“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”. – Mateus 3.8

Arrependimento gera frutos que condizem com o verdadeiro arrependimento. Há arrependimento verdadeiro e há arrependimento fingido. Os frutos diferenciam um do outro. Sendo assim, precisamos identificar quais são os frutos que caracterizam o verdadeiro arrependimento. Se fizermos uma identificação errada faremos uma constatação equivocada de nosso próprio estado espiritual. Malaquias é um bom lugar para começar a entender:

“Ainda fazeis isto outra vez, cobrindo o altar do SENHOR de lágrimas, com choro e com gemidos; de sorte que ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão. E dizeis: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher do teu pacto. E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o divórcio…”(Malaquias 2.13-16)

Aqui Deus reclamou daqueles que, sem causa justa, divorciavam-se de suas esposas. Deus diz que isso é infidelidade, uma transgressão do pacto. Mas com quem Deus falava aqui? Com um povo completamente indiferente a situação? Não! Ele falava com um povo que, diante da situação, estava imerso nas lágrimas, no choro e no gemidos. Mas ainda assim, eles eram rejeitados por Deus: “Ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão”. Isso nos ensina que nenhuma destas coisas podem ser reconhecidos como sendo, em si mesmas, sinal do genuíno arrependimento. Lágrimas, choro ou mesmo gemidos não são sinais de um genuíno arrependimento. O povo contra quem Deus fala aqui faziam todas essas coisas. Isso é confirmado na epístola aos hebreus:

E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou“. (Hebreus 12.16-17)

Esaú, com lágrimas, buscou voltar atrás. Todavia, seu arrependimento não era genuíno. O texto diz que ele era “devasso” e “profano” e, portanto, “foi rejeitado”. Lágrimas, choro ou mesmo gemidos, em si mesmos, não são sinais de um genuíno arrependimento. Podem acompanhar o genuíno arrependimento, mas, por si só, não significam absolutamente nada.

O texto de Malaquias nos ensina qual é o verdadeiro fruto: “Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o divórcio…” O fruto do genuíno arrependimento não é o colapso emocional (ainda que isso possa acompanhar), mas é a obediência. O verdadeiro arrependido não é caracterizado pelo emocionalismo, mas por um firme propósito de abandonar a iniquidade. O caso de Zaqueu ilustra isso bem:

“E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão”. (Lucas 19.8-9)

Zaqueu era um ladrão. Mas quando ele se arrependeu genuinamente, o fruto disso não foi o de entrar em um colapso emocional, como se isso fosse suficiente. Jesus reconheceu que seu arrependimento era verdadeiro porque o seu firme propósito era o de obedecer a Lei de Deus.

“Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Quando alguma pessoa pecar, e transgredir contra o SENHOR, e negar ao seu próximo o que lhe deu em guarda, ou o que deixou na sua mão, ou o roubo, ou o que reteve violentamente ao seu próximo, Ou que achou o perdido, e o negar com falso juramento, ou fizer alguma outra coisa de todas em que o homem costuma pecar; Será pois que, como pecou e tornou-se culpado, restituirá o que roubou, ou o que reteve violentamente, ou o depósito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido que achou, Ou tudo aquilo sobre que jurou falsamente; e o restituirá no seu todo…” (Levítico 6.1-5)

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