“Mas a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo. Por isso foi dito: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Ora, isto – ele subiu – que é, senão que também desceu às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro”. (Efésios 4.7-14)

Aqui o Apóstolo Paulo explicou o meio pelo qual a Igreja de Deus é edificada: Deus deu dons aos homens. Mas os dons não são os mesmos para todos. “Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada”. (Rm 12:4-6) Aos Efésios ele não dá uma lista exaustiva dos dons, mas somente uma lista parcial: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.

É importante notar que os apóstolos e profetas já haviam sido mencionados no capítulo 2: “Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito”. (Efésios 2.19-22) Mas porque os demais não são mencionados aqui? Simplesmente porque não são ofícios cujo objetivo é lançar o fundamento da Igreja. Os profetas e apóstolos lançaram o fundamento da Igreja. Não os evangelistas, pastores e mestres. Essa é a distinção que Paulo faz entre ele e Apolo:

“Pois, que é Apolo, e que é Paulo, senão ministros pelos quais crestes, e isso conforme o que o Senhor concedeu a cada um? Eu plantei; Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. De modo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento…. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo“. (I Coríntios 3.5-11)

Paulo era apóstolo. Apolo não. Por isso foi Paulo quem lançou o fundamento e não Apolo. O fundamento foi lançado pelos profetas e apóstolos e ninguém pode lançar outro. A única coisa que outros podem fazer é edificar sobre o fundamento já lançado. A plenitude do fundamento lançado está registrado nas Sagradas Escrituras:

“Toda Escritura é Divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra”. (II Timóteo 3.16-17)

O conteúdo da Escritura é a plenitude daquilo que o homem seja perfeitamente instruído por Deus para toda boa obra. Se há alguma obra que não seja instruída pela Escritura, não pode ser boa, pois nesse caso seria necessário negar que a Escritura tenha sido Divinamente inspirada para que o homem esteja perfeitamente preparado para toda boa obra. Esse é o fundamento dos profetas e apóstolos. Nenhum homem pode lançar outro.

Mas Paulo não falou aos Efésios somente daqueles que lançaram o fundamento. Ele falou também daqueles que, como Apolo, edificavam sobre o fundamento já lançado: evangelistas, pastores e mestres. Eles não lançam o fundamento, mas foram igualmente enviados por Deus “tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo… para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro”. (Ef 4.12,14)

Com base nisso devemos entender que, apesar de ser verdade que as Escrituras contem a plenitude da revelação de como devemos crer e viver, é igualmente verdadeiro que não podemos entendê-la plenamente sozinhos. E por que não? Simplesmente porque Deus estabeleceu a Igreja para ser um corpo no qual um membro depende do outro. Deus enviou alguns de seus servos para traduzir a Escritura, outros para pregá-la, mestres para refletir no que ela diz e ensiná-la, pastores para cuidar do rebanho conforme a verdade ali contida… Ai de nós se desprezarmos qualquer um daqueles a quem Deus concedeu tais dons e enviou para ensinar a Igreja. Ai de nós se tratarmos qualquer um deles como insignificantes. Quanto a isso, Paulo avisou: “Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Agora, porém, há muitos membros, mas um só corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós”. (I Coríntios 12.18-21)

Nenhum homem é infalível, seja qual for o ofício que ocupe. As Escrituras contem a infalível plenitude da revelação de como devemos crer e viver e todos devem ser julgados por ela. Mas isso não anula o fato de que nós precisamos dos teólogos, precisamos dos pastores, precisamos dos evangelistas. Pois, “como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10.14)

O Cristianismo não começou ontem. Está na terra há 2.000 anos. Deus não cessou de enviar mestres em todo este tempo. Se não lembramos, honramos e aprendemos com aqueles que Deus enviou e continua a enviar estamos fazendo pouco caso dos dons de Deus, estamos fazendo pouco caso dos meios que Deus estabeleceu para nos edificar. Se achamos que 2.000 anos de Cristianismo aconteceu com cada um inventando sua própria roda, estamos tomados de profunda ilusão. Como está escrito:

“Lembrai-vos dos vossos pastores, os quais vos falaram a Palavra de Deus, e, atentando para o êxito da sua carreira, imitai-lhes a fé”. (Hebreus 13.7)

“Os presbíteros que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino”. (I Timóteo 5.17)

SDG.

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