bullingerQUALIFICAÇÕES PARA OS MAGISTRADOS CIVIS
Por Heinrich Bullinger

Sobre o Autor: Heinrich Bullinger viveu no século XVI e foi um dos mais influentes teólogos da Reforma Protestante. Foi sucessor de Ulrico Zuínglio como pastor da Igreja Reformada em Zurique.

Nota: Em uma nação com governantes tão corruptos quanto os que nós temos, as qualificações listadas por Bullinger podem parecer utópicas. Mas a sua exposição é inteiramente baseada na Palavra de Deus. A iniquidade de nosso tempo não é maior do que a iniquidade do mundo que Bullinger teve que enfrentar no século XVI e também não é diferente da iniquidade do mundo em que os personagens bíblicos viveram. Deus deu Sua Palavra para um mundo em pecado, para que venhamos nos arrepender e fazer o que é certo. Com as eleições se aproximando, é importante ter consciência de que tudo que fazemos deve ser feito em obediência a Deus. Isso inclui a decisão que tomamos diante da urna. Se vivemos em um nação com tanta corrupção, devemos perguntar se não estamos simplesmente de baixo do juízo de Deus por desobedecer Sua Palavra.

Para a boa eleição de magistrados, o próprio Senhor declarou as características dos homens que ele quer que sejam escolhidos com as seguintes palavras: “E tu dentre todo o povo procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que odeiem a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta, e maiorais de dez; Para que julguem este povo em todo o tempo”. (Êx 18.21-22) O Senhor exige quatro coisas de um bom governador. Primeiro, que ele seja um homem de coragem, de força, isto é, que seja capaz de fazer aquilo que é escolhido para fazer. Esta habilidade é na mente e não no corpo. A exigência é que ele não seja um tolo, mas sábio e habilidoso naquilo que ele tem para fazer…

A segunda coisa que é mencionada, mas que na verdade é a mais importante; que ele seja temente, religioso e não supersticioso. Nenhum idolatra preserva a nação, mas destrói; um homem iniquo não defende a verdade nem a verdadeira religião, mas persegue e expulsa de sua jurisdição. Que o magistrado seja da religião correta, sólido na fé, crente na Palavra de Deus, e sabendo que Deus está presente entre os homens e realmente se vinga conforme suas apostasias. E por esta causa, Justiniano, o imperador, em Novellis Constitutionib. 109, abertamente confessa que toda sua ajuda vinha de Deus, que a criação de leis deve depender d’Ele somente… Onde quer que os príncipes sejam amigos de Deus e frequentemente entram em conferência com Ele, há esperança que estas nações prosperem. Mas, por outro lado, há um fim assustador e infeliz para a nação em que os inimigos de Deus têm eminência. E a terceira exigência para aqueles que são eleitos e chamados para serem magistrados é que sejam verdadeiros em palavra e atitude; que não sejam hipócritas, mentirosos, enganadores, vira-casacas… que sejam fiéis, simples, honestos, irrepreensíveis…

Cobiça e desejos egoístas por suborno são as pragas que enforcam bons magistrados. Por causa de homens cheios de cobiça e daqueles que aceitam suborno, vende-se o juízo, a liberdade, a justiça e a própria nação ao diabo por dinheiro. E ainda que neste texto o Senhor tenha mencionado somente as piores iniquidades, não há dúvidas que Ele exclui todos os demais vícios também e maldades, ordenando que estejam bem distante do bom magistrado e do governador piedoso. Estes vícios incluem o orgulho, a inveja, a cólera, jogos de azar, glutonaria, bebedeira, prostituição, adultério e coisas semelhantes a estas.

Isso fica mais claro ao comparar com outros lugares na Lei de Deus. Moisés, em Deuteronômio, disse ao povo: “Tomai-vos homens sábios e entendidos, experimentados entre as vossas tribos, para que os ponha por chefes sobre vós”. (Dt 1.13) Aqui o sábio Moisés exige três coisas naqueles que serão escolhidos para serem magistrados na nação. Primeiro, diz ele, que sejam sábios. Portanto, que sejam ordenados como magistrados aqueles que são amigos de Deus e da verdadeira religião; que sejam sábios e não tolos idiotas. Segundo, precisam ser homens entendidos; isto é, homens que têm experiência, que por com muito exercício cuidando das coisas, possuem a capacidade de lidar com todos os casos em concordância com a Lei. Além disso, precisam ser homens experimentados, cuja vida e reta conduta são, por suas obras, perfeitamente provadas e suficientemente testemunhadas pelo povo. E, por último, precisam ser de tal forma que transmitem autoridade e não desprezados como malandros e cafajestes vis.

Tradução: Frank Brito
Fonte: Henry Bullinger, Fifty godly and learned sermons divided into the five decades containing the chief and principal points of Christian religion.

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