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O ANTIGO TESTAMENTO ENSINA A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE? (III)
Por Frank Brito

Parte IParte IIParte III

“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”. (Mateus 5.14-16)

João Piper acredita que o objetivo das bençãos materiais do Antigo Testamento era usar estas bençãos como testemunho para outras nações do Deus de Israel, e que sob o Novo Testamento não há mais nações cristãs testemunhando da mesma forma: “O padrão no Antigo Testamento é uma religião venha-ver. O Novo Testamento não apresenta uma religião venha-ver, mas uma religião vá-anunciar“. Ele dá um exemplo:

“Israel não foi enviada como uma “Grande Comissão” para ajuntar as nações; pelo contrário, ela foi glorificada para que as nações vissem sua grandeza e viessem a ela. Então, quando Salomão construiu o templo do Senhor, foi espetacularmente abundante em revestimentos de ouro. O Santo dos Santos tinha vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura. E foi coberto com ouro puro. Ele também cobriu de ouro um altar de cedro. E Salomão revestiu o interior da casa com ouro puro, e fez passar correntes de ouro frente ao Santo dos Santos, o qual também cobriu de ouro. E cobriu de ouro toda a casa, inteiramente. Também cobriu de ouro todo o altar que estava diante do Santo dos Santos. (1Reis 6:20-22) E quando ele mobiliou o templo, o ouro mais uma vez se tornou igualmente abundante. Então Salomão fez todos os utensílios que estavam na casa do Senhor: o altar de ouro, a mesa de ouro para os pães da proposição, os castiçais de ouro finíssimo, cinco à direita e cinco no lado sul e cinco no norte diante do Santo dos Santos; as flores, as lâmpadas e as linguetas, também de ouro; as taças, espevitadeiras, bacias, recipientes para incenso e braseiros, de ouro finíssimo; as dobradiças para as portas da casa interior e do Santo dos Santos, também de ouro. (1Reis 7:48-50) Salomão levou sete anos para construir a casa do Senhor. E então levou treze anos para construir sua própria casa (1Reis 6:38 e 7:1). Ela também era abundante em ouro e pedras de valor (1Reis 7:10). Então, quando tudo estava construído, o nível de sua opulência é visto em 1Reis 10, quando a rainha de Sabá, representando as nações gentias, vai ver a glória da casa de Deus e de Salomão. Quando ela viu, “ficou como fora de si” (1Reis 10:5). Ela disse: “Bendito seja o SENHOR, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no trono de Israel; é porque o SENHOR ama a Israel para sempre, que te constituiu rei” (1Reis 10:9)… Com a vinda de Cristo tudo isso mudou… O Novo Testamento… não apresenta uma religião venha-ver, mas uma religião vá-anunciar. “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28:18-20)”.

Duas perguntas cruciais precisam ser feitas aqui: “Seria possível Deus falar com alguém ‘venha-ver’ em Israel sem que primeiro dissesse ‘vá-anunciar’?” E também: “O ‘venha-ver’ não é simplesmente a consequência lógica e inevitável do ‘vá-anunciar’ bem sucedido?

Inicialmente, Israel era uma população de escravos no Egito. Se havia algum bem material para ver lá, eram as riquezas de Faraó. Depois disso, eles passaram anos vagando no deserto. Também não havia nada de belo para ver no deserto. Por todo tempo que estiveram no deserto, o que Deus disse para Moisés não foi “venha-ver” e sim “vá-anunciar”. Não existiria o “venha-ver” no tempo de Salomão se não existisse antes disso o “vá-anunciar” por meio de Moisés no deserto. Moisés não cessou de pregar o Evangelho no deserto sem nenhuma riqueza para ver. Ele simplesmente mandou o povo crer e obedecer. Com base na obediência nacional é que seria possível mostrar os frutos de uma nação obediente. Aqueles que focavam no “ver” sem obedecer queriam mais é voltar para o Egito e viviam murmurando.

Encontramos o mesmo padrão entre os profetas. Se alguém fosse em Israel para ver alguma coisa no tempo de Isaías e Jeremias, encontraria o seguinte: “Porque, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá! E, segundo o número das ruas de Jerusalém, levantastes altares à impudência, altares para queimardes incenso a Baal”. (Jeremias 11.13) “Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva”. (Isaías 1.23) Nesta época, Deus não disse “venha-ver”, mas disse o seguinte: “Vai, e dize a este povo”. (Isaías 6.9) “Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados”.(Isaías 58.1) Portanto, não é verdade que a “religião vá-anunciar” seja uma inovação do Novo Testamento. O “vá-anunciar” era a base para o “venha-ver” a medida que o “vá-anunciar” era obedecido e as bençãos pactuais de Deuteronômio 28 eram aplicadas ao povo.

Da mesma forma, o Novo Testamento inclui tanto o “vá anunciar” quanto o “venha-ver”. O “vá-anunciar” é necessário para que os homens abandonem a rebelião contra Deus e passem a obedecê-lo. Jesus afirmou que isto produz o “venha-ver”: “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus“. (Mateus 5.14-16) Foi isso que a rainha de Sabá fez no Antigo Testamento. Ela não glorificou ao Senhor porque ela viu ouro, como se ela fosse uma rainha pobre que nunca tinha visto ouro antes: “A rainha do sul… veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão“. (Mt 12.42) O templo era simplesmente o símbolo de tudo aquilo que Israel como nação obediente representava. Cristãos também devem trabalhar para produzir uma cultura cristã que dê bom testemunha para que as pessoas “venham-ver”. O bom testemunho internacional de Israel, sob o governo de Salomão, fez com que a rainha glorificasse ao Pai. Sob o Novo Testamento, Jesus mandou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações“. Da mesma forma que Israel foi ensinada no Antigo Testamento e, com base nisso, serviu de exemplo para outras nações a medida que as bençãos pactuais de Deuteronômio 28 eram aplicadas, também agora, à medida que as nações se tornam cristãs, se tornam exemplo para todas as nações e as bençãos pactuais de Deuteronômio 28 são aplicadas. A história do Ocidente cristão é um testemunho vivo disso. Apesar de todos os problemas, como Israel também teve, a maior parte do desenvolvimento do mundo hoje é graças as bençãos pactuais de Deuteronômio 28 sendo aplicadas a povos cristãos. Se há alguma coisa de bom que ainda resta na Europa, é graças a influência de séculos da moral cristã. Se há algo de bom que resta no Brasil, é graças ao que ainda resta de nossa moral cristã. Se há algo de bom em qualquer outra parte do mundo, estão simplesmente colhendo os frutos daquilo que foi plantado por fidelidade ao pacto. Se John Piper quer um exemplo de “vem-ver” no tempo do Novo Testamento, como bom calvinista que é, deveria se lembrar das palavras de John Knox sobre a Genebra cristã: “Não temo nem me envergonho de dizer que Genebra é a mais perfeita escola de Cristo que já houve na terra desde os dias dos apóstolos. Em outros lugares, eu confesso ser Cristo pregado verdadeiramente; mas os costumes e a religião serem tão sinceramente reformada, não tenho visto todavia em nenhum outro lugar”. Podemos avançar muito mais se avançarmos em obediência a ordem do Senhor de fazer discípulos de todas as nações.

“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé; Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém”. (Romanos 16.25-27)

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