trino“25. Por que você fala de três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, visto que há um só Deus?

R. Porque Deus se revelou, em sua Palavra, de tal maneira que estas três pessoas distintas são o único, verdadeiro e eterno Deus”. (Catecismo de Heidelberg)

A doutrina da Trindade Santíssima confronta o único Deus verdadeiro com todos os falsos deuses e a única religião verdadeira – o Cristianismo – com todas as falsas religiões e seitas abomináveis que querem se passar por cristãs. Em confronto com o politeísmo, que proclama a existência de muitos deuses, a Bíblia Sagrada proclama que há um único Deus verdadeiro. Mas os cristãos não são os únicos que professam a fé em um único Deus. Outros como muçulmanos, judeus e espíritas também. Em confronto com outras formas de monoteísmo – falsos deuses de falsas religiões que são reconhecidos como o único Deus – o Cristianismo proclama que na Divindade há três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Isso, por se só, diferencia o Deus do Cristianismo de todas as outras divindades.

Por um lado, as Escrituras não deixam dúvidas de que há um só Deus:

“Não terás outros deuses diante de mim”. (Êxodo 20.3)

“Não haverá entre ti deus alheio, nem te prostrarás ante um deus estranho. Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito”. (Salmo 81.10)

“Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus”. (Isaías 43.12)

“Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus”. (Isaías 44.6)

“Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. (Isaías 44:6)

E quem proclamará como eu, e anunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? E anuncie-lhes as coisas vindouras, e as que ainda hão de vir. Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça”. (Isaías 44.7-8)

“Deus é um só”. (Romanos 3.30)

“Crês tu que Deus é um só? Fazes bem”. (Tiago 2.19)

Por outro lado, as Escrituras, desde o Antigo Testamento, deixam perfeitamente claro que na Divindade única há uma pluralidade de pessoas. Quanto a isso, os críticos da Trindade costumam questionar que se Deus é um só, não pode haver uma pluralidade de pessoas na Divindade. Se Deus é um só e é o Pai, como pode ser também o Filho e o Espírito Santo? Se é o Filho e o Espírito Santo também, então como podemos dizer que há um só Deus? O problema essencial dessa crítica é a tentativa de impor em Deus o que Ele tem que ser segundo aquilo que julgam caber na razão humano. Mas Deus é o que Ele diz ser e não o que a mente humana quer restringir que ele seja para que caiba dentro de nossa depravação travestida de lógica. Tanto a unidade em Deus quanto a pluralidade de pessoas no Deus único é revelado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, de Gênesis a Apocalipse. Os judeus, apesar de se oporem a Trindade e a qualquer ideia de pluralidade na Divindade, implicitamente reconhecem isso na renomada Enciclopédia Judaica:

“Nos escritos bíblicos mais antigos, o termo “Malak YHWH” (mensageiro do Senhor), ocorre principalmente no singular, e significa uma auto-manifestação de Deus (ver Gen. xxxi. 11-13, onde o Anjo de Deus diz: “eu sou o Deus de Betel “;. Ex iii 2-6, onde o Anjo do Senhor que apareceu a Moisés na chama do fogo diz.” Eu sou o Deus de teu pai “; comparar Gen. xxii. 11;. juízes, vi 11-22). Às vezes o Anjo claramente se distingue do Senhor, que o envia (ver Gn xvi 11, xxi 17;… Num xxii 31;. Juízes, xiii 16.). Apesar de aparecer em forma humana (cf. Gn 2 xviii et seq, xxxii 25;…. Compare Oséias, xii 5) o Anjo do Senhor não tem individualidade, sendo somente uma manifestação temporária de Deus…” (tradução minha)

O artigo é sobre angeologia, o estudo dos anjos. Ele corretamente identifica que a expressão Anjo do Senhor não se refere as criaturas que costumamos chamar de anjos, mas refere ao próprio Deus. A palavra que traduzimos como “anjo” é מלאךmalak. Significa mensageiro e não é usada na Bíblia somente para para identificar criaturas celestes como querubins e serafins:

“Então veio um mensageiro (malak) a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os filisteus com ímpeto entraram na terra”. (I Samuel 23.27)

“Então Ageu, o mensageiro (malak) do SENHOR, falou ao povo conforme a mensagem do SENHOR, dizendo: Eu sou convosco, diz o SENHOR”. (Agar 1.13)

“Minha aliança com ele foi de vida e de paz, e eu lhas dei para que temesse; então temeu-me, e assombrou-se por causa do meu nome. A Lei da verdade esteve na sua boca, e a iniqüidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão, e da iniqüidade converteu a muitos. Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a Lei porque ele é o mensageiro (malak) do SENHOR dos Exércitos”. (Malaquias 2.5-7)

A Enciclopédia Judaica corretamente identifica que a expressão “o Anjo do Senhor” (que também poderia ser traduzida como “o Mensageiro do Senhor”) não se refere a criaturas celestes como querubins e serafins, mas ao próprio Deus. Mas os judeus são contrários a ideia de que exista qualquer pluralidade, algo que lhes obrigaria a confessar que a ideia de uma Trindade não é contrária as Escrituras do Antigo Testamento. Por isso tentam explicar a questão de outra forma: “o Anjo do Senhor não tem individualidade, sendo somente uma manifestação temporária de Deus”. Não há qualquer evidência no Antigo Testamento que seja somente uma “manifestação temporária”. Ao contrário, como veremos neste estudo, o Antigo Testamento descreve “o Anjo do Senhor” como uma pessoa distinta na Divindade:

“E o Anjo (malak; mensageiro) do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur. E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora. Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos. Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o Anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição. E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos. E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus da vista…”(Genesis 16:7-13)

Ao mesmo tempo em que o Anjo do Senhor se refere ao SENHOR na terceira pessoa (“portanto o SENHOR ouviu a tua aflição”), algo que indica distinção de pessoas, o v. 13 o identifica como sendo o próprio SENHOR e “Deus da vista”. Isso é o que ensina a doutrina da Trindade, que há um só Deus, mas que nesta Divindade única há uma pluralidade de pessoas. Em Gênesis 20.2, Deus ordena que Abraão sacrifique Isaque:

“E aconteceu, depois destas coisas, que provou Deus a Abraão e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi”.(Genesis 22.1-2)

No momento do Holocausto, nós lemos:

“Mas o Anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então, disse: Não estendas a tua mão sobre o moço e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus e não me negaste o teu filho, o teu único… Então, o Anjo do SENHOR bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus e disse: Por mim mesmo, jurei, diz o SENHOR, porquanto fizeste esta ação e não me negaste o teu filho, o teu único, que deveras eu te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos”.(Genesis 22.11-12,15-17)

Ao mesmo tempo em que o Anjo do Senhor se refere a Deus na terceira pessoa (“agora sei que temes a Deus”, “diz o SENHOR”), ele se identifica como sendo o próprio Deus que havia ordenado o sacrifício e a quem o sacrifício seria feito (“não me negaste o teu filho”).

“E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe. E apareceu-lhe o Anjo do SENHOR em uma chama de fogo, no meio de uma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E Moisés disse: Agora me virarei para lá e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima. E, vendo o SENHOR que se virava para lá a ver, bradou Deus a ele do meio da sarça e disse: Moisés! Moisés! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Não te chegues para cá; tira os teus sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus“.(Êxodo 3.1-6)

Aqui o Anjo do Senhor se apresenta como sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Mas ao mesmo tempo em que o Anjo do Senhor é reconhecido como sendo o próprio Deus, existe uma distinção de pessoas, pois ele é, afinal, o Anjo do Senhor.

Isaías falou diretamente das três pessoas da Trindade Santíssima na mesma sequência:

“As benignidades do SENHOR mencionarei, e os muitos louvores do SENHOR, conforme tudo quanto o SENHOR nos concedeu; e grande bondade para com a casa de Israel, que usou com eles segundo as suas misericórdias, e segundo a multidão das suas benignidades. Porque dizia: Certamente eles são meu povo, filhos que não mentirão; assim ele se fez o seu Salvador. Em toda a angústia deles ele foi angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor, e pela sua compaixão ele os remiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles”. (Isaías 63.7-10)

É interessante notar que Isaías repete “SENHOR” três vezes e depois identifica o Anjo como o Salvador. Mas no mesmo livro podemos ler: “Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus“.(Isaías 43.11-12) O Anjo do Senhor, é distinto do próprio Senhor, mas ao mesmo tempo ele é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó e por isso não há qualquer deus estranho, mas há um único Deus. É chamado de Salvador por Isaías, apesar de haver um único Salvador, porque Ele e o SENHOR e o Espírito Santo são um só Deus.

No último livro do Antigo Testamento, Malaquias, lemos sobre Jesus Cristo:

“Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; o Anjo do pacto, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros”. (Malaquias 3:1-2)

Primeiro, o texto se refere ao “mensageiro que preparará o caminho diante de mim” (v. 1). Isso é uma clara referência a João Batista: “Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu mensageiro ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados”. (Mc 1.2-4) João Batista foi quem preparou o caminho diante de Jesus Cristo, o Senhor – o Anjo do Pacto. Então Malaquias profetizou que Jesus Cristo “de repente virá ao seu templo”. Isso se refere à chegada de Jesus Cristo no templo, após a sua entrada triunfal, para debater publicamente com os líderes de Israel e anunciar o juízo de Deus sobre eles. Novamente, o texto mostra uma distinção entre o Senhor e o Seu Anjo ao mesmo tempo em que identifica os dois como sendo o mesmo. O motivo é que o Anjo do Senhor do qual o Antigo Testamento tanto fala é a segunda pessoa da Trindade Santíssima antes de sua encarnação em Jesus Cristo. Como escreveu o profeta Isaías:

“Mas para a que estava aflita não haverá escuridão. Nos primeiros tempos, ele envileceu a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos fará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia dos gentios. O povo que andava em trevas viu uma grande luz; e sobre os que habitavam na terra de profunda escuridão resplandeceu a luz… Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos exércitos fará isso”. (Isaías 9.1-2,6-7)

Foi sobre isso que João escreveu:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. (João 1.1-3)

Ao mesmo tempo em que João identifica o Verbo como sendo o próprio Deus (“e o Verbo era Deus”), ele estabelece que há uma distinção de pessoas na Divindade (“e o Verbo estava com Deus”). Aqui João fala da Criação e identifica o Pai e o Filho como responsáveis pela Criação do mundo. Ao mesmo tempo, Isaías deixa claro que Deus criou o universo sozinho:

“Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus, e espraiei a terra (quem estava comigo?)“. (Isaías 44.24)

Não há contradição entre uma coisa e outra já que o Pai e o Filho não são dois deuses, mas são um único Deus. Se entendemos que o Filho é o Verbo, por meio do qual Deus criou o mundo, podemos ver a Trindade já nos primeiros três versos da Bíblia:

“No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. Disse Deus: haja luz. E houve luz”. (Gênesis 1.1-3)

Paulo escreveu sobre a encarnação do Verbo:

“…Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”(Filipenses 2.5-8)

Ao mesmo tempo em que é atribuído Divindade a Jesus, há uma distinção de pessoas dentro da Divindade da mesma forma que vimos no caso do Anjo do Senhor. É por isso que Tomé não hesitou em adorar Jesus e chamá-lo de Deus:

“Depois, disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. Tomé respondeu e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram!”(João 20.27-29)

O primeiro mandamento ordena: “Não terás outros deuses diante de mim”. Se Jesus não fosse Deus de fato como Tomé o chamou, Jesus estaria incentivando a idolatria por não repreender Tomé e ainda chamar de bem-aventurado todos os que reconhecem o mesmo.

Além de ensinar que há uma distinção pessoal entre o Pai e o Filho, apesar de serem um só Deus, as Escrituras ensinam também que o Espírito Santo é uma pessoa distinta, apesar de ser um só Deus com o Pai e o Filho:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós… Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. (João 14.16-17,26)

Aqui Jesus se refere ao Espírito como “outro Consolador” e que é enviado pelo Pai em seu nome. Isso deixa claro que o Espírito Santo deve ser entendido como uma pessoa distinta d’Ele e do Pai. Ao mesmo tempo, se o Espírito Santo é o Espírito de Deus então é o próprio Deus com o Pai e o Filho. É por que a Bíblia também fala do Espírito Santo como sendo o Espírito do próprio Cristo:

“Atravessaram a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia; e tendo chegado diante da Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu”. (Atos 16.6-7)

“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é d’Ele”. (Romanos 8.9)

“Desta salvação inquiririam e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar”. (I Pedro 1.10-12)

Dentro do próprio Cristianismo, as duas principais heresias que se opõe a Trindade são o arianismo e o unicismo (também conhecido como modalismo). Os arianos negam que Jesus seja Deus como o Pai. E os unicistas (ou modalistas) confessam que Jesus é Deus (e o Espírito Santo também), mas negam que sejam pessoas distintas. Dizem que são simplesmente “manifestações” de um Deus único percebido pelo crente ao invés de três pessoas distintas de Deus. No Brasil, a seita dos Testemunhas de Jeová são os maiores representantes de ensinos que estão muito próximos do arianismo histórico. Já o falso apóstolo Miguel Ângelo, líder da Igreja Cristo Vive, é o maior representante no Brasil do unicismo.

Um dos documentos mais importantes da história do Cristianismo foi o Credo Atanasiano. Nele encontramos um resumo da doutrina bíblica Trindade Santíssima em oposição ao arianismo e também ao unicismo:

“TODO que for salvo: antes de todas as coisas é necessário que se apegue à fé universal;
Tal fé, se não guardada plena e imaculada, sem dúvida trará perdição eterna. E a fé universal é esta:

Que nós adoramos um Deus em Trindade, e Trindade na Unidade;
Sem confundir as pessoas, sem dividir a Substância.
Porque há uma Pessoa do Pai, outra do Filho, e outra do Espírito Santo.
Mas a Divindade do Pai, do Filho, e do Espírito Santo é uma só:
a glória igual, a majestade, coeterna.
Como o Pai é, tal é o Filho, e tal é o Espírito Santo.

O Pai incriado, o Filho incriado, e o Espírito Santo incriado.
O Pai incompreensível, o Filho incompreensível, e o Espírito Santo incompreensível.
O Pai eterno, o Filho eterno, e o Espírito Santo eterno.
No entanto não são três eternos, mas um eterno.
Porque também não há três incriados nem três incompreensíveis,
mas um incriado e um incompreensível.

Assim do mesmo modo o Pai é Todo-Poderoso, o Filho, Todo-Poderoso, e o Espírito, Todo-Poderoso.
No entanto não são três Todo-Poderosos, mas um Todo-Poderoso.

Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus;
No entanto não são três Deuses, mas um Deus.
Também somos proibidos pela religião universal de dizer:
Há três Deuses, ou há três Senhores.

O Pai não é feito de coisa alguma, nem criado nem gerado.
O Filho é do Pai somente; não feito, nem criado, mas gerado.
O Espírito Santo é do Pai e do Filho; não foi feito, nem criado, nem gerado, mas deles procede.

Assim, há um Pai, e não três Pais;
um Filho, e não três Filhos;
um Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
E nesta Trindade nenhum deles é antes ou depois do outro;
nenhum é maior ou menor do que outro.

Mas as três pessoas são coeternas e coiguais.
De modo que em todas as coisas, como dito acima:
a unidade na Trindade e a Trindade na unidade deve ser adorada.
Aquele, portanto, que for salvo deve assim pensar sobre a Trindade.

Além disso é necessário à eterna salvação que,
corretamente, se creia também na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo.
Porque a fé correta é que creiamos e confessemos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
Deus, da substância do Pai, gerado antes dos séculos;
e homem da substância de sua mãe, nascido no mundo.
Deus perfeito e homem perfeito, de alma racional e subsistindo em carne humana.
Igual ao Pai quanto à divindade, e inferior ao Pai quanto à humanidade.
Que, embora seja Deus e homem, não é, porém, dois, mas um Cristo.
Um, não pela conversão da Divindade em carne, mas levando da humanidade a Deus.
Inteiramente um, não pela confusão da substância, mas pela unidade da pessoa.
Porque assim como a alma racional e a carne são um homem,
também Deus e homem são um Cristo;
Que padeceu para a nossa salvação, desceu ao inferno,
ressuscitou dentre os mortos ao terceiro dia;
Subiu aos céus e está assentado à direita do Pai, Deus, Todo-Poderoso;
De onde virá julgar os vivos e os mortos.
Em cuja vinda todos os homens ressuscitarão em corpo;
E prestarão contas de suas obras.
E os que fizeram o bem irão para a vida eterna, e os que fizeram o mal, para o fogo eterno.

Esta é a fé universal: quem nela não crer fielmente não pode ser salvo. AMÉM”.

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