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O PAPA E O ANTICRISTO (Parte IV)
Por Frank Brito

Parte IParte IIParte IIIParte IV

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”. (I Coríntios 10.11)

Na primeira parte de nosso estudo identificamos o anticristo. Na segunda parte, identificamos a besta do Apocalipse. Na terceira parte identificamos a Grande Prostituta. Demonstramos que as três coisas se cumpriram no primeiro século. O anticristo eram os falsos mestres que negavam a humanidade de Cristo. A besta era o Império Romano. A Grande Prostituta era a Jerusalém terrena que foi destruída pelo Império Romano. O fato é que os destinatários originais do Apocalipse foram “às sete igrejas que estão na Ásia” (Ap 1.4). O livro não poderia ser sobre acontecimentos sem qualquer relação direta com eles. Muitos entendem que as visões do Apocalipse apontam para eventos quase exclusivamente futuros e cujo cumprimento em muito lembra aquilo que costumamos ver nos filmes de ficção científica. Mas a preocupação primária do Apocalipse é tratar dos conflitos que estavam acontecendo já no primeiro século, problemas enfrentados por aqueles a quem o livro foi dirigido, as tribulações que passariam aqueles que viveram no período de transição entre os dois pactos. O Apocalipse fala de questões diretamente relevantes e não de coisas que eles não nunca seriam capazes de entender porque somente se cumpririam séculos depois. Portanto, nenhuma das coisas – anticristo, besta ou grande prostituta – se aplicam diretamente ao papado ao catolicismo romano.

Mas, isso não significa significa que o Apocalipse não tenha importância para nós que não estamos mais no primeiro século. As Escrituras continuamente mostram que eventos passadas e profecias de eventos que já se cumpriram não tinham importância somente para aqueles que viveram na época em que aconteceram, mas que “tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso…”. (I Co 10.11) Por exemplo, Deus profetizou para Abraão que o povo de Israel seria escravizado pelos egípcios por quatrocentos anos e que depois disso os egípcios seriam julgados por Deus: “Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos; sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois sairá com muitos bens”. (Gn 15.13-14) Mas a libertação de Israel da escravidão no Egito tinha importância não somente para a geração do Êxodo na qual a profecia se cumpriu, mas tem importância também para os judeus de todas as gerações e também para os cristãos. O juízo de Deus sobre o Egito era um exemplo para todas as gerações do que Deus faz contra povos ímpios. A libertação de Israel da escravidão do Egito é um exemplo para todas as gerações de como Deus liberta o seu povo e salva os oprimidos que clamam por ele. Da mesma forma, as cartas apostólicas do Novo Testamento foram escritas para igrejas específicas do primeiro século, com o objetivo de tratar de problemas específicos pelo qual eles estavam passando. Isso não significa que estas cartas não tenham qualquer valor pra nós agora. Ao contrário, as lições que as igrejas do primeiro século receberam dos apóstolos devem servir de base para todos os homens de todas as épocas. Da mesma forma a maior parte das visões do Apocalipse se cumpriram no passado, mas continuam servindo de exemplo e tendo uma aplicação importante para todos nós.

Assim, devemos entender o que é dito sobre o anticristo, a besta e a grande prostituta.

Quando lemos sobre o anticristo nas cartas de João, devemos ter em mente que ele fala de falsos mestres de seu próprio tempo que negavam a encarnação do Verbo. Mas, ao mesmo tempo, o que é dito sobre falsos mestres daquele tempo “foi escrito para aviso nosso” (I Co 10.11) e, portanto, nos ensina a lidar com os falsos mestres de hoje, ainda que não sejam os mesmos que existiam no tempo de João.

Quando lemos sobre a besta do Apocalipse devemos entender que que João estava falando do Império Romano que não existe mais. Mas, ao mesmo tempo, o que é dito sobre o Império Romano daquele tempo “foi escrito para aviso nosso” (I Co 10.11) e, portanto, nos ensina a lidar com governos tiranos e opressores que oprimem o povo de Deus e a humanidade. Nos ensina o que pensar e como agir a respeito dos governos dos Estados Unidos da América e da Europa que promovem um holocausto de bebês. Nos ensinam o que pensar e como agir em relação a nações islâmicas que perseguem a Igreja. Nos ensinam o que pensar e como agir quando mesmo acontece em qualquer tempo e em qualquer lugar. A besta se cumpriu no Império Romano, mas, sempre houveram e ainda há muitos reinos e nações que fazem o mesmo e, portanto, “tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso”(I Co 10.11).

Quando lemos sobre a Grande Prostituta, devemos entender que João estava falando da cidade de Jerusalém que seria destruída em 70 AD. Mas, ao mesmo tempo, o que é dito sobre a Jerusalém daquele tempo “foi escrito para aviso nosso” (I Co 10.11) e, portanto, nos ensina algo a respeito de povos que pactuam com Deus, entram em aliança com ele, mas se rebelam contra o Senhor e se conformam a este mundo. Israel era um povo pactuado com Deus e se prostituiu. Tendo se prostituido, foi lançada fora. Isso nos ensina sobre o que pensar e como lidar com Igrejas que devriam viver com fidelidade o pacto com Deus, mas preferem se prostituir com o Diabo, como é o caso do catolicismo romano. Isso nos ensina sobre o que pensar e como lidar com povos nações que outrora foram pactuados com Deus, como os Estados Unidos da América ou a Holanda, mas se comportaram exatamente como Israel.

Aqui precisamos manter um equilíbrio. Por um lado, devemos entender que o papado e o catolicismo romano não são tratados diretamente pelo Apocalipse ou pelo que é dito sobre o anticristo. João estava tratando diretamente de questões de seu próprio tempo. Sendo assim, buscamos em vão se procuramos na Bíblia os detalhes sobre Bento 16, o que acontecerá depois de sua renúncia ou sobre o papa que tomará o seu lugar. Por outro lado, devemos reconhecer que o que aconteceu “foi escrito para aviso nosso” (I Co 10.11) e, portanto, pode e deve ser reaplicado para compreender o que o papado e catolicismo romano é em sua essência – um sistema religioso rebelde ao Senhor que, assim como foi a Grande Prostituta Israel, é liderado por falsos mestres e anticristos, papas, bispos, padres, monges e cardeais.

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