Bible

BATALHANDO EM TEMPOS TRABALHOSOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS
Por Frank Brito

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos”. (II Timóteo 3.1)

Diferente do que muitos pensam, quando o Novo Testamento menciona os “últimos tempos”, “últimos dias” e termos parecidos, o objetivo é falar de toda a história do mundo a partir da primeira vinda de Jesus Cristo e não somente aos últimos momentos da história antes de sua Segunda Vinda.

Atos dos Apóstolos diz: “Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo esta a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão”. (At 2.14-18) Pedro menciona que Joel havia profetizado a efusão do Espírito para acontecer nos últimos dias e isso estava se cumprindo naquele momento. Portanto, devemos entender que no tempo dos apóstolos os últimos dias já haviam chegado.

O mesmo Apóstolo diz em sua epístola: “… sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós”. (I Pd 1.18-20) Aqui Pedro lembra aos cristãos que eles foram salvos não por dinheiro, mas pelo sacrifício expiatório de Jesus Cristo. E ele deixa claro que isso aconteceu no fim dos tempos.

Em sua epístola aos Coríntios, Paulo escreveu: “tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”. (I Co 10.11) Paulo menciona que ele e seus contemporâneos haviam chegado aos fins dos séculos. Ele não poderia estar falando dos últimos momentos da História do mundo, logo antes da vinda de Jesus Cristo porque ele escreveu isso há mais de vinte séculos.

Quando o Novo Testamento fala nos “últimos tempos”, nos “últimos dias” e termos parecidos, a premissa é que a História da Humanidade está centralizada na pessoa de Jesus Cristo. Vemos isso claramente em Isaías:

“Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações. O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz… Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto”. (Isaías 9.1-2,6-7)

Mateus narra o cumprimento:

“E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galiléia das nações; O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus”. (Mateus 4.13-17)

Quando Isaías menciona os primeiros tempos, está se referindo a toda a História antes da vinda de Jesus Cristo. Quando menciona os últimos tempos está uma referência toda a História depois da vinda de Jesus Cristo. Por isso, textos que se refém aos últimos tempos ou últimos dias não podem ser tomados como se referindo necessariamente aos últimos momentos antes da Segunda Vinda.

O maior motivo pelo qual muitos pensam que os últimos tenha que significar os últimos momentos da história logo antes de Segunda Vinda de Cristo é que a palavra “dias” pode dar a impressão de um período curto de tempo. Mas o uso da palavra pela própria Bíblia mostra que ela não precisa necessariamente indicar um período curto, mas pode se referir a um período com até mesmo séculos de duração. Vemos isso já nos primeiros capítulos de Gênesis: “E foram todos os dias que Adão viveu novecentos e trinta anos, e morreu”. (Genesis 5:5) Todos que são citados na genealogia de Gênesis 5 viveram durante séculos. E a palavra dias – no hebraico יום (yom) – é usada pra se referir a este longo período de tempo. Esse é o pano de fundo para entender as palavras de Paulo a Timóteo:

“Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta- te também desses. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade”. (II Tm 3.1-7)

A ênfase de Paulo aqui não é nas características destes homens perversos, mas é na maneira com que Timóteo deveria reagir a eles. Em que época na história do mundo não existiu pessoas assim? A Bíblia fala de pessoa assim de Gênesis a Apocalipse. O propósito de Paulo não era dizer que nos últimos dias passariam a existir homens assim como se antes não houvesse. O propósito era explicar de que maneira os ministros de Deus deveriam reagir em tempos trabalhosos em que esse tipo de pessoa abundasse:

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. (II Timóteo 3.14-17)

O conteúdo da Escritura é suficiente para que o homem seja perfeitamente instruído por Deus para toda boa obra. Se há alguma obra que não seja instruída pela Escritura, não pode ser boa, pois nesse caso seria necessário negar que a Escritura tenha sido Divinamente inspirada para que o homem esteja perfeitamente preparado para toda boa obra. Sendo assim, a doutrina contida na Escritura é suficiente para combater e denunciar perfeitamente toda forma de iniquidade. É por isso que Paulo mandou que Timóteo não ficasse passivo diante da iniquidade, mas que ele reagisse com a Escritura. Em sua primeira carta a Timóteo ele já havia dito algo parecido:

“Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina, Nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora. Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas; Querendo ser mestres da Lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam. Sabemos, porém, que a Lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; Sabendo isto, que a Lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, Para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado”. (I Timóteo 1.3-11)

Aqui Paulo também mandou que Timóteo não se intimidasse diante da iniquidade, mas que reagisse proclamando a sã doutrina. Os principais inimigos de Timóteo em Éfeso seriam os judaizantes. Queriam ser mestres da Lei, mas não faziam a mínima ideia do que de fato deveriam ensinar. Eram como os fariseus que perseguiram Jesus, se passavam por mestres da Lei quando na verdade o que faziam era substituir a Lei de Deus por fábulas e tradições humanas. Paulo explicou que para identificar o que era iniquidade, Timóteo deveria consultar a Lei. O uso correto da Lei não era conforme os fariseus ensinavam, mas como Jesus ensinou. O propósito da Lei não é que o homem busque ser justificado com base em sua obediência a ela ou que ele se glorie diante dos homens por sua suposta obediência. O propósito da Lei é dar base para o homem identificar o bem e o mal. Diferentes pessoas definem o bem e o mal de diferentes maneiras. Mas isso é somente consequência da ruína de Adão. A essência de todo e qualquer pecado consiste na ideia de que o homem possa estabelecer as suas próprias palavras, o próprio julgamento, a própria opinião, no lugar da Lei de Deus. “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser”. (Rm 8.7) Timóteo não deveria tolerar qualquer iniquidade, mas deveria proclamar o Evangelho da glória de Deus bem-aventurado, o que incluiria a proclamação da Lei. “Aquele, porém, que atenta bem para a Lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito”. (Tg 1.25)

A ordem de Paulo não tinha importância somente para Timóteo, mas também para todos os santos que, no decorrer dos últimos dias, precisam batalhar em tempos trabalhosos contra homens iníquos. Diante da iniquidade, não podemos nos intimidar. Temos a Escritura, perfeita e suficiente para denunciar todo mal e temos o Espírito Santo que garante a eficácia da Palavra de Deus que proclamamos. Além disso, temos também a garantia de que, no decorrer dos últimos dias, estes homens iníquos só irão de mal a pior e, portanto, serão progressivamente derrotados pelo poder do Evangelho:

Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario… Os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados”. (II Tm 3.9,13)

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