O Apocalipse profetizou o juízo de Deus que viria contra Israel no primeiro século por meio do exército romano na visão das sete trombetas (Ap 8-11):

“Quando abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu, quase por meia hora. E vi os sete anjos que estavam em pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete trombetas”. (Apocalipse 8.1-2)

O silêncio de meia hora é uma referência à iminência do juízo de Deus que revela Sua soberania e domínio: “Tu, sim, tu és tremendo; e quem subsistirá à tua vista, quando te irares? Desde o céu fizeste ouvir o teu juízo; a terra tremeu e se aquietou, quando Deus se levantou para julgar, para salvar a todos os mansos da terra”. (Sl 76.7-9) “Cale-se, toda a carne, diante do Senhor; porque ele se levantou da Sua santa morada”. (Zc 2.13) Diante da manifestação de Seu poder todo universo se cala. O destino das nações não é determinado por qualquer autonomia no próprio homem ou por qualquer força inerente na natureza. O domínio é de Deus, o destino dos povos é ordenado por Seu poder, e por isso o juízo sobre as nações é descrito como partindo de Seu santo templo celestial.

O Apocalipse mostra também que o juízo sobre Israel aconteceu em resposta à oração dos santos:

“Veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o oferecesse com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono. E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos. Depois do anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o lançou sobre a terra”. (Apocalipse 8.3-5)

Infelizmente muitos usam a soberania ou onisciência de Deus como justificativa pra fazer pouco caso da importância oração. Mas aqui Deus mostra que a eficácia da oração é tão grande que não é somente um meio de termos nossas necessidades pessoais atendidas, mas é um meio de transformar o mundo! Aqui Deus mostra que quando Igreja ora com fé fogo do altar celestial é lançado a terra. Por vezes demais ficamos indignamos com a maneira que as coisas são, com injustiças que ganham cada vez mais força, mas ao mesmo tempo não dobramos nossos joelhos nem clamamos a Deus com a mesma intensidade e perseverança com que ficamos indignados. Deixamos de crer que Deus que de fato rege e governa as nações? Deixamos de crer na Divina Providência a passamos a crer no poder do acaso ou da soberania das conspirações humanas? Aos que pensam assim, ainda que implicitamente, o Salmo não mede palavras:

“Atendei, ó tolos, dentre o povo; e vós, insensatos, quando haveis de ser sábios? Aquele que fez ouvido, não ouvirá? ou aquele que formou o olho, não verá? Porventura aquele que disciplina as nações, não corrigirá?” (Sl 94.8-10)

O poder da oração também pode ser visto claramente quando o anjo tocou a segunda trombeta:

“O segundo anjo tocou a sua trombeta, e foi lançado no mar como que um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar. E morreu a terça parte das criaturas viventes que havia no mar, e foi destruída a terça parte dos navios”. (Apocalipse 8.8-9)

A visão do monte lembra as palavras do profeta Jeremias:

“Assim diz o Senhor: Eis que levantarei um vento destruidor contra Babilônia… Eis-me aqui contra ti, ó monte destruidor, diz o Senhor, que destróis toda a terra; estenderei a minha mão contra ti, e te revolverei dos penhascos abaixo, e farei de ti um monte incendiado. E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundamentos; mas desolada ficarás…” (Jeremias 51.1,25-26)

Aqui Deus não fala sobre um monte literal. O monte representa o Império Babilônico. E o monte sendo incendiado e sendo revolvido dos penhascos abaixo representa a destruição da Babilônia. A visão de Jeremias se cumpriu quando a Babilônia foi atacada pelo Império Medo-Persa. O Apocalipse compara Israel com a Babilônia (Ap 17.5) e por isso descreve sua destruição da mesma maneira. É importante notar que o próprio Jesus fez a mesma comparação usando a figura do monte:

“Ora, de manhã, ao voltar à cidade, teve fome; e, avistando uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e não achou nela senão folhas somente; e disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. Quando os discípulos viram isso, perguntaram admirados: Como é que imediatamente secou a figueira? Jesus, porém, respondeu-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, isso será feito”. (Mateus 21.18-21)

Jesus falou de um monte literal? Se de fato estava, não há qualquer evidência histórica de qualquer cristão que tenha conseguido fé suficiente para transportar montes. Mas qual seria o objetivo de alguém querer lançar um monte ao mar? Por que isso sequer seria motivo de oração? O fato é que Jesus não estava falando de um monte literal. O monte se referia a Israel. No contexto, Jesus expulsou os vendilhões do templo (Mt 21.12-13), discutiu publicamente com as autoridades judaicas (Mt 21.23-32,23.1-39) e lhes avisou sobre a destruição de Jerusalém e do templo naquela mesma geração (Mt 21.33-46, Mt 23.34-39). Quando Jesus secou a figueira isso era uma forma de avisar sobre o que estava prestes a acontecer com Israel . Da mesma forma o monte sendo lançado ao mar é equivalente a Israel assim como o monte no oráculo de Jeremias era equivalente a Babilônia.

É importante perceber que Jesus disse que o monte sendo lançado ao mar seria em resposta a orações imprecatórias de seus discípulos. No Apocalipse vemos que isso de fato se cumpriu porque as trombetas começaram a tocar justamente em resposta a oração dos santos (Ap 8.3-4). Esse é o poder da oração. Uma nação inteira foi destruída em resposta a oração com fé.

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