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ATÉ QUE A PLENITUDE DOS GENTIOS HAJA ENTRADO
Por Frank Brito

“Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para incitá-los à emulação”. (Rm 11.11)

O tropeço em questão foi a apostasia nacional de Israel. Tendo tropeçado, Israel foi igualado aos gentios. Tendo tropeçado, Israel caiu da posição de soberana sobre as nações (cf. Dt 28.1). Por causa da apostasia de Israel, sob o Novo Pacto a distinção pactual que havia entre Israel e as demais nações foi abolida. É anulada a posição anterior de rainha entre as nações. Apesar disso, Paulo explica que não devemos esperar que a apostasia de nacional de Israel permanecesse para sempre:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades”. (Romanos 11.25-26)

Pela apostasia nacional de Israel, o Evangelho chegou aos gentios. O endurecimento de Israel não foi completo, mas ficou um remanescente – “em parte”. Mas Paulo diz que esse endurecimento não permaneceria para sempre. Permaneceria somente “até que a plenitude dos gentios haja entrado”. (v.25) “Plenitude” ai deve ser entendida como oposto de “em parte”. Em nosso próprio tempo, a número de gentios cristãos é uma minoria em relação ao número total de gentios. Da mesma forma, o número de judeus cristãos é uma minoria em relação ao número total de judeus. O que Paulo está dizendo é que os judeus cristãos continuarão sendo um remanescente, até que o número de cristãos deixe de ser uma minoria entre os gentios e passe a ser a maioria. O que Paulo está dizendo é que a conversão nacional de Israel acontecerá após a conversão do mundo.

Este texto, mais do que qualquer outro no Novo Testamento, deixa claro que quando a Bíblia fala na vocação dos gentios, ela não está falando somente da conversão de alguns poucos indivíduos dentre as nações. Ela não está falando da conversão de um remanescente entre os gentios enquanto a maior parte permanece em trevas. A vocação dos gentios nas Escrituras é muito mais do que isso. A chegada do Evangelho aos gentios significa a progressiva conversão das nações como um todo até que o mundo inteiro seja convertido. Isso não significa que cada indivíduo da face da terra será genuinamente convertido. Mas da mesma forma a apostasia nacional de Israel não significou que cada judeu individualmente era um apostata, mas somente que a maioria era, a conversão da plenitude dos gentios não significa que cada gentio individualmente será cristão, mas que a maior parte das pessoas será, que o mundo como um todo será. É por isso que Paulo descreve a chegada do Evangelho aos gentios como sendo “a reconciliação do mundo”:

“Porque, se a sua rejeição [de Israel] é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Romanos 11.15)

Esta admissão de Israel deve ser entendida como sendo o contrário de sua rejeição. É a conversão nacional de Israel, em contraste com a atual situação em que a maioria é apostata e só uma minoria obedece ao Evangelho. Pela apostasia nacional de Israel o Evangelho chegou aos gentios. As nações serão convertidas. O mundo é reconciliado com Deus. Isso foi uma benção para o mundo. Mas quando acontecer a conversão nacional de Israel, virá uma benção ainda maior: a ressurreição dos mortos. Jesus Cristo ensinou que a ressurreição dos mortos acontecerá no fim da história: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia”. (Jo 6.39) Paulo ensinou o mesmo: “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão…” (I Ts 4.16) Isso significa que a conversão nacional de Israel será o sinal de que a Segunda Vinda de Jesus Cristo estará prestes a acontecer. Isso significa que a Segunda Vinda de Jesus Cristo não poderá acontecer sem que antes aconteça a conversão do mundo inteiro, de todas as nações. E a última das nações será Israel.

Muitos argumentam que “a plenitude dos gentios” não se refere à conversão nacional dos povos do mundo. Acreditam que se refere à conversão de uma minoria dentro os povos e que “plenitude” se refere à totalidade dos eleitos, a totalidade daqueles que haverão se converter, mas que essa totalidade será uma minoria em relação ao número total de pessoas na terra. Esta interpretação está errada porque o texto não deixa dúvidas sobre o que “plenitude” significa. “Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça… Ora se o tropeço deles é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude… Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Rm 11.5,12,15) “Plenitude” no verso 12 é claramente o oposto de “remanescente” no verso 5. “Remanescente” no verso se refere ao fato de que o número de judeus crentes era uma minoria em relação ao número total de judeus. E “plenitude” é equivalente a “admissão” que será seguida da ressurreição dos mortos e se refere ao tempo em que haveria uma conversão nacional do povo de Israel e por isso o número de judeus crentes deixaria de ser um “remanescente”. Portanto, a “plenitude dos gentios” deve necessariamente ser entendida da mesma maneira. “Plenitude” significa que o número de gentios crentes será uma maioria em relação ao número total de gentios.

“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé”. (Romanos 16.25-26)

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