camelos

COANDO MOSQUITOS E ENGOLINDO CAMELOS
Por Frank Brito

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da Lei -o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo”. (Mateus 23:23-24)

Qual o significado de coar um mosquito e engolir um camelo? A dureza das palavras de Jesus exige que isso seja muito bem entendido. Os fariseus dizimavam a hortelã, o endro e o cominho. Eles estavam corretos em fazer isso. O livro de Levítico ordenou que a hortelã, o endro e o cominho fossem dizimados:

“Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR”. (Levítico 27:30)

Por que Jesus criticou os escribas e fariseus então? Porque apesar de dizimar “do campo, da semente do campo e do fruto das árvores”, eles desprezavam “o mais importante da Lei -o juízo, a misericórdia e a fé”. Isso nos ensina três coisas cruciais:

1) Alguns mandamentos de Deus são mais importantes do que outros.

2) Não basta conhecer os mandamentos de Deus. É preciso dar a devida importância a cada um.

3) Coar um mosquito e engolir um camelo significa inverter ou alterar esta ordem de importância.

No capítulo anterior, Jesus já havia ensinado o mesmo, que os mandamentos da Lei não têm a mesma importância, mas que alguns mandamentos são mais importantes do que outros:

“Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas“. (Mateus 22:36-40)

Ele ensinou o mesmo no Sermão da Montanha:

“Não cuideis que vim destruir a Lei ou os Profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”. (Mateus 5:17-19)

Os escribas e fariseus eram incapazes de discernir entre a importância do mandamento do dízimo e a importância da fé, da misericórdia e do juízo. Eles achavam que o mandamento do dízimo era mais importante. Jesus não mediu palavras. Quem não sabe discernir entre a importância de Levítico 27:30-34 e Levítico 19:13-18 não é nada menos do que um “condutor cego”.

A falta de discernimento moral dos escribas e fariseus do tempo Jesus não está tão longe do discernimento moral e muitos de nossos líderes modernos. Quantos de nós nunca ouviu cristãos argumentando que ninguém pode ser excomungado da igreja porque “todo mundo é pecador” e “não existe diferença entre pecado e pecado”? Quantos de nós nunca ouviu cristãos argumentando que o estado não tem o direito de aplicar pena capital em ninguém porque “todo mundo é pecador” e “não existe diferença entre pecado e pecado”? Quantos de nós nunca viu pecados terríveis sendo tratados como se não fossem tão graves assim porque “todo mundo é pecador” e “não existe diferença entre pecado e pecado”? A cegueira dos escribas e fariseus é a mãe dessa cegueira moral, uma distorção dos ensinamentos de Jesus.

Se não existe diferença entre pecado e pecado, então “o juízo, a misericórdia e a fé” não é de fato “o mais importante da Lei” e Jesus estava errado! Se não existe diferença entre pecado e pecado, se nenhum é mais grave do que o outro, se é tudo simplesmente a mesma coisa, então nenhum mandamento da Lei de Deus é mais importante do que o outro, pois toda transgressão teria a mesma gravidade. Essa inversão de valores impede que cada pecado seja tratado como deve ser. Se não existe diferença entre pecado e pecado, então um estuprador que violenta crianças todo fim de semana não faz algo que seja pior do que a criança que mentiu para os pais para não comer beterraba no almoço. E se um estuprador que violenta crianças todo fim de semana não faz algo que seja pior do que a criança que mentiu para os pais para não comer beterraba no almoço, então os dois pecados devem ser tratados da mesma maneira pela sociedade, pelo estado e pela igreja.

Deus “ama a justiça e o juízo” (Salmos 33:5). Os cristãos precisam aprender a amar também. O primeiro passo é se dando conta da diferença de tamanho entre mosquitos e camelos.

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