mecNABUCODONOSOR E A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO
Por Frank Brito

“No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou… E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, Jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus…”(Daniel 1.1-8)

Uma das primeiras coisas que o rei Nabucodonosor fez depois de sitiar Jerusalém e levar os sobreviventes para o cativeiro na Babilônia foi ordenar “que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento”. (v. 3-4) É provável que o objetivo de Nabucodonosor com estes jovens ia além de ter mais pessoas capacitadas para “assistirem no palácio do rei” e “estar diante do rei” ao seu serviço (v. 4,5). Se eles eram jovens “instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento” (v. 4), então eles representavam o futuro e a esperança de Israel. O comportamento do rei Nabucodonosor pode ser melhor compreendido à luz das palavras do filósofo e economista Friedrich Hayek:

“A sociedade só mudará de rumo se houver mudança no campo das idéias. Primeiro você tem que se dirigir aos intelectuais, professores e escritores, com uma argumentação bem fundamentada. Será a influência deles sobre a sociedade que prevalecerá e os políticos seguirão atrás.”

A base intelectual e ideológica de qualquer nação nunca é fruto da conclusão de cada pessoa que compõe a nação individualmente, mas é regido por uma elite intelectual que influência a maioria. Sendo assim, para que Nabucodonosor conseguisse a completa subversão dos judeus, não bastava a mera vitória militar, mas era necessário também que ele conseguisse dominar os intelectuais. A derrota militar de uma nação, apesar de ser trágica para seu povo, não é tão devastador quanto a ruína no campo das idéias. Se um povo está arruinado, mas ainda tem força intelectual, é capaz de se reconstruir rapidamente. Mais do que isso, se um povo tem força intelectual, será difícil vencê-lo militarmente. A derrota militar de Israel para a Babilônia foi precedida por sua ruína intelectual cujo fundamento era Deus:

O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento“. (Provérbios 1.7)

“Vindo o vosso temor como a assolação, e vindo a vossa perdição como uma tormenta, sobrevirá a vós aperto e angústia. Então clamarão a mim, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão. Porquanto odiaram o conhecimento; e não preferiram o temor do SENHOR: Não aceitaram o meu conselho, e desprezaram toda a minha repreensão. Portanto comerão do fruto do seu caminho, e fartar-se-ão dos seus próprios conselhos. Porque o erro dos simples os matará, e o desvario dos insensatos os destruirá. Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, e estará livre do temor do mal”. (Provérbios 1.27-33)

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da Lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”.(Oséias 4.6)

Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes… Também darei paz na terra, e dormireis seguros, e não haverá quem vos espante; e farei cessar os animais nocivos da terra, e pela vossa terra não passará espada. E perseguireis os vossos inimigos, e cairão à espada diante de vós. Cinco de vós perseguirão a um cento deles, e cem de vós perseguirão a dez mil; e os vossos inimigos cairão à espada diante de vós”. (Levítico 26.3,6-8)

Israel só foi destruído militarmente porque já havia sido destruída espiritualmente. Israel só foi vencida pela Babilônia na guerra porque já havia sido espiritualmente vencida pelo paganismo dos babilônios no coração. Daniel era uma exceção, fazia parte de um remanescente: “Porque, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá! E, segundo o número das ruas de Jerusalém, levantastes altares à impudência, altares para queimardes incenso a Baal”. (Jr 11.13) O objetivo de Nabucodonosor era que estes deixassem pra trás a lembrança do que Israel significava e abraçassem completamente a “sabedoria” da Babilônia. Com isso, a força e esperança dos judeus estariam completamente aniquiladas, não porque o povo deixaria de existir, mas porque não haveria mais lembranças daquilo que Israel foi chamada por Deus para ser. Em tempos modernos, o princípio pode ser observado nas palavras de Adolf Hitler:

“Quando um oponente declara, ‘Não vou ficar do seu lado’, eu calmamente digo, ‘Seu filho já pertence a nós… o que é você? Você vai morrer. Seus descendentes, no entanto, agora ocupam o novo campo. Em pouco tempo eles não conhecerão nada além desta nova comunidade”.

O livro de Daniel narra a fidelidade incondicional de Daniel e seus amigos à Deus. Uma das maiores ênfases do livro é o contraste entre a sabedoria da Lei de Deus e a estupidez da filosofia, religião e estilo de vida da Babilônia. “Guardai-os pois, e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida”. (Dt 4.6) Inicialmente, a fidelidade de Daniel e seus amigos provocou a perseguição implacável da Babilônia. Sadraque, Mesaque e Abedinego foram lançados na fornalha e Daniel foi lançado na cova dos leões. Como Jesus mencionou no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós“. (Mateus 5.11-12) Mas a sabedoria de Daniel e seus amigos acabou se tornando tão notável na Babilônia que foi impossível não reconhecerem. Por conta disso, foram progressivamente adquirindo influência e domínio:

“Respondeu o rei a Daniel, e disse: Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis e revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério. Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes dádivas, e o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também o fez chefe dos governadores sobre todos os sábios de Babilônia”. (Dn 2.47-48)

“Falou Nabucodonosor, dizendo: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois violaram a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus. Por mim, pois, é feito um decreto, pelo qual todo o povo, e nação e língua que disser blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro Deus que possa livrar como este. Então o rei fez prosperar a Sadraque, Mesaque e Abednego, na província de Babilônia”. (Dn 3.28-30)

A história de Daniel na Babilônia é um exemplo da importância da educação. O Reformador Protestante Martinho Lutero escreveu:

“Temo que as escolas venham a ser portas abertas para o inferno, a menos que diligentemente trabalhem explicando as Sagradas Escrituras, colocando elas no coração dos jovens. Não aconselho ninguém a colocar seu filho onde as Escrituras não reinem supremas. Qualquer instituição em que os homens não estão permanentemente ocupados com a Palavra de Deus termina corrupta”. (Martinho Lutero)

Muitos cristãos brasileiros compartilham da opinião de que as coisas melhorariam no Brasil se nosso governo trabalhasse para melhorar as escolas públicas de forma que elas tivessem a mesma qualidade que as particulares. Isso é ingênuidade. A Bíblia diz que “O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento”. (Pv 1.7) A definição que temos hoje de uma “educação melhor” não é uma educação em que o temor do Senhor é o princípio. A definição que temos hoje de uma “educação melhor” é uma educação em que o ceticismo, o relativismo religioso, a arrogância intelectual, o cininismo moral e o materialismo são reconhecidos com o princípio do conhecimento. As escolas particulares são as “melhores” simplesmente porque são mais consistentes com estes princípios. As escolas particulares são as “melhores” porque são mais bem sucedidos do que as públicas em formar humanistas odiadores de Deus. Jesus ensinou: “Não é o discípulo mais do que o seu mestre; mas todo o que for bem instruído será como o seu mestre“. (Lucas 6:40) Se mandamos nossos filhos para serem educados segundo a filosofia da Babilônia, não devemos nos surpreender com o fato deles pensarem e agirem como babilônios. Cristãos que defendem a melhora de escolas públicas dentro do padrão curricular que hoje costuma ser reconhecido como melhor, estão implicitamente reconhecendo que a rebelião contra o Senhor é o princípio do conhecimento. Cristãos que querem uma “educação melhor” dentro do padrão curricular que hoje costuma ser reconhecido como melhor seriam equivalente a judeus na Babilônia pedindo para Nabucodonosor criar escolas públicas que dessem a mesma educação que ele queria dar a Daniel. O Salmo 137 descreve qual era a mentalidade de Daniel e de todos judeus piedosos na Babilônia:

Junto dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas. Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do SENHOR em terra estranha? Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria. Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces. Ah! filha de Babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras”. (Salmo 137.1-9)

O que este Salmo descreve não é um mero patriotismo saudosista que qualquer um que ama seu país pode sentir quando viaja para terras distantes. A saudade de Sião era simplesmente um reflexo do amor que eles vieram a sentir por Israel como a civilização do Reino de Deus na terra. Sião e Jerusalém representavam para eles a glória e a justiça do Reino de Deus manifesto na terra. Já a Babilônia representava o oposto disso – a vergonha e a iniquidade do reino do homem manifesto na terra. Isso foi escrito para exemplo nosso. Devemos amar o Reino de Deus e Sua justiça e devemos abominar o reino da Babilônia e sua injustiça – sua moral, sua cultura, sua filosofia, sua educação e suas leis. Por meio de Daniel, Deus avisou que eles não teriam que chorar junto dos rios da Babilônia para sempre, mas que a oração do Salmo 137 seria atendida:

“No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel um sonho e visões da sua cabeça quando estava na sua cama; escreveu logo o sonho, e relatou a suma das coisas. Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande. E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar… Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do Homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído“. (Daniel 7.1-3,13-14)

Cada besta na visão de Daniel representa um Império: Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma. A Babilônia não continuaria a reinar para sempre, mas seria sucedida pelos medo-persas: “E pagarei a Babilônia, e a todos os moradores da Caldéia, toda a maldade que fizeram em Sião, aos vossos olhos, diz o SENHOR”. (Jr 51.24) Além disso, Daniel viu que no tempo do quarto reino – o Império Romano – algo novo aconteceria, o Filho do Homem receberia o Reino de Deus. Muitos cristãos acreditam esta visão seja sobre a Segunda Vinda de Cristo. Mas, a verdade é que ela é sobre Sua ascensão. Pois o texto diz que o Filho do Homem “dirigiu-se ao Ancião de Dias”. O Ancião de Dias é Deus-Pai. Foi na ascensão que Jesus se dirigiu ao Pai e foi na ascensão que “foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem”:

“E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra” (Mateus 28.18-19)

“Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus”. (Marcos 16.19)

“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos”. (Atos 1.9)

“Segundo a operação da força do seu poder, que [Deus] operou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés” (Efésios 1.19-22).

“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor”. (Filipenses 2.5-11)

Se Jesus Cristo recebeu “o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem”, então cristãos modernos não têm qualquer justificativa para continuar chorando junto dos rios das novas Babilônias. A nossa obrigação é reagir contra a educação da Babilônia, em obediência a ordem do Senhor: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. (Mt 28.20) Não devemos nos conformar com o domínio da civilização da Babilônia, mas devemos buscar a construção da civilização do Reino de Deus na terra em obediência a oração do Senhor: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. (Mt 6.10) Mas muitos de nós já não estamos nem mais no momento do choro. Nem sequer choramos mais. Nem sequer lamentamos. Não temos mais lembranças de Jerusalém ou de Sião. Estamos confortavelmente reclinados à mesa de Nabucodonosor nos fartando de sua comida e embriagados com seu vinho. Dançamos sua música e nos tornamos seus melhores apologistas. Defendemos sua filosofia, sua cultura, sua justiça, suas leis e suas escolas. Enfim, já nos tornamos babilônios.

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