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Um Só Corpo: A Unidade Predestinada da Igreja de Deus (IV)
Por Frank Brito

Parte IParte IIParte IIIParte IV

“… tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. (Efésios 4.12-13)

Na primeira parte de nosso estudo vimos que apesar de, em princípio, haver “um só corpo” (v. 4) e “uma só fé” (v. 5), isto ainda não é uma realidade ainda plenamente consumada e por isso ainda há tantas divergências na Igreja de Cristo. Na segunda parte vimos que um dos meios estabelecidos por Deus para fazer com que a Igreja chegue “à unidade da fé” (Ef 4.13) foi enviando apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Vimos também que a função dos apóstolos e profetas eram a de lançar o fundamento da Igreja e, estando este fundamento já completo nas Sagradas Escrituras, não há mais apóstolos e profetas. Os ofícios que agora existem é somente de edificar sobre o fundamento já lançado. Na terceira parte vimos que, no decorrer da história, Deus veio cumprindo com essa promessa, como continua a fazê-lo até hoje, e, portanto, aqueles que querem ser edificados e cooperar para a edificação da Igreja precisam consultar a sabedoria de todos estes mestres e sabios que Deus nos enviou no decorrer de dois milênios de Cristianismo. Agora, na quarta parte, iremos analisar de que maneira Deus, tendo estabelecido estes meios para conduzir Sua Igreja à unidade da fé, irá conduzir todas as coisas ao seu fim predestinado de forma que a Igreja será plenamente una.

A vasta maioria dos cristãos hoje acredita que quanto mais a história avança e chegamos ao fim, mais devemos esperar que as coisas fiquem piores para a Igreja e para o mundo como um todo. Mas, não há qualquer texto bíblico que, implicita ou explicitamente, sustente essa opinião. Efésios 4 ensina o contrário, que Deus, no decorrer da história, vem trabalhando para edificar Sua Igreja “até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”(Ef 4.13). Deus não está trabalhando para que Sua Igreja se torne cada vez mais dividida e confusa, mas, para que as divisões e confusões deixem de existir. As divisões e confusões existem porque apesar de, em princípio, haver “um só corpo” (v. 4) e “uma só fé” (v. 5), isto ainda não é uma realidade ainda plenamente consumada. Deus ainda não terminou de edificar a Igreja. Ela é um templo ainda em construção. O fundamento já foi lançado. A edificação está acontecendo há dois milênios. Mas, ainda há muito que precisa ser feito. Paulo deixou claro que quanto mais a história avança, mais a Igreja se aproxima à plenitude da unidade e da fé. Jesus ensinou o mesmo no Evangelho de João:

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um”. (João 17.21-22)

Jesus orou pela unidade da Igreja. Será que Seu pedido não será atendido? “E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves“. (Jo 11.41-42) E é justamente como meio de ter Sua oração atendida que “subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens… querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”. (Eph 4.8,12-13) Sendo assim, devemos rechaçar aqueles que proclamam um destino sempre sombrio para a Igreja e o Cristianismo entre as nações. Paulo nos ensinou exatamente o contrário. Ele ensina um futuro glorioso para a Igreja e, segundo a oração de Jesus, quando a Igreja chegr à unidade da fé, este será o meio de Deus fazer com “que o mundo creia (Jo 17.21). Devemos reconhecer a realidade presente do Reino de Jesus Cristo, pela qual “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Hab 2.14) e “todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor, e diante dele adorarão todas as famílias das nações”. (Sl 22.27).

Alguns argumentam que, em Efésios 4, Paulo não está falando de como a Igreja seria gloriosa na história, mas somente de algo que só se concretizará na eternidade. Essa não é uma interpretação possível simplesmente porque na eternidade não teremos mais necessidade dos apóstolos, profetas, evangelistas, profetas e mestres. Paulo claramente falou que a Igreja chegaria “à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13) por meio do trabalho dos apóstolos, profetas, evangelistas, profetas e mestres e, portanto, não poderia estar falando da eternidade, pois, neste caso, eles não serão mais necessário, pois todos já estaremos com Cristo pessoalmente.

Como escreveu o Reformador Protestante João Calvino:

“Deus não somente protege e defende o Reino de Cristo, mas também estende seus limites em todas as direções, e então preserva e transmite-o adiante em progresso ininterrupto… Não devemos julgar sua estabilidade a partir da presente aparência das coisas, mas a partir da promessa, que nos assegura de sua continuidade e de seu crescimento constante”. (João Calvino, Comentário sobre Isaías 9.7)

E também o Catecismo Maior de Westminster:

“Na segunda petição, que é: ‘venha o teu reino’ – reconhecendo que nós e todos os homens estamos, por natureza, sob o domínio do pecado e de Satanás -, pedimos que o domínio do mal seja destruído, o Evangelho seja propagado por todo o mundo, os judeus chamados, e a plenitude dos gentios seja consumada; que a Igreja seja provida de todos os oficiais e ordenanças do Evangelho, purificada da corrupção, aprovada e mantida pelo magistrado civil; que as ordenanças de Cristo sejam administradas com pureza, feitas eficazes para a conversão daqueles que estão ainda nos seus pecados, e para a confirmação, conforto e edificação dos que estão já convertidos; que Cristo reine nos nossos corações, aqui, e apresse o tempo da sua segunda vinda e de reinarmos nós com ele para sempre; que lhe apraza exercer o reino de seu poder em todo o mundo, do modo que melhor contribua para estes fins”. (Catecismo Maior de Westminster, P. 191)

Deus predestinou Sua Igreja à unidade. Ele estabeleceu os meios para este fim. Seu propósito não falhará. Que Deus nos dê força para amar e lutar por Sua Igreja.

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