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Um Só Corpo: A Unidade Predestinada da Igreja de Deus
Por Frank Brito

Parte IParte IIParte IIIParte IV

“Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens. Ora, isto–ele subiu–que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”. (Efésios 4.7-14)

Aqui o Apóstolo explicou que, como meio de aperfeiçoar os santos, edificar Sua Igreja e fazer com que ela chegue à unidade da fé, Cristo “deu dons aos homens” (v. 8). Ele não citou todos os dons que existem, mas mencionou os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores. É importante notar que ele já havia mencionado apóstolos e profetas quando comparou a Igreja com o templo de Jerusalém:

“Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito”. (Ef 2.19-22)

Aqui ele citou os apóstolos e profetas. Mas, não citou os evangelistas, pastores e doutores. Por que não? Porque eles não fazem parte do fundamento. A Igreja, figuradamente, é um templo. Deus dá dons aos homens para “para edificação” (Ef 4.12) do templo-Igreja. O fundamento foi lançado pelos profetas e apóstolos. Não é lançado pelos evangelistas, pastores e doutores. A função dos evangelistas, pastores e doutores é edificar sobre o fundamento que já foi lançado. Essa é a distinção que Paulo fez entre ele e Apolo:

“Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um”. (I Coríntios 3.5-13)

Paulo era apóstolo. Apolo não. Apolo, tudo indica, tinha um chamado para ser doutor (At 18.24). É por isso que Paulo disse que ele, não Apolo, “plantou” (v. 6) e “como sábio arquiteto” lançou “o fundamento” (v. 10). É por isso que Paulo disse que Apolo, não ele, “regou” e “edificou” sobre o fundamento que ele havia lançado. O fundamento é “dos apóstolos e dos profetas” (Ef 2.20), pois são eles que lançaram. Os evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11) simplesmente edificam sobre o fundamento que os apóstolos e profetas E é por isso que, na Igreja de Deus, não há mais legítimos apóstolos e profetas. O fundamento do templo-Igreja não está ainda sendo lançado. O fundamento já foi lançado e “ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto” (I Co 3.11).

Uma das diferenças cruciais do apóstolo e do profeta em relação aos demais ofícios eclesiásticos era na maneira em que eram chamados para exercer o ofício. Diferente dos demais, profetas e apóstolos eram estabelecidos no ofício diretamente por Deus e não por meio de homens. Presbíteros/pastores/bispos (as três palavras são sinônimas e indicam o mesmo ofício no Novo Testamento – cf. At 20.17,28-30; Tt 1.5-9; I Tm 3.1-7) eram eleitos pela igreja:

“E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, [Paulo e Barnabé] voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus. E, havendo-lhes feito eleger presbíteros em cada igreja e orado com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido”. (Atos 14.21-23)

Já o Apóstolo não era eleito por homem algum para exercer o ofício, mas era estabelecido como apóstolo diretamente por Deus. É por isso que o Apóstolo Paulo, ao defender sua autoridade apostólica cita o fato dele ter estado pessoalmente com o Senhor ressurreto, sendo estabelecido como apóstolo diretamente por Ele:

Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel”. (Atos 9.15)

“Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor?” (I Coríntios 9.1)

“Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas [Pedro], e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim”. (I Coríntios 15.1-8)

“Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)… Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”. (Gálatas 1.1,11-12)

É por isso não era qualquer um que poderia substituir Judas no apostolado, mas somente alguém que tivesse estado pessoalmente com o Senhor ressurreto e, além disso, que fosse diretamente escolhido pelo Espírito Santo para assumir o ofício:

“É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição. E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, Para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar”. (Atos 1.21-25)

É por isso que todos supostos apóstolos modernos, como o herege modalista e antinomista da seita Cristo Vive (dentre os quais Deus preserva seus eleitos maravilhosamente), Miguel Ângelo, não são apóstolos de fato. Ele nunca esteve com Jesus Cristo pessoalmente e nem foi pessoalmente nomeado por Ele para o apostolado. E nem poderia, pois o fundamento do templo-Igreja já foi posto há dois milênios, não havendo mais necessidade de ninguém “pôr outro fundamento além do que já está posto” (I Co 3.11). O dever de todo cristão, segundo Jesus Cristo, é identificar tais falsos apóstolos como aquilo que realmente são: “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos” (Ap 2.2).

Vemos o mesmo padrão na Bíblia para a vocação dos profetas. Profetas eram postos como profetas diretamente por Deus e não por intermédio humano, como os demais:

“Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus. E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu. E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito. Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte”. (Êxodo 3.6-12)

“Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o SENHOR. E estendeu o SENHOR a sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o SENHOR: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca; Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares”. (Jeremias 1.4-10)

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis”. (Isaías 6.8-9)

Diferente dos demais ofícios, profetas e apóstolos eram estabelecidos no ofício diretamente por Deus e não por meio de homens. Entender essa diferença é crucial para entender o papel que os apóstolos e profetas exercem em lançar o fundamento da Igreja. Quando cristãos comuns querem saber sobre o Deus, Cristo ou qualquer outra coisa sobre o Evangelho, eles precisam ler a Bíblia ou aprender a Bíblia de alguém que entende melhor. Mas, este não era o caso do Apóstolo Paulo, por exemplo. Ele aprendia as doutrinas cristãs diretamente de Jesus Cristo. “Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”. (Gl 1.1,11-12) Cristãos comuns não podem dizer o mesmo. Nós aprendemos o Evangelho lendo o Apóstolo Paulo e ouvindo pregadores explicando aquilo que Paulo escreveu. O mesmo vale para todos os apóstolos e profetas. É por isso que é dito que nós somos “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina”. (Ef 2.20) Porque eles recebiam a doutrina diretamente de Deus e nós não recebemos a doutrina diretamente de Deus. Nós recebemos a doutrina de Deus por meio dos apóstolos e profetas, isto é, por meio dos escritos inspirados por Deus que eles nos deixaram como o fundamento da Igreja – as Sagradas Escrituras. Os apóstolos e profetas tinham em comum que ambos recebiam a doutrina diretamente de Jesus Cristo. A diferença entre os dois, o apóstolo e o profeta, era simplesmente que a revelação da doutrina recebida pelo apóstolo era por meio do homem-Deus Jesus Cristo encarnado pessoalmente e, no caso do profeta, a revelação da doutrina era por outros meios com sonhos, visões, etc. Mas, além desta diferença, quanto a maneira em que a doutrina era recebida, o propósito dos dois ofícios é essencialmente o mesmo, estabelecer o fundamento da Igreja para que gerações futuras edificassem sobre o fundamento lançado.

Desta maneira, podemos compreender melhor a arrogância daqueles que, em tempos modernos, dizem exercer o ofício de profeta. Ora, se eles são profetas, eles são com Isaías, Jeremias, Miqueias, Pedro e Paulo. Se eles são profetas, então a Igreja está edificada sobre o fundamento deles, seus escritos precisam ser reconhecidos como parte das Sagradas Escrituras e toda a Igreja deve reconhecer estes escritos como matéria de regra e prática, da mesma forma que reconhecemos Isaías e Jeremias. A pergunta crucial para aqueles que acreditam em profetas contemporâneos é: Estes supostos profetas têm a mesma autoridade de Isaías? Se não tem, então não são profetas. O profeta, disse Paulo, lançava o fundamento da Igreja e é por isso que reconhecemos o livro de Isaías como um fundamento da Igreja. Não existem mais profetas simplesmente porque o fundamento da Igreja não está sendo mais lançado. O fundamento já foi lançado, há dois milênios, e agora a Igreja está somente sendo edificada sobre o firme fundamento que o Senhor registrou para nós nas Sagradas Escrituras. Defender a existência de profetas contemporâneos é defender que, dois mil anos depois de Cristo, a Igreja ainda está sendo fundada!

Tendo isso compreendido, podemos entender melhor o que o Apóstolo Paulo explicou sobre apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores sendo enviados por Deus para promover “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:12-13). Falaremos mais sobre isso na terceira parte de nosso estudo.

Parte IParte IIParte IIIParte IV

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