branch“E disse: Um certo homem tinha dois filhos; E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente”. (Lucas 15.11-13)

A parábola do filho pródigo retrata o que acontece em muitas famílias. Jovens delinquentes se achando bons demais para seus pais, enxergando-se como o padrão da verdade, da esperteza e da moralidade e querendo “curtir a vida adoidado” longe de todas as “privações” de uma vida regrada dos “caretas”. Para quem pensa que isso é algo que só acontece no “mundo moderno” com todas suas inovações, a parábola de Jesus simplesmente demonstra que “nada há de novo debaixo do sol”. (Eclesiastes 1:9) Era comum o suficiente já no primeiro século para se tornar tema de uma parábola.

Mas, como é o caso de todas as parábolas de Jesus, precisamos ir além de uma mera leitura literal dos personagens da parábola. O objetivo de Jesus não era falar sobre jovens delinquentes em famílias ricas abusando do dinheiro de seus pais, mas era o de usar tal coisa como base para entender verdades espirituais maiores. A ideia de um filho delinquente cortando laços com a própria família pode ser usado para descrever qualquer incrédulo. Mas o meu objetivo aqui é falar daqueles que são conscientemente e explicitamente incrédulos: os ateus e outros céticos.

Primeiro, a parábola nos ensina que todas as coisas vem de Deus. “No princípio criou Deus os céus e a terra”. (Gênesis 1.1) Consequentemente, a maneira com a que as coisas são, a maneira com que o universo é, a verdade como ela é, o bem e o mal, a factualidade, tudo vem da definição estabelecida por Deus. Nada pode subsistir fora daquilo que foi estabelecido por Deus, pois sendo ele o Criador, não há realidade fora dele. “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. (Colossenses 1.16-17)

Este é o significado das riquezas do pai na parábola contada por Jesus.

O filho queria se ver livre do próprio pai. Mas até mesmo para se “livrar” do pai, ele dependia de seu dinheiro. O filho para se rebelar contra o pai, dependia do próprio pai o sustentando. Diz o texto que o filho”partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente” com os bens dados por seu pai. Da mesma forma, aqueles que querem se ver livres de Deus, continuam dependendo daquilo que pertence ao próprio Deus mesmo em meio a rebelião, isto é, da realidade conforme criada por Deus. Vamos analisar como isso funciona dentro de dois aspectos muito enfatizados por ateus: a moral e a lógica.

O ser humano é uma criatura moral. Ele inevitavelmente irá julgar algumas coisas como certas e outras como erradas. Há problema em assassinar? Em enganar? Em bater na mãe? Em trair a esposa ou o marido? Em ter uma “esposa” de três anos de idade? Em ficar bêbado? Em usar brinco? A maneira qual alguém responde cada uma dessas perguntas simplesmente reflete seu sistema moral/ético.

O problema é que o ateu não tem base racional para ter qualquer sistema moral/ético. Pois ele pressupõe que o universo surgiu do caos. Mas se surgiu do caos, então tudo o que julgamos como justo ou injusto não passa de nossa preferência pessoal. O fato é que ao mesmo tempo em que ateus atacam o Cristianismo, a moral/ética adotada pela maioria deles são somente derivações alteradas da moral do Deus do Cristianismo.

Vamos refletir sobre isso com um exemplo:

Um ateu poderá defender a legalização do casamento gay ao mesmo tempo diz que a proibição é fruto do preconceito e obscurantismo cristão. Mas o fato é que o conceito que ele tem do que o casamento é, é um a derivação alterada daquilo que ele herdou de sua cultura cristã (ou pelo menos do padrão estabelecido por Deus na criação). O que tem sido a luta quanto a isso no Brasil e no Ocidente moderno? Não é uma luta pela poligamia gay. Ele luta pelo casamento gay monogâmico conforme herdamos de nosso passado cristão e conforme Deus criou em Gênesis 1. Ele luta para que o gay tenha o direito a casamento nos moldes estabelecidos pelo Deus cristão. Seu esforço é simplesmente provar que o gay pode se encaixar naquilo que Deus estabeleceu para o casamento. Por isso ele vai falar de amor, de filidelidade, etc. Mas com falar de tais coisas em rebelião contra Aquele que criou tais conceitos e sentimentos? Ele é como filho pródigo que até mesmo para se “livrar” do pai, ele dependia de seu dinheiro. O filho para se rebelar contra o pai, dependia do próprio pai o sustentando. Assim também, o zombador do Cristianismo precisa de pressupostos do Deus do Cristianismo para estabelecer sua própria moral. Podemos ver o mesmo em todas as exigências morais feita por apologistas do ateísmo. Podem ser contra o racismo, contra a pedofilia, contra o roubo, contra a mentira e até contra uma mulher com cinco amantes. Mas para ser contra qualquer uma destas coisas precisam abandonar os pressupostos do ceticismo por alguns instantes e extrair (ainda que inconscientemente) verdades do Deus do Cristianismo. O pressuposto do ateísmo de que tudo provem do caos não pode estabelecer qualquer moral ou ética de qualquer coisa e por isso continuam na dependência do “pai”. Ateus moralistas são ateus sem consistência lógica. A consistência significaria simplesente a autodestruição em meio ao caos da insignificancia do universo na qual dizem acreditar, mas precisam negar para continuar a viver.

O mesmo poderiamos dizer da lógica e da razão. Um universo fundamentado no caos do nada não pode garantir seres humanos com cérebros estruturados para obter informação verdadeira sobre a realidade. Sem Deus não há lógica. Sem Deus não há racionalidade. O nada produz o nada. Sob a premissa do ateísmo não há motivos para acreditar que as nossas mentes sejam capazes de adquirir conhecimento verdadeiro sobre qualquer coisas simplesmente porque elas não teriam sido projetadas para este fim. Não seria possível sequer ter motivos para pensar que nosso pensamento chega a qualquer lugar. É neste instante que o cético ignora isso e precisa extrair (ainda que inconscientemente) verdades do Deus do Cristianismo que produziu um universo lógico e uma humanidade capaz de ter entendimento verdadeiro para então ser capaz de argumentar. O pressuposto do ateísmo de que tudo provem do caos não pode estabelecer qualquer verdade sobre nada e e por isso continuam na dependência do “pai”.

O fato é que o ateísmo não pode sobreviver sem o teísmo. Como parasita, depende de Deus para se sustentar. Mas como foi o caso do filho pródigo, chega uma hora que a grana acaba. Culturas e povos não podem se sustentar sem Deus por tempo demais. Como no caso do filho pródigo, o dinheiro acaba no lamaçal da insignificância da vida:

“E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada”. (Lucas 15.14-16)

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