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Um Só Corpo: A Unidade Predestinada da Igreja de Deus
Por Frank Brito

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“Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. (Efésios 4.1-5)

Se “há um só corpo”, isto é, uma só Igreja, por que há tantas denominações? Se há “uma só fé”, por que há tantas divergências doutrinárias? Essa é mesmo a Igreja que tem “um só Espírito” e “um só Senhor”? Isto não é claramente uma contradição?

Pode parecer uma contradição somente se ignorarmos a totalidade do argumento de Paulo. De fato, o Apóstolo Paulo explica que a Igreja é única – “há um só corpo” – e, portanto, que devemos “guardar a unidade” (v. 3). Por outro lado, não se pode ignorar que ele ensinou também que esta unidade é algo existe somente em princípio, mas que, ao mesmo tempo, não é algo já consumado, é algo ainda em processo de desenvolvimento:

“Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens. Ora, isto–ele subiu–que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”. (Efésios 4.7-13)

Aqui o Apóstolo Paulo reconhece que, apesar de, em princípio, haver “um só corpo” (v. 4) e “uma só fé” (v. 5), isto ainda não é uma realidade ainda plenamente consumada. O Apóstolo explica que esse é o desejo de Deus e, segundo o Seu perfeito querer, Ele estabeleceu meios para este fim que, no tempo presente, ainda não foi alcançado. Qualquer tentativa de compreender a natureza da Igreja precisa reconhecer as duas coisas. Primeiro, que a Igreja é, em princípio, una. Segundo, que a plena unidade da Igreja ainda não é uma realidade consumada, pois Deus ainda está providenciando os meios para que “que todos cheguemos à unidade da fé” (v. 13).

Podemos comparar este desenvolvimento histórico e progressivo da Igreja com o processo de salvação na vida do indivíduo cristão, conforme S. Paulo explicou na mesma carta. O Apóstolo começou a carta explicando como tudo começou ainda na eternidade quando Deus nos predestinou:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado”. (Efésios 1.3-6)

Deus nos elegeu e predestinou para um fim, um propósito final. Ele nos elegeu e predestinou “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (v. 4). Este é Seu desejo para seus eleitos. E, segundo o Seu perfeito querer, Ele estabeleceu meios para este fim. Primeiro, há a morte expiatória de Cristo:

“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça”. (Efésios 1.7)

Nós somos, em nós mesmos, pecadores, “estando… mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Isto é o contrário daquilo que é o fim para o qual fomos predestinados, a saber, “que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.4). Por conta disso, para que este fim fosse alcançado, foi necessário que Deus providenciasse o meio de nos remir do poder do pecado. Ele providenciou a morte de Seu Filho, “em quem temos a redenção pelo seu sangue” (v. 7), e, com base nos méritos da morte de Cristo, “estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo” (Ef 2.5). E, tendo ressuscitado com o Cristo, fomos “criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (v. 10). “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz. (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Aprovando o que é agradável ao Senhor. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta” (Ef 5.8-13) Mas, apesar de Deus, por Seu Espírito, operar em nós as obras de santidade que Ele preparou antes da fundação do mundo para que nelas andássemos, nós jamais somos perfeitamente santificados nesta vida. É verdade que “aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso” (I Jo 2.4), mas isto não significa guarda-los perfeitamente, pois “se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (I Jo 1.10). A santificação do indivíduo cristão não é perfeita, mas é progressiva. “A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Os santos não são perfeitos, mas Deus que haja, progressivamente, “o aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4.12). Devemos entender a unidade da Igreja da mesma maneira. Apesar de, em princípio, haver “um só corpo” (Ef 4.4) e “uma só fé” (Ef 4.5), isto não ainda é uma realidade ainda plenamente consumada simplesmente porque a Igreja ainda não foi plenamente santificada.

Se a unidade da Igreja fosse uma realidade já consumada em toda sua plenitude, não haveria qualquer necessidade do Apóstolo Paulo mandarmos “guardar a unidade” (v. 3). Ele mandou que andássemos “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito” porque, como ainda pecamos, a unidade nem sempre é honrada entre nós. A unidade é um princípio real, assim como nossa santificação é real. Mas, ela ainda não é perfeita, não é ainda plenamente consumada e, sendo assim, houve a necessidade dele mandar guardar a unidade. E se a unidade do Espírito no qual há um só corpo é algo que devemos procurar guardar, pois este é a vontade perfeita de Deus para Sua Igreja, segue-se que devemos buscar diligentemente entender os meios que Deus estabeleceu para este fim. Falaremos mais sobre isso na próxima parte de nosso estudo.

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