hitler“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”. (Mateus 5.6)

“Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram”. (Romanos 12.15)

“Deus não tem problemas. Somente planos”. Estas foram as palavras de Corrie ten Boom quando um erro clerical permitiu que ela fosse liberta de um campo de concentração nazista uma semana antes de todas as prisioneiras da idade dela serem executadas. Mas apesar dela ter sido libertada do horror do campo de concentração de Ravensbruck, Corrie continuou a viver com uma inabalável confiança em Deus, tal como a sua família quando escondiam judeus do terror nazista.

A FAMÍLIA TEN BOOM

Em 1837, Willem ten Boom abriu uma relojoaria. A família era de cristãos calvinistas dedicados e a casa de família por cima da loja era sempre uma “porta aberta” para quem precisasse. Depois de um culto inspirador na Igreja Reformada da Holanda em 1844 deu início a uma reunião de oração semanal para orar pelo povo judeu e a paz em Jerusalém (Sl 122.6)*. Seu filho Casper continuou a tradição da oração com sua própria família. Essas reuniões de oração continuaram por 100 anos – até o dia 28 de Fevereiro de 1944, quando soldados nazistas prenderam Casper e toda a sua família por acolherem Judeus.

OS ANOS DA GUERRA

Durante 1943 e até 1944, geralmente, havia até sete pessoas vivendo ilegalmente na casa dos Ten Boom – Judeus e membros do mundo clandestino holandês. Os refugiados adicionais ficavam com os ten Boom durante algumas horas ou alguns dias até se conseguir localizar outra “casa segura” para eles. Corrie ten Boom tornou-se uma líder dentro da rede do mundo clandestino do Haarlem. Corrie e o “grupo da Beje” pocuravam famílias holandesas corajosas que estivessem dispostas a acolher refugiados, e ela passava grande parte do tempo cuidando destas pessoas quando estavam escondidas.

No dia 28 de Fevereiro de 1944, a família foi traída e a Gestapo (a polícia secreta nazista) invadiu casa deles. A Gestapo montou uma armadilha e esperou o dia inteiro, prendendo quem viesse até a casa. À noite, mais de 20 pessoas tinham sido presas. Casper, Corrie e Betsie foram presos. O irmão de Corrie Willem, a irmã Nollie e o sobrinho Peter estavam em casa naquele dia e também foram levados para a prisão. Apesar de a Gestapo ter revistado a casa de alto a baixo, não conseguiram encontrar os quatro judeus e os dois membros da clandestinidade holandesa que estavam escondidos em segurança por trás de uma parede falsa no quarto de Corrie. Apesar de a casa ter permanecido sob vigia, a Resistência conseguiu libertar os refugiados dois dias depois. As seis pessoas tinham conseguido manter-se calados no seu esconderijo pequeno e escuro, apesar de não terem água e muito pouca comida. Os quatro Judeus foram levados para “casas seguras” novas e três sobreviveram à guerra. Devido ao fato de os nazistas terem encontrado materiais clandestinos e cupões de refeição extra em sua casa, a família ten Boom foi encarcerada. Casper (84 anos) morreu apenas 10 dias depois na Prisão de Scheveningen. Quando perguntaram a Casper se ele sabia que podia morrer por ajudar judeus, ele respondeu: “Seria uma honra para mim dar a minha vida pelo antigo povo de Deus”. Corrie e Betsie passaram 10 meses em três prisões diferentes, tendo a última sido o abominável campo de concentração de Ravensbruck, situado perto de Berlim, na Alemanha. A vida no campo era quase insuportável, mas Corrie e Betsie passavam o tempo a partilhar o Evangelho com os outros prisioneiros. Muitas mulheres acabaram convertendo-se ao Cristianismo naquele terrível local por causa do testemunho de Corrie e Betsie. Betsie (59 anos) morreu em Ravensbruck, mas Corrie sobreviveu.

A DEDICAÇÃO DE CORRIE

Quatro da família ten Boom deram suas vidas, mas Corrie voltou para casa do campo de morte. “Não existe nenhum abismo mais profundo que o amor de Deus”, dizia ela, “Deus nos dará o amor para perdoar nossos inimigos”. Depois da guerra Corrie voltou para a Holanda e fundou centros de reabilitação para sobreviventes dos campos de concentração. Também viajou para mais de 60 países para compartilhar sua experiência e, por seu exemplo de vida, muitos se tornavam cristãos. Narrou a história de sua família e seu trabalho durante a II Guerra Mundial em seu livro mais famoso “O Refúgio Secreto” (1971), o qual foi transformado em filme pela World Wide Pictures em 1975:

* É interessante notar que o Catecismo Maior de Westminster, um dos mais importantes documentos do protestantismo, afirma, na pergunta 191, que é um dever de todo cristão de orar pela conversão dos judeus.

Anúncios