feminism“Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa; Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade”. (I Timóteo 3.14-15)

A primeira carta de Paulo a Timóteo foi escrita com o objetivo de instruí-lo sobre como a Igreja deveria ser organizada caso ele demorasse demais para chegar e lidar com o assunto pessoalmente. Escreveu a Tito com o mesmo propósito: “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam”. (Tt 1.5) Na carta a Timóteo ele fala sobre como lidar com os falsos mestres (1.3-12;4.1-11), princípios de ordem para o culto público (2.1-15), critérios para que ser ordenado ao ministério pastoral (3.1-7;5.22), características esperadas da esposa de um pastor (3.11), critérios para ser um diácono (3.12-13), como lidar com pessoas de diversas faixas etárias na igreja (5.1-2), princípios para organizar um programa de assistência social (5.3-16), o sustento econômico dos pastores (5.17-18), o procedimento em caso de denúncias contra os pastores no tribunal eclesiástico (5.19-20) e como lidar com as diferenças sociais entre os membros da igreja (6.1-10).

Ao falar do culto público e do ministério pastoral, uma das coisas enfatizadas por Paulo é a proibição da mulher de pregar ou de ser ser pastora:

“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. (I Timóteo 2.11-14)

Muitos justificam esta proibição argumentando que isso era proibição somente para aquela cultura, mas que como nós vivemos em outros tempos, as mulheres agora estão autorizadas a pregar na igreja. Mas Paulo deixa perfeitamente claro que o motivo não era cultural ou circunstancial. Ele explica que o motivo pelo qual a mulher não pode pregar na igreja é que Adão foi criado antes de Eva e foi Eva quem conduziu Adão a pecar: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. Isso não é uma questão cultural. Portanto, a proibição é uma exigência para a Igreja de todos os séculos. Desobedecer é rebelião contra Deus, uma tentativa de subverter sua criação. Nos versos seguintes, Paulo estende essa proibição ao ministério pastoral:

“Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo”. (I Timóteo 3.1-7)

Em muitas igrejas o bispo é um cargo hierarquicamente acima dos pastores ou presbíteros. Mas no tempo do Novo Testamento, bispos, presbíteros e pastores eram simplesmente três nomes diferentes para o mesmo ofício. Sabemos disso porque em diversos textos os termos são usados como sinônimos:

“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei: Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes”. (Tito 1.5-9)

“E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os presbíteros da igreja… Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho”. (Atos 20.17,28-29)

Sendo assim, quando Paulo escreveu sobre o episcopado em I Timóteo 3, ele estava falando do mesmo cargo que exerce o pastor ou presbítero. Eram simplesmente três nomes diferentes para o mesmo ofício. E quando Paulo descreve os critérios para que ser ordenado ao ministério pastoral, ele claramente restringe o ofício aos homens. Sua descrição é claramente masculina e condiz com o que ele havia dito alguns versos antes sobre a mulher não poder pregar ou exercer autoridade na igreja.

Alguns podem argumentar que, apesar da proibição bíblica, já puderam testemunhar mulheres que eram boas pregadoras, usadas por Deus e espirituais. Mas isso somente demonstra o quanto como vivemos em tempos turbulentos. Trocamos a Bíblia por nossa experiência pessoal. Rejeitamos o mandamento de Deus, mas achamos que fazendo isso estamos sendo espirituais. Passamos agora a crer num Deus que nega a si mesmo, que ordena uma coisa na sua Palavra e agora abençoa aquilo que ele proibiu? E se achamos tão natural que Deus tenha “voltado atrás” de algo que ele disse tão claramente por qual motivo achamos estranho a posição daqueles que dizem que ele “voltou atrás” de proibir coisas como a homossexualidade? Afinal, o argumentou da Bíblia contra a homossexualidade é que Deus criou a humanidade macho e fêmea, Adão e Eva, e estabeleceu que esse seria o padrão de sexualidade até o fim do mundo. Mas não é exatamente Adão e Eva que Paulo usa como base proibir a mulher de pregar e exercer o ministério pastoral? Até quando vamos usar dois pesos e duas medidas? Sobre os que acreditam que podem fazer tal coisa sem problema algum, o Apóstolo Paulo não mediu palavras:

“Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a Lei Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isto, ele é ignorado“. (I Coríntios 14.33-38)

Alguns tentam se defender do mandamento claro argumentando que isso tudo era fruto do machismo Paulo. Primeiro, se este fosse o caso, deveriam rasgar as cartas de Paulo porque o que haveria ali não é a Palavra de Deus e sim as palavras de um homem machista. Se as cartas de Paulo não são a Palavra de Deus, então não há mais Cristianismo e a Bíblia que nós temos é uma grande farsa compilada para nos iludir com as palavras de um homem machista. A verdade é que essa mentalidade, que costuma se apresentar de maneira tão sútil, não é outra coisa se não a ideia da antiga serpente que busca agora tentar a Igreja para se rebelar contra a Palavra Deus por meio das mulheres da mesma maneira que ele fez com Eva no Jardim. Aqueles que falam contra Paulo deveriam pensar duas vezes antes de proferir qualquer palavra frívola contra aquele que foi eleito de Deus para escrever Sua Palavra. Deveriam se lembrar do severo juízo de Deus contra aqueles que falavam contra Moisés:

Ora, falaram Miriã e Arão contra Moisés ,por causa da mulher cuchita que este tomara; porquanto tinha tomado uma mulher cuchita. E disseram: Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu. Ora, Moisés era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. E logo o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: Saí vos três à tenda da revelação. E saíram eles três. Então o Senhor desceu em uma coluna de nuvem, e se pôs à porta da tenda; depois chamou a Arão e a Miriã, e os dois acudiram. Então disse: Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, a ele me farei conhecer em visão, em sonhos falarei com ele. Mas não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa; boca a boca falo com ele, claramente e não em enigmas; pois ele contempla a forma do Senhor. Por que, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés? Assim se acendeu a ira do Senhor contra eles; e ele se retirou; também a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã se tornara leprosa, branca como a neve; e olhou Arão para Miriã e eis que estava leprosa”. (Números 12.1-10)

Assim como os mandamentos transmitidos por Moisés não representavam suas própria opinião ou doutrina, as cartas de Paulo também não representam sua própria opinião, mas são a Palavra do próprio Deus:

“Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo“. (Gálatas 1.11-12)

Portanto, atacar os ensinos de Paulo é atacar o próprio Deus porque as cartas de Paulo não são outra coisa se não a Palavra de Deus. Como bem escreveu Agostinho de Hipona: “Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você”.

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