exige que o homicida seja executado e que nenhuma outra pena pode ser aplicada por este crime. O que era o “resgate”? O resgate era uma quantia de dinheiro que, no caso de outros crimes capitais, o criminoso poderia pagar como forma de evitar a pena de morte:

“E se algum boi escornear homem ou mulher, que morra, o boi será apedrejado certamente, e a sua carne não se comerá; mas o dono do boi será absolvido. Mas se o boi dantes era escorneador, e o seu dono foi conhecedor disso, e não o guardou, matando homem ou mulher, o boi será apedrejado, e também o seu dono morrerá. Se lhe for imposto resgate, então dará por resgate da sua vida tudo quanto lhe for imposto“. (Êxodo 21.28-30)

Aqui há também um caso de morte. Mas, neste caso, não houve intenção de matar. Houve somente irresponsabilidade por parte do dono do animal. Essa irresponsabilidade é suficiente para que o dono seja digno de morte. Sua irresponsabilidade foi a causa da morte de seu próximo, pois o dono do animal sabia do risco e não preveniu. Mas, ainda assim, não é o mesmo que puxar uma faca e passar no pescoço do próximo. Por conta disso, ele poderia evitar a pena de morte pagando um resgate. O mesmo é verdade para outros crimes capitais. Já o caso de Números 35.31-33 é o mesmo que de Êxodo 21.14: “Mas se alguém agir premeditadamente contra o seu próximo, matando-o à traição”, não se poderia abaixar a pena e por isso “tira-lo-ás até do meu altar, para que morra” (Ex 21.14) e “não recebereis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte” (Nm 35.31). Nenhuma pena pode ser dada a homicidas que não seja a pena de morte. Deus não aceita resgates de homicidas. Qualquer coisa abaixo da pena de morte é rejeitado por Deus “porque o sangue faz profanar a terra; e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que nela se derramar, senão com o sangue daquele que o derramou“. (Nm 35.31-33)

A profanação da terra neste verso refere-se ao mesmo que Deus já havia dito para Caim: “E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão“. (Gênesis 4.11) O pecado faz com que a terra seja profanada porque o homem é pactualmente responsável pelo domínio sobre a terra (Gn 1.26-28). Figuradamente, a terra engole o sangue da vítima. O vômito da terra é uma reação a sangue demais que a terra foi obrigada a engolir. O vômito da terra é o juízo de Deus. O governo civil tem um papel muito importante em impedir que isto aconteça: Executando os homicidas. A execução dos homicidas faz com que a profanação da terra seja expiada e, consequentemente, impede que a medida da iniquidade se encha ainda mais. Por outro lado, nações que não castigam homicidas com morte, contribuem para que a medida da iniquidade se encha mais rápido simplesmente “porque o sangue faz profanar a terra; e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que nela se derramar, senão com o sangue daquele que o derramou“. (Nm 35.31-33) Gary North comentou:

“Quando falamos em dissuadir crimes, precisamos falar primeiro em impedir a ira de Deus contra a comunidade por causa da indisposição dos tribunais de impor a justiça de Deus na comunidade. Deus requer que o governo civil castigue criminosos porque todos os crimes são, antes de mais nada, crimes contra Deus. A indisposição dos magistrados civis de aplicar sanções específicas contra atos públicos específicos fazem com que Deus aplique maldições pactuais contra a comunidade“. (Gary North, Victim’s Rights)

Entre 1973 e 2011, 54.559.615 crianças foram brutalmente assassinadas em abortos legalizados nos Estados Unidos. No Brasil há uma luta acontecendo para promover o holocausto de bebês aqui também. Se não resistirmos, um holocausto infantil poderá começar a qualquer momento. Cristãos conservadores reconhecem que aborto é homicídio – dos medicos, da mãe e de qualquer outro que incentive o aborto. Mas, será que os cristãos são consistentes quando identificam o aborto como homicídio? O que Deus exige em casos de homicídios? Deus exige que aqueles que praticam o aborto sejam executados por assassinato, tanto os médicos abortistas quanto mães abortistas. Deus exige que o aborto seja reconhecido como crime capital.

Aonde estão os cristãos avisando isso ao mundo abertamento? O que aconteceu com o legado dos profetas que apóstolos? Pelo jeito, foi silenciado junto com o grito de bilhões de bebês assassinados no ventre da mãe. E a medida da iniquidade continua a se encher.

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