jewO NOVO PACTO E A RECONSTRUÇÃO DE ISRAEL
Por Frank Brito

“Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha Lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados”. (Jeremias 31:31-33)

Jeremias 31:31 é a única passagem do Antigo Testamento que se refere ao Novo Pacto pelo nome. Sem dúvidas, outros textos se referem ao Novo Pacto (como Isaías 42:6, por exemplo), mas este é o único texto de todo o Antigo Testamento que se refere à ele por este nome. Muito pode ser dito sobre a natureza deste Novo Pacto, com base em diversos textos tanto do Novo quanto do Antigo Testamento, mas a principal ênfase dessa profecia de Jeremias é que o Novo Pacto seria o meio pelo qual a nação de Israel seria convertida à Deus e restaurada de sua apostasia.

Para entender o livro de Jeremias ou o ministério de qualquer outro profeta, é preciso entender um pouco sobre a natureza do pacto que Deus tinha com Israel. O Pacto que Deus estabeleceu com Israel ao libertar o povo da escravidão do Egito foi essencialmente o restabelecimento do mesmo pacto que Ele havia sido estabelecido com Adão. Em Adão, Deus estabeleceu um pacto com a humanidade inteira. É o chamado pacto de domínio. Nele a humanidade recebeu de Deus a responsabilidade de guardar, cultivar e dominar sobre a terra:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. (Gênesis 1.26-27)

Mas a vocação do homem não é o de exercer um domínio absoluto e incondicional. Deus é o único soberano absoluto. O domínio do homem é sempre subordinado a Deus, devendo respeitar os limites estabelecidos por Sua Lei. A tentação de Satanás que conduziu a humanidade inteira à ruína foi justamente a sugestão de que o homem não deveria se conformar com um domínio limitado e subordinado, mas que deveria usurpar a posição de soberania absoluta do próprio Criador. E da mesma forma que, em Adão, Deus estabeleceu o domínio da humanidade inteira sobre a terra, Ele estabeleceu o domínio de Israel sobre a terra prometida. O domínio de Israel sobre a terra prometida foi simplesmente o chamado de Deus para que a nação retomasse a tarefa da qual Adão havia se desviado. A vocação de Deus para Israel era que a nação fizesse aquilo que Adão falhou em fazer. Por isso, o princípio da vida e da morte diante de Adão no Éden é essencialmente o mesmo que Deus colocou diante de Israel no deserto: “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”. (Dt 30.19) Se Israel fosse obediente, receberia as bênçãos de Deus seria bem sucedido no domínio sobre a terra. Se fosse desobediente, receberia maldições. As bênçãos do pacto devem ser lidas como uma progressiva reversão da ruína que entrou no mundo em Adão:

Se ouvires atentamente a voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra; e todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, se ouvires a voz do Senhor teu Deus”. (Deuteronômio 28.1-2)

As bençãos prometidas incluíam:

1) Teriam paz, segurança e prosperidade onde quer que estivessem seja no campo ou na cidade. (v. 3)
2) Suas famílias seriam numerosas e prósperas. (v. 4,11)
3) Seus animais seriam férteis e vigorosos. (v. 4, 11)
4) Suas plantações seriam abençoadas (v. 4,11)
5) Seriam uma potência militar, incapazes de serem vencidos na guerra. (v.7)
6) Seriam bem sucedidos em tudo que se dedicassem a fazer. (v. 8)
7) Seriam respeitados internacionalmente. (v.10)
8) Teriam estabilidade climática, não havendo secas. (v. 12)
9) Seriam uma potência econômica, respeitada internacionalmente. (v. 12)

Para manter a si mesma nesta posição e continuar sendo beneficiado por Deus, Israel deveria se manter obediente a Lei de Deus. As bênçãos de Israel eram condicionadas a obediência a Deus. Deus prometeu paz, prosperidade e desenvolvimento cultural a Israel caso permanecessem fiéis a Ele. Ao mesmo tempo, Deus prometeu ruína nestas mesmas coisas caso Israel não se mantivesse fiel:

Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão…” (Deuteronômio 28.15)

As maldições incluíam:

1) Seriam fracassados onde quer que estivessem, seja na cidade ou no campo. (v. 16)
2) Alto índice de esterilidade entre as mulheres e famílias amaldiçoadas (v. 18)
3) Seriam fracassados nas plantações e na criação de animais. Suas plantações seriam atacadas por pestes. (v. 18, 21,38-40, 42)
4) Seriam fracassados em tudo o que se dedicassem a fazer. (v. 20)
5) Se multiplicariam enfermidades como tísica, úlceras, tumores malignos, sarnas, loucura e cegueira. (v. 22, 27-28, 35, 59)
6) Haveria secas. (v. 23,24)
7) Seriam militarmente fracassados e dominados por tiranos. (v. 25, 26, 32-34, 36, 41, 48-57)
8) Seriam internacionalmente envergonhados. (v. 37)
9) Seriam fracassados economicamente. (v. 44)
10) Seriam expatriados. (v.64)
11) Se tornariam idolatras. (v. 64)

Esse é o pano de fundo para entender Jeremias (e qualquer outro profeta). O que Jeremias faz no decorrer de todo o livro é, primeiro, acusar Israel por ter transgredido o pacto ao transgredir a Lei do Senhor e, segundo, ameaçar Israel com as maldições do pacto. As maldições que Jeremias cita no decorrer de todo o livro são simplesmente aplicações circunstâncias das maldições que encontramos em Deuteronômio 28 (e outros textos paralelos da Lei, como Levítico 26 e Deuteronômio 8):

“Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Lembro-me, a favor de ti, da devoção da tua mocidade, do amor dos teus desposórios, de como me seguiste no deserto, numa terra não semeada. Então Israel era santo para o Senhor, primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o Senhor. Ouvi a palavra do Senhor, ó casa de Jacó, e todas as famílias da casa de Israel; assim diz o Senhor: Que injustiça acharam em mim vossos pais, para se afastarem de mim, indo após a vaidade, e tornando-se levianos? Eles não perguntaram: Onde está o Senhor, que nos fez subir da terra do Egito? que nos enviou através do deserto, por uma terra de charnecas e de covas, por uma terra de sequidão e densas trevas, por uma terra em que ninguém transitava, nem morava? E eu vos introduzi numa terra fértil, para comerdes o seu fruto e o seu bem; mas quando nela entrastes, contaminastes a minha terra, e da minha herança fizestes uma abominação. Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da Lei não me conheceram, e os governadores prevaricaram contra mim, e os profetas profetizaram por Baal, e andaram após o que é de nenhum proveito. Portanto ainda contenderei convosco, diz o Senhor; e até com os filhos de vossos filhos contenderei“. (Jeremias 2:1-9)

“E disse o Senhor: Porque deixaram a minha Lei, que pus perante eles, e não deram ouvidos à minha voz, nem andaram nela, antes andaram após o propósito do seu próprio coração, e após os baalins, como lhes ensinaram os seus pais. Portanto assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que darei de comer losna a este povo, e lhe darei a beber água de fel. E os espalharei entre gentios, que não conheceram, nem eles nem seus pais, e mandarei a espada após eles, até que venha a consumi-los”. (Jeremias 9:13-16)

“Arvorai a bandeira rumo a Sião, fugi, não vos detenhais; porque eu trago do norte um mal, e uma grande destruição. Já um leão subiu da sua ramada, e um destruidor dos gentios; ele já partiu, e saiu do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém habite nelas. Por isto cingi-vos de sacos, lamentai, e uivai, porque o ardor da ira do Senhor não se desviou de nós E sucederá naquele tempo, diz o Senhor, que se desfará o coração do rei e o coração dos príncipes; e os sacerdotes pasmarão, e os profetas se maravilharão“. (Jeremias 4:6-9)

O mal que Jeremias disse aqui que viria do “norte” era a Babilônia, como o resto do livro deixa claro (Jr 20:4-6; 21:2-25, 28:3; 51:49). Neste oráculo Jeremias compara a Babilônia com um leão, exatamente como na visão do profeta Daniel (Dn 7:4). Os exércitos da Babilônia destruíram a nação e levaram os sobreviventes para serem escravizados na Babilônia. Mas Jeremias não profetizou somente desgraças. Ele profetizou que, apesar de todas as desgraças, Deus reverteria o quadro e abençoaria Israel com as bençãos do pacto:

“Assim diz o Senhor, que dá o sol para luz do dia, e a ordem estabelecida da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, de modo que bramem as suas ondas; o Senhor dos exércitos é o seu nome: Se esta ordem estabelecida falhar diante de mim, diz o Senhor, deixará também a linhagem de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a linhagem de Israel, por tudo quanto eles têm feito, diz o Senhor“. (Jeremias 31:35-37)

Sodoma e Gomorra, ao serem julgados por Deus, foram completamente destruídos, sem quaisquer sodomitas sobreviventes para contar a história. O mesmo não aconteceria com Israel. “Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra” (Is 1:9). Deus também julgaria Israel, mas, ao mesmo tempo, jurou que não destruiria a nação completamente. Viria o tempo em que Israel seria completamente convertida e restaurada de sua apostasia, de forma que as bençãos do pacto seriam aplicadas com abundância sobre todo povo:

“Naquele tempo, diz o Senhor, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e elas serão o meu povo. Assim diz o Senhor: O povo que escapou da espada achou graça no deserto. Eu irei e darei descanso a Israel. De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei, também com benignidade te atraí. De novo te edificarei, e serás edificada ó virgem de Israel! [..] E será que, como vigiei sobre eles para arrancar e derribar, para transtornar, destruir, e afligir, assim vigiarei sobre eles para edificar e para plantar, diz o Senhor“. (Jeremias 31:1-4, 28)

Assim como o Senhor havia trabalhado para transtornar, destruir e afligir Israel, Ele jurou que chegaria o tempo em que Ele trabalharia para reconstruir a nação. Como está escrito também na Lei:

“Hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente logo perecereis da terra, a qual passais o Jordão para a possuir; não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos. E o SENHOR vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as nações às quais o SENHOR vos conduzirá. E ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram. Então dali buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiverdes na tribulação, e todas estas coisas te alcançarem, então nos últimos dias voltarás para o SENHOR teu Deus, e ouvirás a sua voz“. (Deuteronômio 4:26-30)

No livro de Jeremias, Deus deixou claro que isso se cumpriria por meio de um descendente do rei Davi:

“Porque será naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei os teus grilhões; e nunca mais se servirão dele os estrangeiros. Mas servirão ao SENHOR, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei. Não temas, pois, tu, ó meu servo Jacó, diz o SENHOR, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei de terras de longe, e à tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize. Porque eu sou contigo, diz o SENHOR, para te salvar; porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida, e de todo não te terei por inocente”. (Jeremias 30:8-11)

“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que cumprirei a boa palavra que falei à casa de Israel e à casa de Judá; Naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e ele fará juízo e justiça na terra. Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; e este é o nome com o qual Deus a chamará: O SENHOR é a nossa justiça”. (Jeremias 33:14-16)

Esse é o contexto da profecia do Novo Pacto:

“Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha Lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados“. (Jeremias 31:31-34)

O Novo Pacto, evidentemente, foi estabelecido por Jesus Cristo, o filho de Davi:

“E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós”. (Lucas 22:19-20)

Qual o significado da Lei sendo escrita no coração? A própria Lei deixa claro o que significa:

“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coraçãoDiligentemente guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, como também os seus testemunhos, e seus estatutos, que te tem mandado. E farás o que é reto e bom aos olhos do Senhor, para que bem te suceda, e entres, e possuas a boa terra, a qual o Senhor jurou dar a teus pais”. (Deuteronômio 6:4-6,17-18)

“Disse-lhes: Aplicai o vosso coração a todas as palavras que eu hoje vos testifico, as quais haveis de recomendar a vossos filhos, para que tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta Lei“. (Deuteronômio 32:46)

Como diz também os Salmos:

“A boca do justo profere sabedoria; a sua língua fala o que é reto. A Lei do seu Deus está em seu coração; não resvalarão os seus passos”. (Salmo 37:30-31)

“Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua Lei está dentro do meu coração“. (Salmo 40:8)

“Dá-me entendimento, para que eu guarde a tua Lei, e a observe de todo o meu coração“. (Salmo 119:34)

E também Isaías:

“Atendei-me, povo meu, e nação minha, inclinai os ouvidos para mim; porque de mim sairá a Lei, e estabelecerei a minha justiça como luz dos povos. Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços governarão os povos; as ilhas me aguardam, e no meu braço esperam. Levantai os vossos olhos para os céus e olhai para a terra em baixo; porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra se envelhecerá como um vestido; e os seus moradores morrerão semelhantemente; a minha salvação, porém, durará para sempre, e a minha justiça não será abolida. Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, vós, povo, em cujo coração está a minha Lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis pelas suas injúrias”. (Isaías 51:4-7)

A Lei escrita no coração, evidentemente, se refere à obediência daqueles que foram regenerados por Deus para obedecer aos Seus mandamentos. A profecia de Jeremias, então, está claramente dizendo que, por meio do Novo Pacto, toda nação de Israel seria regenerada, restaurada e obediente à Deus:

“Naquele tempo, diz o Senhor, serei o Deus de todas as famílias de Israel, e elas serão o meu povo… E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados”. (Jeremias 31:1, 34)

Isso faria com que Israel, como nação, fosse restaurado à sua terra em segurança:

“Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a linhagem de Israel, por tudo quanto eles têm feito, diz o Senhor. Eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que esta cidade será reedificada para o Senhor, desde a torre de Hananel até a porta da esquina. E a linha de medir estender-se-á para diante, até o outeiro de Garebe, e dará volta até Goa. E o vale inteiro dos cadáveres e da cinza, e todos os campos até o ribeiro de Cedrom, até a esquina da porta dos cavalos para o oriente, tudo será santo ao Senhor; nunca mais será arrancado nem derribado“. (Jeremias 31:37-40)

Como também profetizou Ezequiel:

“Filho do homem, quando a casa de Israel habitava na sua terra, então eles a contaminaram com os seus caminhos e com as suas ações. Como a imundícia de uma mulher em sua separação, tal era o seu caminho diante de mim. Derramei, pois, o meu furor sobre eles, por causa do sangue que derramaram sobre a terra, e porque a contaminaram com os seus ídolos; e os espalhei entre as nações, e foram dispersos pelas terras; conforme os seus caminhos, e conforme os seus feitos, eu os julguei. E, chegando às nações para onde foram, profanaram o meu santo nome, pois se dizia deles: São estes o povo do Senhor, e tiveram de sair da sua terra. Mas eu os poupei por amor do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi. Dize portanto à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Não é por amor de vós que eu faço isto, o casa de Israel; mas em atenção ao meu santo nome, que tendes profanado entre as nações para onde fostes; e eu santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; e as nações saberão que eu sou o Senhor, diz o Senhor Deus, quando eu for santificado aos seus olhos. Pois vos tirarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis. E habitareis na terra que eu dei a vossos pais, e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus”. (Ezequiel 36:17-28)

“Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todos os lados, e os introduzirei na sua terra; e deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles; e nunca mais serão duas nações, nem de maneira alguma se dividirão para o futuro em dois reinos; nem se contaminarão mais com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com qualquer uma das suas transgressões, mas eu os livrarei de todas as suas apostasias com que pecaram, e os purificarei. Assim eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Também meu servo Davi reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor só; andarão nos meus juízos, e guardarão os meus estatutos, e os observarão. Ainda habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; nela habitarão, eles e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. Farei com eles um pacto de paz, que será um pacto perpétuo. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre”. (Ezequiel 37:21-26)

Essas promessas precisam ser entendidas à luz das bençãos pactuais de Deuteronômio 28. Deuteronômio estabelece que se Israel fosse obediente, receberia as bênçãos de Deus e seria bem sucedido no domínio sobre a terra. Se fosse desobediente, receberia maldições. Tanto Jeremias quanto Ezequiel profetizaram as maldições que trouxeram a destruição de Israel. Mas eles profetizaram também que, mediante o estabelecimento do Novo Pacto pelo filho de Davi, a nação de Israel seria justificado de Seus pecados e o Espírito Santo seria enviado aos seus corações para que obedecessem à Lei. Ao obedecer à Lei, a nação receberia as bençãos do pacto para que a nação fosse reconstruída.

Foi sobre isso que o Apóstolo Paulo escreveu aos Romanos:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades”. (Romanos 11.25-26)

Pela apostasia nacional de Israel, o Evangelho chegou aos gentios. Isaías já havia falado sobre isso: “Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui (os gentios, cf. Rm 10:20). Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde (Israel, cf. Rm 10:21), que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos” (Is 65:1-2). Mas o endurecimento de Israel não foi completo, mas ficou um remanescente – “em parte”. “Plenitude” ai deve ser entendida como oposto de “em parte”. Em nosso próprio tempo, a número de gentios cristãos é uma minoria em relação ao número total de gentios. Da mesma forma, o número de judeus cristãos é uma minoria em relação ao número total de judeus. O que Paulo está dizendo é que os judeus cristãos continuarão sendo um remanescente, até que o número de cristãos deixe de ser uma minoria entre os gentios e passe a ser a maioria. O que Paulo está dizendo é que a conversão nacional de Israel acontecerá após a conversão do mundo. E assim se cumprirá o que foi predito pelos profetas. Como escreveu o teólogo puritano, John Owen, em seu comentário da epístola aos Hebreus:

“Haverá um tempo em durante o Reino do Messias neste mundo em que a maior parte dos judeus de todo o mundo serão chamados e eficazmente levados ao conhecimento do Messias, Nosso Senhor Jesus Cristo. Em Sua misericórdia serão libertos do cativeiro e restaurados à própria terra, sob uma condição abençoada, próspera e alegre… Os cristãos de forma geral reconhecem que isso acontecerá, buscam por isso e oram para que aconteça, desde os dias dos apóstolos”. (John Owen, Uma Exposição da Epístola aos Hebreus, Volume 2)