EM BUSCA DA MORTE NO ALTAR DE DEUS
Por Frank Brito

“Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR vosso Deus, que eu vos mando”.
(Deuteronômio 4.2)

“E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR”. (Levítico 10.1-2)

“Mas Nadabe e Abiú morreram perante o SENHOR, quando ofereceram fogo estranho perante o SENHOR no deserto de Sinai” (Números 3.4)

Não podemos adorar, cultuar ou sequer nos aproximarmos de Deus conforme parâmetros estabelecidos por nós mesmos, conforme nossa própria imaginação, mas somente conforme o padrão estabelecido por Deus. Deus e não o homem é soberano. Portanto, é Deus quem estabelece a maneira aceitável de se aproximar d’Ele. Foi por isso que Deus matou Nadabe e Abiú. Eles acenderam o fogo errado no incensário. O único fogo que poderia ser aceso no incensário era o fogo do altar (Ex 30.9, Lv 16.12-13). O fogo do altar não havia sido iniciado por qualquer homem, mas pelo próprio Deus (Lv 9.23-24) e os sacerdotes tinham a obrigação de acender lenha nele a cada manhã para que não se apagasse (Lv 6.12). O “fogo estranho” era fogo comum que não procedia do altar de Deus. Como bem disse o reformador protestante John Knox: “Todo culto, honra ou serviço inventados pelo cérebro do homem na religião de Deus, sem o seu mandamento expresso, é idolatria”. O problema de Nadabe e Abiú não foi que eles prestaram culto a um deus estranho. O problema foi que eles prestaram culto ao Deus verdadeiro da maneira errada. Isso foi suficiente para Deus matá-los.

Cristãos modernos não dão a devida importância para isso. A prova de que não dão é que todo tipo de aberração tem se tornado cada vez mais comum.

O mesmo Deus que matou Nadabe e Abiú, disse: “Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o SENHOR, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; Para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher; Figura de algum animal que haja na terra; figura de alguma ave alada que vóa pelos céus; Figura de algum animal que se arrasta sobre a terra; figura de algum peixe que esteja nas águas debaixo da terra; Que não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus; e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus”. (Dt 4.15-19) Quantos católicos romanos levam a morte de Nadabe e Abiú a sério enquanto se prostam diante de suas ídolos abomináveis do Senhor e dos santos, contrários aos seus mandamentos?

O mesmo Deus que matou Nadabe e Abiú, mandou que “faça-se tudo decentemente e com ordem”(I Co 14.40), de tal forma organizado que os infiéis não digam que somos loucos (I Co 14.23). Mas quantos não ignoram isso e defendem que a verdadeira adoração a Deus deve incluir gritarias com gente falando em línguas desconexas, outras sendo derrubadas no chão e, em alguns lugares, até mesmo tendo crises histéricas de risos (“unção de riso”) ou se comportando como um animal (“a unção dos animais”).

O mesmo Deus que matou Nadabe e Abiú, proibiu mulheres não só de serem pastoras, mas até mesmo de pregarem no culto público (I Co 14.34-35, I Tm 2.12-12). Quantos em nossas igrejas levam isso a sério? Quantos não acham que é só um pequeno detalhe, um deslize machista de Paulo? Quantas igrejas não proíbem a ordenação de mulheres, mas depois entram em contradição quando convidam mulheres e até pastoras para pregar em seus cultos? Nadabe e Abiú também devem ter pensado que colocar fogo estranho no incensário não era algo para ser levado muito a sérioaté que “saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu”. (Nm 3.4)

Deus mandou: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração”. (Cl 3.16) Aqui aprendemos que a música tem um papel pedagógico. O objetivo não é ativar nossas maiores emoções como se estivéssemos em um estádio de futebol ou num show de rock. É claro, não há nenhum mal em se emocionar com louvores a Deus. Mas a preocupação não deve ser se o hino trás grandes emoções, mas se transmitem grandes verdades sobre Deus. E se os hinos tem um papel pedagógico, segue-se que os escritores de hinos estão devem considerar seriamente o seguinte aviso: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo”. (Tg 3.1) Deus não está interessado em escritores de hinos que sejam artistas de primeira categoria, mas que sejam mestres de primeira classe. Hinos que não transmitem a Bíblia com fidelidade pecam, primeiramente, contra Deus, pois levantam falso testemunho contra Sua verdade. Além disso, pecam contra o próximo, pois conduzem o povo ao erro e a mentira.

A questão é: Não basta adorar o Deus verdadeiro. É preciso adorá-lo da maneira correta. Não basta chamar “Senhor, Senhor”. É preciso também fazer Sua vontade (Mt 7.21-23). “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído“. (Is 29.13)

Cristãos modernos não dão a devida importância a morte de Nadabe e Abiú. Alguns rapidamente ignoram o assunto argumento que isso é “coisa de Antigo Testamento” e que agora nós estamos no “tempo da graça” do Novo Testamento. Primeiro, não existiu qualquer época que não tenha sido um tempo de graça. Se houvesse, a humanidade não existiria mais e estariam todos no inferno porque o que merecemos da parte de Deus é Sua ira de Deus e não o seu amor. É somente pela graça de Deus que ainda estamos aqui. Noé, por exemplo, “achou graça aos olhos do SENHOR” (Gn 6.8) na mesma época em que Deus decidiu afogar o mundo inteiro no Dilúvio, exceto sua família. Tanto a graça quanto o juízo sempre existiram em todas as eras. Segundo, se a morte de Nadabe e Abiú foi simplesmente “coisa do Antigo Testamento”, então porque no Novo Testamento lemos que Deus matou Ananias, Safira (At 5.3-11) e Herodes (At 12.21-23) de maneira parecida? Se foi simplesmente “coisa do Antigo Testamento”, então porque no Novo Testamento lemos que Deus mata, envia doenças e tribulações contra muitos que tomam a Ceia do Senhor indignamente (I Co 11.29)? Terceiro, no último livro do Antigo Testamento, Malaquias, Deus avisou o seguinte: “Porque eu, o SENHOR, não mudo“. (Ml 3.6) Isso é um aviso para todos os que acreditam que quando viram a página e chegam em Mateus, Deus mudou.

Mas muitos dirão ainda: “Se essas coisas são tão sérias, por que não vemos as pessoas morrendo imediatamente no púlpito? Por que vemos o contrário, igrejas assim cada vez mais abarrotadas? Isso não mostra que agora no Novo Testamento as coisas são diferentes?” Muitos dos que pensam assim, acham que Deus tinha uma personalidade até a vinda de Jesus Cristo (“mau” e “cruel”) e depois Ele mudou sua personalidade e seu comportamento (se tornou “misericordioso”). O fato é que no Antigo Testamento Deus também não matava imediatamente todo homem ou sacerdote errado. Isaías registrou a corrupção de seu tempo: “Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra. De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue”. (Isaías 1.10-15) Mas em nenhum lugar lemos que Deus matou essas pessoas imediatamente como ele fez com Nadabe e Abiú. Se ele não pune todo pecado e rebelião imediatamente em nossos dias, isso não significa que seja diferente do que era no Antigo Testamento, pois lá ele também não punia todo pecado e rebelião imediatamente. O propósito de histórias como as de Nadabe, Abiú, Ananias, Safira e Herodes não é descrever o que vai acontecer com todo mundo que fazer algo parecido. Pode ser que aconteça. Pode ser que não. O propósito não é esse. O propósito era dar um sinal visível do quanto Ele está irado com quem faz parecido. O fato de Deus não trazer juízo imediato com todo aquele faz o mesmo que Ananias e Safira não significa que Ele esteja menos irado com esta pessoa do que esteve com eles. Quando Deus matou Ananias e Safira, Ele demonstrou o tamanho de sua ira contra todo aquele que mente contra o Espírito. Aqueles que fazem o mesmo podem não morrer imediatamente, mas a ira de Deus contra eles é a mesma, ainda que isso não seja visível “Eu, o SENHOR, não mudo“. (Ml 3.6) Da mesma forma, aqueles que agem como Nadabe e Abiú não devem pensar que Deus esteja menos indignado agora do que esteve com eles. Ao contrário, devem refletir na seriedade da questão, que foi suficientemente séria para que fosse mortos. Como está escrito:

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”. (I Coríntios 10.11)

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